“Os atletas brasileiros não são produzidos, eles acontecem”

Se o Brasil é conhecido como o país do esporte, por que não investir em diferentes modalidades e atletas com potencial? Somos o país do esporte, ou o país do “monoesporte”?

 

No ano passado estava numa reunião com um representante de um time da principal liga de beisebol dos Estados Unidos (MLB).

Nesta reunião, ele contou que veio anteriormente ao Brasil com todo o suporte e know-how da maior liga do mundo de beisebol com uma missão: abrir um centro de treinamento para jovens atletas e desenvolvê-los para possivelmente vender para os grandes times da liga. Para isso ele precisava de parceiros e investimentos, seja via lei do incentivo ou de empresas privadas.

Alguns anos depois e tentativas frustradas, ele voltou para os Estados Unidos sem realizar o projeto e, nesta reunião, me disse a seguinte frase: “Os atletas brasileiros não são produzidos, eles acontecem”.

“Governo corta Bolsa Atleta pela metade, tira contribuição a jovens e preserva investimento na elite esportiva.” O corte de quase 60% da verba afetou principalmente os jovens, ou seja, aqueles que estão iniciando a carreira esportiva e, pela lógica, os que mais precisam de suporte para poder chegar a elite da sua modalidade.

Uma pesquisa feita pelo IBGE (2017) mostra que 61,3 milhões de pessoas de 15 anos ou mais de idade praticam algum tipo de esporte ou atividade física. Esse estudo mostra também que mais de 50% dos jovens entre 15 e 17 anos são os que mais praticam algum tipo de esporte ou atividade física.

Fazendo uma conta rápida, temos no mínimo 30 milhões de jovens ativos que estão na idade para se desenvolverem e se destacarem em suas modalidades. Mas, segundo o extinto Ministério do Esporte, jovens entre 15 e 24 anos são os mais propícios a desistir por não conseguir conciliar os estudos e por não ter o acompanhamento necessário para se desenvolver.

Um atleta para se tornar profissional e conseguir resultados expressivos tem um ciclo de desenvolvimento de no mínimo 8 anos, segundo os especialistas e o próprio Comitê Olímpico Brasileiro. Como obter resultados sem investimento e apoio?

Existem alguns programas do Governo ou do Exército que trabalham para incentivar os atletas com possibilidade de participação olímpica. A maioria é para atletas
já em alto rendimento. O próprio COB criou um programa de desenvolvimento para jovens atletas, que é excelente. Mas atende a uma pequena parcela, aqueles que já têm índice e ranking para conseguir participar do programa.

E a pergunta fica: como o atleta que está começando, que não tem investimento, vai chegar no nível necessário para conseguir uma bolsa do governo ou participar do programa do COB?

O Brasil tem muitos atletas com potencial para chegar à elite e trazer resultados. Mas a informação, os dados, os resultados desses jovens atletas não chegam onde precisam chegar. Nós, profissionais que estamos envolvidos no meio esportivo, sabemos da demanda que existe, mas as empresas, anunciantes, mídias, ou seja, aqueles que podem efetivamente fazer a diferença, não têm acesso a esse tipo de informação.

O futebol feminino, que tem a Marta (eleita 6 vezes a melhor jogadora do mundo pela FIFA), apenas neste ano conseguiu a divulgação que merece para uma Copa, graças à TV Globo, imagina um paratleta de Badminton de Curitiba?

E por que esse exemplo?

Organizando um evento na cidade de Curitiba para mostrar ao mercado que existe talento nos esportes (e de sobra), analisamos os 20 nomes enviados pela Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Juventude para que fizéssemos o convite. Surpresa: em Curitiba temos um paratleta de Badminton que é 2º lugar no Ranking Mundial.

Existe uma brecha no mercado esportivo que não é aproveitada: investir em jovens atletas, devidamente identificados e estudados, com potencial para se tornar um atleta de elite. Traçando um paralelo ao mundo das startups, por que não participar da formação desse atleta, contribuir para o desenvolvimento de um esporte e até ser patrocinador de um grande campeão? Apostar num atleta pode ser como apostar numa startup, com a diferença de que além da possibilidade do ganho financeiro ou institucional, existe a certeza de contribuir para o resultado social.

Esse é o caminho que estamos percorrendo hoje. Queremos dar oportunidade para atletas de diferentes modalidades que têm potencial para crescer, mas não encontram as ferramentas e o apoio. E então conectar com empresas e investidores, que querem se envolver com esporte e não sabem como. Se você é uma pequena ou média empresa, um investidor ou uma startup, seu envolvimento com o esporte pode começar aqui: jovens atletas. Não precisa investir milhões para colher resultados, você pode começar acreditando e a longo prazo vai colher os frutos que foram plantados de uma maneira mais assertiva.

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