O Cannes Lions International Festival of Creativity chega à sua 73ª edição com uma queda de 25% no volume de trabalhos inscritos. Em 2026, o festival recebeu 20.050 submissões, ante 26.900 registradas em 2025. Vale destacar que o número de países participantes também diminuiu, passando de 96 para 92.
Seguindo a tendência global, a retração brasileira chama ainda mais atenção: de primeiro país homenageado pelo festival, em 2025, o Brasil viu o volume de trabalhos inscritos cair 41% em um ano, saindo de 2.684 cases submetidos em 2025 para 1.593 em 2026.
Crise de confiabilidade e regras mais rígidas
O recuo nas inscrições brasileiras acontece um ano após o escândalo que envolveu a extinta DM9 e expôs fragilidades no processo de submissão de cases ao festival. Em junho de 2025, a organização cassou o Grand Prix de Creative Data conquistado pela agência com o case “Efficient Way to Pay”, feito para Consul.
A polêmica se deu após o uso de um conteúdo gerado por inteligência artificial no videocase para simular eventos e resultados que não correspondiam à execução real da campanha. Além do Grand Prix, um Bronze em Creative Commerce conquistado pelo mesmo case foi anulado.
A repercussão do caso levou a própria DM9 a abrir uma apuração interna, que resultou na devolução voluntária de outras duas premiações: “Plastic Blood”, para OKA Biotech, que chegou a ser a campanha brasileira mais premiada do ano, e “Death Gold”, para Urihi Yanomami. Ao todo, a agência devolveu doze Leões e demitiu Icaro Doria, então copresidente e CCO responsável pela produção dos três cases.
Em resposta ao episódio, o Cannes Lions implementou para 2026 os chamados ‘Awards Integrity Standards’, um conjunto de regras voltado a reforçar a credibilidade das inscrições. Entre as medidas estão a obrigatoriedade de declarar o uso de inteligência artificial nos materiais submetidos, a adoção de ferramentas de detecção de conteúdo manipulado e a criação de um comitê de revisão formado por especialistas em IA, ética e integridade de conteúdo.
“Diante das transformações que estamos testemunhando na indústria neste momento, reunir o setor para navegar por essas mudanças e celebrar os trabalhos que estabelecem o padrão da criatividade parece mais essencial do que nunca”. comenta Simon Cook, CEO da Lions.



