Mbappé e a era da coerência 

Por Adilson Trindade, diretor de cultura e relacionamento no Grupo MAP

Durante muito tempo, o mercado confundiu relevância com alcance.

Quanto maior a audiência, maior a influência. Quanto mais exposição, maior o valor de uma marca pessoal.

Mas o mercado mudou.

Hoje, pessoas e marcas não são lembradas apenas pelo que conquistam. Elas são observadas pelas escolhas que fazem, pelas causas que defendem, pelas oportunidades que recusam e, principalmente, pela coerência entre discurso e prática.

É por isso que, quando pensamos em atletas que representam esse novo momento, o nome de Kylian Mbappé chama atenção.

Não apenas pelos títulos ou pelo talento dentro de campo.

Mas pela forma como construiu sua carreira.

Mbappé parece entender que reputação não é consequência da fama. É uma decisão coerente.

Ao longo dos últimos anos, recusou acordos comerciais que contrariavam os valores que deseja associar à sua imagem, mesmo quando isso significava abrir mão de receitas importantes. Ao mesmo tempo, não hesitou em defender seus direitos quando entendeu que contratos e compromissos assumidos não foram respeitados.

Essa combinação pode parecer contraditória para alguns.

Na verdade, ela revela exatamente o contrário: coerência.

Quem escolhe seus parceiros com responsabilidade também exige responsabilidade de quem faz negócios com ele.

Outro ponto que chama atenção é a forma como ele trata impacto social.

Em vez de ações pontuais voltadas apenas para comunicação, sua fundação foi estruturada para acompanhar jovens ao longo do tempo, criando oportunidades reais de formação, desenvolvimento e inserção no mercado de trabalho.

Não é uma ação de campanha.

É uma plataforma de transformação.

O mesmo acontece quando olhamos para a Zebra Valley, sua produtora de conteúdo.

Ao invés de depender exclusivamente de terceiros para contar sua história, Mbappé decidiu construir um ecossistema próprio, conectando esporte, música, entretenimento e cultura para dialogar com uma nova geração.

Mais uma vez, a lógica deixa de ser apenas comunicação e passa a ser construção de comunidade.

Esse movimento diz muito sobre o momento que vivemos.

Estamos entrando em uma era em que audiência, por si só, já não sustenta relevância. As pessoas observam escolhas, acompanham posicionamentos e esperam consistência ao longo do tempo.

Para marcas, talentos e lideranças, o desafio deixa de ser apenas conquistar atenção. Passa a ser construir confiança.

Sob essa perspectiva, a trajetória de Mbappé deixa de ser apenas uma história de sucesso esportivo. Ela confirma algo que já orienta o nosso trabalho todos os dias.

Afinal, reputação não é construída pelos grandes momentos. Ela é construída pelas pequenas decisões que se repetem, de forma consistente, ao longo do tempo.

Talvez seja por isso que Mbappé seja um caso tão interessante de acompanhar.
Sua carreira ainda está sendo escrita. E justamente por isso ela nos oferece uma das reflexões mais relevantes sobre o presente.

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