A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance ganhou um novo obstáculo nos Estados Unidos. Um grupo de 12 estados norte-americanos entrou com uma ação na Justiça para impedir a conclusão da operação de US$ 112 bilhões, mesmo após o negócio receber sinal verde do Departamento de Justiça (DOJ).
Protocolado no Tribunal Federal de Sacramento, na Califórnia, o processo sustenta que a fusão reduzirá a concorrência nos mercados de distribuição cinematográfica e de canais básicos de televisão por assinatura. Os procuradores-gerais também pedem que as empresas adiem a conclusão do negócio até o fim da análise judicial.
A ação é liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e reúne ainda Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.
Segundo os estados, a companhia combinada passaria a concentrar cerca de 27% da distribuição de filmes exibidos nos cinemas americanos e mais de 30% do mercado de grandes lançamentos, segmento responsável por quase 90% da receita de bilheteria dos últimos três anos.
No mercado de TV por assinatura, o processo argumenta que a empresa também passaria a controlar mais de um quarto da receita dos canais básicos a cabo, ampliando seu poder de negociação com distribuidoras e aumentando a pressão por reajustes que poderiam ser repassados aos consumidores.
Os procuradores afirmam ainda que a concentração pode resultar em preços mais altos, redução na oferta de conteúdo e impactos sobre a indústria audiovisual, incluindo exibidores, distribuidores e trabalhadores do setor.
Embora as alegações se concentrem nos mercados de cinema e televisão por assinatura, a ação também amplia o debate sobre a concentração de mídia nos Estados Unidos. Caso a transação seja concluída, a Paramount passará a reunir ativos como CBS News e CNN sob o mesmo grupo empresarial.
Em comunicado, a Paramount classificou o processo como uma interpretação equivocada da legislação antitruste e afirmou que defenderá a operação na Justiça. A empresa argumenta que a fusão fortalecerá sua capacidade de competir com plataformas como Netflix, Disney+ e Prime Video e permitirá ampliar a produção cinematográfica, com o compromisso de lançar ao menos 30 filmes por ano.
A companhia também alerta para os impactos financeiros de um eventual atraso. Pelo acordo firmado entre as empresas, a Paramount poderá desembolsar cerca de US$ 7 milhões por dia caso a operação não seja concluída até 30 de setembro, além de enfrentar custos adicionais relacionados ao financiamento da transação.


