Após enfrentar críticas por parte da torcida, o Corinthians passou a lidar com novas frentes de questionamento envolvendo o patrocínio da Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu um inquérito para investigar o acordo.
Instaurado nesta quinta-feira (13), o inquérito busca apurar uma possível violação aos direitos de crianças e adolescentes em razão da associação do clube com uma plataforma de conteúdo adulto. A medida foi tomada após uma representação apresentada pela vereadora Keit Lima (PSol).
A investigação, conduzida pelo promotor Santiago Miguel Nakano Perez, da Infância e Juventude de São Paulo, também inclui a FF Tecnologia Ltda., responsável pela operação da Fatal Fans.
O MPSP determinou que o Corinthians e a empresa apresentem documentos como o contrato de patrocínio e o plano de mídia. A plataforma também deverá esclarecer quais mecanismos utiliza para verificar a idade dos usuários e impedir o acesso de menores de 18 anos. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi oficiada para acompanhar o caso.
A instauração do inquérito tem objetivo de reunir elementos técnicos e documentais para avaliar se as salvaguardas previstas no contrato são suficientes e se estão sendo efetivamente cumpridas.
Segundo a portaria, o Corinthians afirmou ter adotado medidas como a exclusão da marca dos uniformes das categorias de base e da equipe feminina, o controle prévio das peças publicitárias e a proibição da associação direta do clube a conteúdos relacionados à erotização.
Outro patrocinador pressiona o clube
Segundo apuração da jornalista Lívia Camillo, do Sport Insider, a Nike notificou o Corinthians para pedir esclarecimentos sobre o patrocínio. A fornecedora teria demonstrado desconforto com a presença da Fatal Fans no calção da equipe masculina e formalizado os questionamentos por e-mail ao departamento de marketing do clube.
O contrato entre Nike e Corinthians contém uma cláusula que permite à empresa vetar patrocinadores ligados a segmentos como bebidas alcoólicas destiladas, tabaco e produtos considerados nocivos à saúde. Para outros setores, a fornecedora também pode se opor a marcas que considerar, de boa-fé, incompatíveis com a Nike.
Ao Sport Insider, o Corinthians afirmou que consultou patrocinadores e parceiros antes de fechar o acordo e que não recebeu oposição. Pessoas próximas à administração do clube, porém, disseram ao veículo que alternativas estariam sendo avaliadas para reduzir o desgaste, como diminuir o tamanho do logotipo no calção ou transferir a exposição para outras propriedades comerciais.
Procurada pelo propmark, via assessoria de imprensa, a Nike não respondeu até a publicação desta reportagem.
Relembre a repercussão da parceria
O contrato entre Corinthians e Fatal Fans prevê o pagamento de R$ 22 milhões ao clube até o fim de 2027. A marca é exibida nos uniformes das equipes masculinas de futebol, futsal e basquete. No futebol feminino, o espaço é destinado à campanha ‘Respeita as Minas’, de enfrentamento à violência contra a mulher.
Desde o anúncio, a parceria motivou um abaixo-assinado com quase 70 mil assinaturas e iniciativas no Legislativo. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, a deputada estadual Marina Helou (PSB) protocolou o Projeto de Lei nº 739/2026, que restringe a publicidade e o patrocínio de plataformas de conteúdo adulto e serviços associados em espaços públicos ou concedidos pelo estado.


