IstoÉ promove corte generalizado de funcionários

A editora responsável pela publicação promoveu o desligamento da maior parte de sua equipe no último dia 15 de junho, reduzindo drasticamente a operação

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A crise na IstoÉ ganhou um novo capítulo nesta semana. Após mais de dois meses de impasse envolvendo atrasos salariais e dificuldades financeiras, a editora responsável pela publicação promoveu o desligamento da maior parte de sua equipe no último dia 15 de junho, afetando profissionais de diferentes áreas da redação e do ambiente digital.

Segundo informações obtidas pelo propmark, foram demitidos repórteres, editores, profissionais de mídias sociais e outros colaboradores ligados à operação editorial da marca. Diretores também se desligaram da empresa. Com a medida, a estrutura da publicação foi reduzida drasticamente.

Apesar dos cortes, o portal da IstoÉ segue sendo atualizado de forma limitada. A operação teria sido mantida por apenas dois profissionais: um editor responsável pela IstoÉ Dinheiro e um repórter da editoria de política. Nas redes sociais, o impacto da redução da equipe também é perceptível. O perfil principal da revista no Instagram está sem atualizações recentes, enquanto a conta da IstoÉ Dinheiro continua publicando conteúdo em ritmo reduzido.

Falta de pagamentos, site fora do ar e greve entre profissionais

Os desligamentos ocorrem em meio à crise enfrentada pela empresa, marcada por atrasos no pagamento de salários, benefícios e fornecedores.

De acordo com fontes ligadas à IstoÉ Publicações, os atrasos nos pagamentos e benefícios se intensificaram em novembro de 2025 e falta de informações por parte dos diretores. Com a decisão do Banco Central na liquidação extrajudicial da Entreplay Instituição de Pagamentos S.A., empresa integrante do grupo Entre Investimentos, a situação se intensificou.

Em maio, funcionários chegaram a deflagrar greve em protesto contra a falta de regularização dos vencimentos. Desde o dia 11 de maio, todos os sites da IstoÉ Publicações (IstoÉ, Gente, Dinheiro, Motorshow, Planeta, Menu e Dinheiro Rural) pararam de ser atualizados. O portal da mais conhecida publicação do grupo, a IstoÉ, estava fora do ar.

A crise enfrentada pela IstoÉ ganhou um novo capítulo após jornalistas e demais funcionários contratados pelo regime CLT iniciarem uma greve no dia 14 de maio. A mobilização aconteceu devido a atraso no pagamento de salários e benefícios, segundo relatos de profissionais ligados à publicação.

Os problemas financeiros também teriam atingido fornecedores da empresa. De acordo com apuração da reportagem, a falta de repasses estaria entre os motivos que levaram à indisponibilidade do portal da IstoÉ nos últimos dias.

As dificuldades da editora estão relacionadas à situação da Entre Investimentos, grupo que adquiriu a marca IstoÉ em 2022 durante o processo de recuperação judicial da Editora 3. Na operação, avaliada em R$ 15 milhões, a companhia assumiu os ativos digitais de todo o portfólio de revistas pertencentes à antiga editora.

Em março deste ano, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Entreplay Instituição de Pagamentos S.A., empresa integrante do grupo Entre Investimentos. Na decisão, publicada em 27 de março, a autoridade monetária apontou problemas na situação econômico-financeira da companhia, além de irregularidades no cumprimento das normas do setor e riscos considerados anormais aos credores.

Mais recentemente, a Entre Investimentos voltou ao centro das atenções após investigações conduzidas pela Polícia Federal. Conforme revelado, a empresa teria atuado como intermediária em transferências financeiras do Banco Master destinadas à produção de “Dark Horse”, filme que pretende retratar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões do Banco Master. Os documentos, no entanto, não detalham qual parcela desse montante teria sido destinada ao projeto cinematográfico.

Na ocasião IstoÉ Publicações se manifestou em comunicado, admitindo a indisponibilidade temporária dos recursos financeiros da Entre Investimentos, mas não citando nominalmente o caso do Banco Master. A empresa também explicou que a liberação de valores “depende de decisão administrativa do Liquidante e do Banco Central do Brasil, razão pela qual a companhia segue em diálogo com as autoridades competentes para buscar uma solução no menor prazo possível”, e citou seu compromisso e empenho em resolver as questões com funcionários, fornecedores e leitores.

Imagem do Topo: Chatgpt

Bruna Magatti
Bruna Magatti
Editora Assistente
brunam@propmark.com.br

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