Por Stalimir Vieira, diretor da Base de Marketing
O ano de 2025 foi muito importante para a publicidade brasileira. Um herói anônimo, ao
denunciar a gigantesca mutreta de um case inscrito em Cannes, abriu caminho para uma rigorosa averiguação da organização do festival, que acabou revelando outras picaretagens, injustamente premiadas.
Graças a esse cidadão ou cidadã e, quem sabe, grupo de cidadãos e cidadãs, o Brasil criou vergonha na cara, fez a devida autocrítica e voltou ao festival, em 2026, com uma mentalidade completamente renovada.
É evidente que o aperto no regulamento desestimulou a habitual avalanche de migués atrás de um Leão. Mas não foi só isso. Nada como um belo vexame para uma profunda revisão de critérios e de conceitos. Nada como um belo vexame para motivar empenho em demonstrar que a exceção não é a regra.
Foi isso que fez com que o trabalho sério e honesto recuperasse o seu merecido protagonismo. Quanta gente boa (e séria) andava escanteada por não saber (e não querer) lidar com tamanhas artimanhas e falsificações e que agora, diante de um mercado devidamente lavado e desinfetado, ganhou espaço para ser preenchido com o exercício de seu puro talento criativo.
Sim, ganhamos menos Leões, mas os que ganhamos permanecerão conosco, como reconhecimento dos nossos méritos, e apenas dos nossos méritos. É claro que não nos comportamos, no total das inscrições, como freirinhas de convento.
Não foram pequenos os esforços para construir cases, no limite do tolerável, como diria um ex-presidente preso, dentro das quatro linhas, mesmo assim sujeitos à desconfiança dos júris.
Tentativas que não passaram, sequer constaram em shortlists. Faz sentido. Havia, certamente, uma prevenção justificada a tudo que remetesse ao malfadado ano passado, ironicamente o ano do Brasil em Cannes, título que desabou miseravelmente.
Agora, não, agora podemos falar, contar, explicar, detalhar, sem ficarmos vermelhos (verdade que alguns, em 2025, também não ficaram), sobre os nossos prêmios, colocá-los no currículo, chancelá-los, orgulhosamente, com nossos nomes e com as marcas de nossas agências e de nossos clientes.
Olho para o desempenho do Brasil em Cannes, em 2026, com alívio e confiança. Aí está, plenamente recuperada das sequelas de um pavoroso sequestro, a propaganda brasileira, resgatando uma imagem conquistada com ardorosa dedicação por tantos empreendedores e profissionais, muitos deles já ausentes do nosso convívio.
Parabéns à LePub, parabéns à Heineken; parabéns à GUT, parabéns ao Mercado Livre; parabéns à Artplan, parabéns ao Idome, parabéns ao Instituto Yduqs; parabéns à Almap/BBDO, parabéns à Pedigree; parabéns a todos os ganhadores dos nossos 62 Leões.
É uma alegria imaginar seus profissionais sentados diante de seus computadores ou reunidos para brainstorms, movidos pela busca de soluções criativas, sobretudo verdadeiras, honestas e pertinentes.
Mais do que oferecer ao mundo a nossa melhor propaganda, vocês ofereceram aos nossos futuros profissionais os melhores exemplos de respeito ao exercício da profissão.



