Por Sandra Martinelli, CEO da ABA e membro do Executive Committee da WFA
Ao longo dos meus mais de 40 anos de carreira em marketing, aprendi uma lição que o tempo só reforçou: nenhuma empresa, nenhum profissional e nenhum mercado consegue evoluir sozinho.
Talvez por isso uma das experiências mais enriquecedoras da minha trajetória tenha sido representar a ABA e os anunciantes brasileiros junto à World Federation of Advertisers (WFA), da qual participo há mais de uma década como integrante do Comitê Executivo.
A WFA é a Federação Global de Anunciantes, que costumo definir como a “nossa nave-mãe”. É nesse fórum que convergem algumas das discussões mais relevantes sobre o futuro do marketing, da comunicação, da tecnologia, da mídia e dos negócios.
A entidade reúne líderes de associações nacionais de cerca de 60 países, como a ABA, além de uma centena dos maiores anunciantes do mundo, responsáveis por aproximadamente 90% dos investimentos globais em comunicação de marketing – quase US$ 1 trilhão por ano.
É nesse ambiente que são compartilhados desafios, experiências e perspectivas sobre as transformações que vêm redefinindo a relação entre marcas, consumidores e sociedade. O que antes levava meses para chegar ao Brasil hoje circula em tempo real.
Nas reuniões da WFA, encontro executivos das Américas, Europa, Ásia-Pacífico, África e Oriente Médio debatendo exatamente os mesmos temas que ocupam a agenda dos anunciantes brasileiros: como transformar dados em melhores decisões; equilibrar tecnologia e relevância humana; garantir ambientes digitais mais seguros; fortalecer a confiança em um cenário de desinformação; e conciliar inovação, criatividade e geração de valor.
Essa convergência talvez seja uma das maiores transformações que testemunhei ao longo da minha carreira. É também o que torna a conexão da ABA com a WFA tão estratégica.
Muitas das discussões que hoje fazem parte da agenda do mercado brasileiro passaram primeiro pelos fóruns da Federação, como privacidade de dados, segurança das marcas, sustentabilidade, diversidade e inclusão, responsabilidade das plataformas digitais e, mais recentemente, inteligência artificial.
Ao participar desses debates desde o início, conseguimos antecipar tendências, compreender seus impactos, preparar lideranças e adaptar aprendizados globais à realidade brasileira. Essa troca fortalece não apenas a ABA, mas todo o ecossistema de marketing do país.
Ao longo dos últimos anos, trouxemos para o Brasil estudos, boas práticas e iniciativas desenvolvidos na WFA e, ao mesmo tempo, levamos para o cenário internacional contribuições reconhecidas pela criatividade, capacidade de adaptação e espírito inovador do mercado brasileiro.
Acredito profundamente que o futuro do marketing será cada vez mais colaborativo. Nenhum país possui sozinho todas as respostas, nenhuma empresa conseguirá enfrentar isoladamente os desafios que surgem em velocidade crescente e nenhuma liderança terá sucesso olhando apenas para dentro de suas próprias fronteiras.
Por isso, quando afirmo que a WFA é nossa “nave-mãe”, não me refiro apenas a uma entidade internacional. Refiro-me a uma comunidade global de aprendizado, colaboração e construção coletiva, onde o Brasil aprende, contribui, influencia e cresce. Em um mundo cada vez mais conectado, cabe às entidades garantir que seus associados participem da construção do futuro do setor que representam e não apenas acompanhem as transformações do mercado.



