Os dados inflados na vida real

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Por Flavio Waiteman, sócio e CCO da Tech&Soul

Cannes resolveu ou está numa batalha contra dados inflados nos videocases.

Dizem que uma IA desenvolvida por eles, especializada, identificou inconsistências em 40% dos cases. Olha só que coisa boa.

Poderia ser uma tendência para o dia a dia da comunicação, aqui no mundo pós-Cannes, onde a gente batalha para construir marcas.

É comum, quase diário, ver clientes recebendo abordagens prospectivas e um tanto desleais, com essa técnica de inflar os dados.

Essas falsas promessas acabam sendo o refúgio quentinho e iluminado para a dificuldade de criar ou manter uma marca.

Os dados inflados ou contaminados são oferecidos espertamente como aquela desculpa conveniente em casos de fracasso da estratégia.

Até esse fenômeno de inflação de dados se tornar, como em Cannes, um assunto diário, vai um tempo. E vai levar muita marca junto.

Para cada “contra dados não há argumentos”, argumente: “sob tortura os dados entregam qualquer coisa”.

Essas empresas e seus gurus digitais, coisa
démodé, oferecem tudo “mensurado” e outras certezas.

E como o ambiente digital não aceita regulação e se autoprotege como um “dogma” fica difícil entender o erro e corrigir a tempo.

Apesar de ser da turma de humanas e membro honorário aceito pelo fundão, vai aqui uma reflexão matemática.

Se as empresas de tecnologia viraram empresas de mídia. Se existem algoritmos que dificultam a sua visualização para vender mídia que libera a visualização.

Se não existe hoje uma auditoria “livre de robôs” nas plataformas, como acreditar nos dados indicados por elas?

E as ferramentas que medem impressão, audiência e impacto, como contabilizam os robôs? E os leads, são quentes, mornos ou só números numa planilha?

Data-driven precisa ser parte do storytelling driven. Um não vive sem o outro e muito cuidado com quem usa os dados de escudo.

Seria ótimo o mercado falar mais sobre isso. Trabalho com dados todos os dias, sinto falta quando eles não estão sobre a mesa. Já fiz ótimas campanhas guiado por eles, mas sempre com atenção.

Cannes nos mostrou isso? Ok, a senioridade do nosso mercado precisa popularizar isso em nosso dia a dia.

O marketing e a publicidade precisam acompanhar a malícia das plataformas e dos vendedores de óleo de cobra digital, e repensar como contar a história da sua companhia.

Como diria Elon Musk na ocasião da compra do Twitter: quero 50% de desconto na plataforma, pois pelo menos 50% é tráfego de não humanos.

Os outros 50% de humanos merecem ouvir histórias bacanas criadas pelas marcas.

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