nova/sb faz análise sobre o problema do suicídio

Pesquisa Precisamos falar sobre, que integra o projeto Comunica Que Muda, monitorou tendência pelas redes sociais

Kurt Cobain, líder do Nirvana, subtraiu sua vida no auge da carreira. Chris Cornel, da banda Soundgarden e uma das mais belas vozes da cena rock’n’roll, também optou por dar fim à própria vida. Ian Kevin Curtis, vocalista e guitarrista do Joy Division, seguiu esse exemplo, aparentemente materializando o conteúdo melancólico e depressivo das letras que costumava cantar. O Radiohead foi bem explícito na canção No surprises: “Sem alarmes e sem surpresas; silêncio silencioso; este é o meu ajuste final, minha última dor de barriga; sem alarmes e sem surpresas, deixe-me sair daqui”, diz a letra. 

Divulgação

Mas não é só de famosos que o suicídio alimenta estatísticas e conteúdos. A prática é recorrente em escala global, mas é um tema considerado tabu e encoberto pelo silêncio. O comportamento é explicável, não só pela dor de perder alguém que amamos, mas pela forma chocante desse tipo de mutilação fatal. Dados do Mapa da Violência mostram que desde 2002 houve crescimento de 10% de suicídios no Brasil, equivalente a 2.928 casos em 2014.

O tema chamou a atenção da equipe do projeto Comunica que Muda, da agência nova/sb, que resolveu colocar na pauta neste ano de 2017 da pesquisa que realiza regularmente. Os temas, por assim dizer, abordados são fora da caixinha mercadológica, como maconha, lixo, mobilidade e intolerância. O suicídio foi colocado na roda no monitoramento realizado entre os meses de abril e maio deste ano e o resultado está no dossiê de mais de 140 páginas sob o título Suicídio, precisamos falar sobre. Com apoio da plataforma Torabit, foram analisadas mais de 1,230 milhão de citações à prática do suicídio nos canais da internet.

O assunto foi potencializado no período da pesquisa pelo noticiário sobre o crime virtual da Baleia Azul e da série Os 13 porquês, produzida pelo Netflix, que narra o suicídio da personagem Hannah Baker. “Outros assuntos alcançaram uma quantidade de menções bem menor, mostrando como esses dois temas monopolizaram o debate sobre suicídio”, destaca o estudo da nova/sb. “A maior parte dos comentários foi neutra, quando não há um posicionamento claro na postagem, com 52,8% do total. As menções positivas, quando a pessoa demonstrou uma conscientização sobre o tema, somaram 28,8%. Já as negativas, que são mensagens preconceituosas, que reforçam o tabu, incentivam o suicídio ou demonstram falta de conscientização, ficaram com 18,4% do total”, prossegue a análise.

Especializada em comunicação pública, com clientes como a Organização Mundial de Saúde, que lhe confia as campanhas anuais sobre a prevenção do tabaco, a nova/sb acertou na abordagem. O suicídio está em discussão no Twitter, YouTube, Instagram e Facebook. Como a prática está associada à depressão, à intolerância e ao bullying, esses canais podem ser agentes motivadores para a consolidação do ato. “Assim, por acreditar que expor o tema pode incentivar suicídios, e também por preocupações religiosas, o assunto tornou-se um grande tabu na nossa sociedade. A mídia evita noticiar os casos de suicídio, e, quando o faz, apenas cita a informação, sem um aprofundamento maior”, afirma o estudo.

Bob Vieira da Costa, sócio e presidente da nova/sb, escreveu um artigo que aborda o delicado tema: “A cada 40 segundos uma pessoa se mata. São quase 800 mil vítimas por ano no mundo. Para cada caso, há pelo menos outras 20 tentativas. Ou seja, quase 20 milhões de pessoas podem não conseguir se matar, mas tentam. Mais: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos suicídios poderiam ser evitados. Pouco se fala sobre o tema. Há tabus que impedem que seja discutido e, assim, enfrentado tanto do ponto de vista social quanto individual. No Brasil, 32 pessoas tiram a própria vida por dia, uma a cada 45 minutos, o que faz de nós o 8º país com mais suicídios no planeta. Em uma sala com 30 pessoas, é provável que cinco delas já tenham pensado nisso. Os dados são do Centro de Valorização da Vida (CVV)”, elenca Bob.
“Apesar de mais conectados, observamos que a abordagem sobre o suicídio ainda é muito superficial”, finaliza a coordenadora-geral do Comunica Que Muda, Bia Pereira.

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