Consumidores estão atentos e viram fiscais de preços na Black Friday

Varejo recupera confiabilidade dos clientes e aposta na queima de estoques

Em 2015, as redes sociais foram usadas pelos consumidores para manifestar os protestos contra muitas irregularidades ocorridas durante a Black Friday, que neste ano vai acontecer no dia 25 de novembro. A fama que vem dos Estados Unidos, por ser um dia de grandes ofertas e descontos exclusivos, chegou ao Brasil e conquistou clientes dos mais variados, tornando o período mais importante do que dezembro para muitas empresas.

shironosov/iStock

No entanto, o apelido “Black Fraude” ajudou a caracterizar as experiências frustradas de consumidores que se sentiram enganados em relação aos preços, nunca receberam seus produtos ou pior, compraram em empresas fantasmas. Roberto Nascimento, professor do Núcleo de Estudos e Negócios do Varejo da ESPM, explica que o início da Black Friday no país foi caracterizado pelo aumento de preços dos produtos em um curto período anterior à data da compra, fazendo com que a redução dos valores na sexta-feira não fosse real.

“Existe um maior discernimento e o consumidor está ficando mais inteligente para pesquisar preços e monitorar os itens desejados. Além disso, estão com a pulga atrás da orelha com o trabalho mal feito desenvolvido pelo varejo nos anos iniciais. Essa desconfiança gerada demora um tempo para ser restaurada, mas tem sido menor a cada ano. Por isso, não existe mais esse tipo de erro, ainda mais com um aumento dos fiscais de preços e do baixo consumo devido à crise”.

A fiscalização tem sido uma alternativa para acompanhar as evoluções de preços e as pegadinhas da Black Friday. O Buscapé, por exemplo, plataforma de comparação, está investindo em uma campanha intensa para divulgar a ferramenta de monitoramento dos produtos em até um ano antes da compra.  Fábio Sakae, diretor de marketing do Buscapé, afirma que a intenção de compra vem acompanhada de muitas pesquisas e é por isso que estão focando no monitoramento de preços e na proteção ao consumidor.

Divulgação

A campanha na TV aberta estreia neste sábado (19), em parceria com a agência Jotacom, para ensinar o consumidor a usar as ferramentas da plataforma. “Muita gente tem medo de comprar e não receber o produto. É por isso que os consumidores que comprarem por meio do Buscapé, vão estar assegurados caso tenham problemas na entrega. É uma campanha baseada na confiança e no preço justo”. Durante a madrugada da próxima sexta (25), Oscar Filho será o âncora de lives no Facebook e no Youtube para mostrar o trabalho da equipe durante as 24 horas da sexta-feira. “Procuramos trabalhar só com lojas certificadas pelo E-bit, que se baseia nas avaliações dos consumidores”.

Expectativa

O varejo em geral aguarda pela Black Friday para eliminar os grandes estoques e fazer a reposição de novos produtos, explica Nascimento.  Apesar da crise, a expectativa é de um crescimento de dois dígitos e o consumidor pode se dar bem com o posicionamento das empresas. “Muitos vão baixar os valores, com margem pequena de lucros ou então prejuízo, se sacrificando para entrar na guerra dos preços”.

Para o Mercado Livre, o ano tem sido bom e a expectativa para a data é alta. Apenas no dia da Black Friday, será investido o equivalente a um mês de mídia no site, revela Daniel Aguiar, gerente sênior de marketing. São considerados quatro dias de ofertas, começando no dia 24 e terminando no dia 27 de novembro. “Vamos entrar pesado no online, off-line, TV aberta e fechada e mídia externa. Eletrônicos será a grande aposta, com smartphones, além de eletrodomésticos, beleza e saúde e autopeças”, destaca Aguiar.

Segundo uma pesquisa da BlackFriday.com.br, idealizada pelo Busca Descontos, que trouxe a Black Friday para o país, o evento deve alcançar a marca de R$ 2 bilhões, com um aumento de 34% em relação a 2015. De acordo com o levantamento, na Black Friday de 2015 foram registrados mais de 3,1 milhões de pedidos. Neste ano, não será diferente e a previsão é aumentar o número em 29%, ultrapassando os 4 milhões de pedidos.

“No ano passado tivemos uma alta de 49% e essa tendência de crescimento deve se confirmar ainda mais com a crise econômica. As pessoas estão aguardando a data para as compras de fim de ano. Quem não estava comprando por causa da recessão vai aproveitar o evento atraído pelos descontos”, diz Ricardo Bove, diretor da BlackFriday.com.br

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