O ano em que Ivete não desfilou

“Oi zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum, tá faltando um” - Fernando Lobo e Paulo Soledade

Se o Carnaval do Rio de Janeiro emudeceu, em 1951, pelo passamento do Comandante Eduardo Martins de Oliveira, o Edu do Clube dos Cafajestes, que recebeu merecida homenagem na música de Fernando Lobo e Paulo Soledade, por razões opostas - gêmeas a caminho -, o de 2018 de Salvador, deu uma belíssima murchada.

O Carnaval da Bahia continua tendo em Ivete Sangalo seu ator ou, se preferirem, atriz principal.

Mesmo não indo, foi. Mesmo ausente, mais que causou como se diz nos tempos de agora...

E aí Ivete Sangalo achou que era hora de ter um segundo filho.

Vieram gêmeas, Marina e Helena, e aquarianas, de 10 de fevereiro, como eu. Eu nos 75, elas começando a viver...

E assim, depois de 25 anos, o Carnaval de Salvador perdeu, talvez, sua mais importante voz, sua grande rainha.

Anos atrás, bem mais jovem, me arrisquei no Carnaval de Salvador e no bloco Crocodilo.

Ivete era uma revelação no Bloco Eva. Poucos anos depois ocupou toda a cena.

Isso posto, e sem Ivete, um megaprejuízo para a grande festa.

Segundo a Folha, 12 mil foliões desistiram de desfilar nos blocos que Ivete comandaria.

E numa espécie de rolo compressor e logística reversa, um estafe de 1.500 funcionários que apoiavam e davam suporte a Ivete foi desmobilizado entre músicos, produtores e todos os “cordeiros” – puxadores de corda – dos blocos Coruja e Cerveja & Cia entraram em “licença gravidez forçada”.

O não comparecimento dos 12 mil foliões significou, na partida, uma perda de R$ 9 milhões de abadás que deixaram
de ser vendidos pelo preço aproximado de R$ 800, cada.

Outros R$ 15 milhões em patrocínios não se concretizaram.

E, considerando-se que mais de 60% dos foliões dos blocos de Ivete vêm de outras cidades e estados, dezenas de milhões de reais deixaram de ser contabilizados em passagens, hospedagem, alimentação, transporte, cerveja e passeios...

No dia 23 de fevereiro de 2017, em entrevista, Ivete falou sobre seus planos com seu marido, Daniel Cady, de ter mais um filho. E que só não aconteceu antes pela preocupação com o zika vírus.

Mal sabia o Carnaval da Bahia de 2018 que o sonho de Ivete se concretizaria; que as suas gêmeas nasceriam no sábado de Carnaval; e esse acontecimento, que enche de emoção e felicidade ela, seus fãs e todos os seus admiradores no Brasil, seria um megapesadelo para Salvador em seu primeiro Carnaval, depois de 25 anos, sem Ivete.

Mesmo ausente, cuidando de Marina e Helena, Ivete causou. E promete retornar em 2019, com tudo.

Para alívio e felicidade da multidão que a acompanha, e de muitos milhares que direta ou indiretamente dependem de sua voz, alegria e talento para ganharem a vida.

Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing (famadia@madiamm.com.br)

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