Projac é um sinônimo de conteúdo

Complexo é o maior produtor de conteúdo da América Latina

Entre os muitos aspectos que tornaram a TV Globo líder de audiência no Brasil, está o grande investimento em construir a maior produtora de conteúdo da América Latina: o Projac, sílabas iniciais de Projeto Jacarepaguá, nome de um bairro da Zona Oeste carioca.

O Projac é um complexo de 162 mil metros quadrados de área construída, com dez estúdios de gravação, fábrica de cenários, efeitos especiais, confecção e acervo de figurino, cidades cenográficas e centro de pós-produção. Viabilizá-lo, há 30 anos, foi uma ousadia para a época e garantiu a qualidade dos projetos da emissora.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, relembra que, ainda em 1968, fez constar da ata a necessidade de a emissora focar na produção de conteúdo próprio. “Registrei a necessidade de construir novos estúdios, uma vez que os do Jardim Botânico tinham sido concebidos para jornalismo, gênero que Dr. Roberto imaginou que seria a única atividade da recém-nascida TV Globo do Rio de Janeiro”, lembra Boni.

Grandes sucessos da Rede Globo foram produzidos no Jardim Botânico entre 1967 e 1995 – quando passaram, progressivamente, a serem feitos no Projac.

“Foi o Roberto Irineu Marinho quem entendeu, apoiou e investiu na realização desse centro de produção. Foi uma das mais importantes decisões da empresa. Com a sofisticação e o consequente aprimoramento na gravação dos produtos de televisão, seria impossível viver hoje sem o Projac. Do ponto de vista estratégico, ele coloca a Rede Globo em condições de produzir e de ofertar seus produtos para o mercado nacional de televisão, para mais de 100 países no exterior e para qualquer plataforma existente. O Projac coloca a Globo entre os primeiros e maiores produtores de conteúdo, o que garante sua presença no futuro, independentemente das  novas tecnologias e novas plataformas que possam vir”, diz Boni.

A primeira novela feita no Projac foi “Explode Coração”, de Glória Perez. Na época, uma claquete foi batida pelo próprio Roberto Marinho para dar início às filmagens.

Eduardo Figueira, o diretor de produção, comanda desde 2008 o Projac. Sua diretoria se integra ao novo modelo de gestão do entretenimento implementada no fim do ano passado, totalmente orientado pelo conteúdo. Na ocasião, foram criadas diretorias especializadas por gênero: Dramaturgia Diária, liderado por Sílvio de Abreu; Dramaturgia Semanal, comandado por Guel Arraes; e Variedades, liderado por Boninho (diários e realities) e Ricardo Waddington (noites e fins de semana). Manoel Martins, que trabalhou durante 37 anos na empresa e comandou o entretenimento a partir de 2008, se aposentou.

Figueira vem trabalhando no aprimoramento dos módulos de produção do Projac, para que se tornem cada vez mais eficientes, unindo áreas antes estanques, facilitando ao máximo os processos criativos e de produção. Integração de pessoas e processos tornou-se o seu grande foco.

Hoje circulam pela produtora, por dia, cerca de 9 mil pessoas. Figueira afirma que todos os dias há 35 equipes de externa trabalhando: 21 para dramaturgia e 14 para variedades.

“Cada vez mais o grande desafio aqui é motivar pessoas. Sempre buscamos a integração, mas faltava espaço e um estudo de viabilidade. Essa é uma evolução da produção de conteúdo. Hoje, um funcionário que faz televisão tem uma formação mais completa do que antigamente. Tudo ficou mais horizontal”, explica Figueira. E a tecnologia vem facilitando o processo: “Não queremos mais uma pessoa que ‘cuida do equipamento’. Queremos alguém que ajude a ter ideias para melhorar o processo criativo e de levar o conteúdo ao público”, diz Paulo Rabello, diretor de tecnologia para o entretenimento.

O “BBB” é um dos grandes orgulhos de Figueira. Sua área comporta praticamente uma emissora de televisão em separado dedicada ao programa, que funciona somente quatro meses por ano. Só no prédio principal do núcleo BBB trabalham 250 pessoas, que nessa edição do programa trabalharam em excelentes condições, podendo até mesmo dormir no local.

Rabello afirma que o Projac não fica nada a dever a qualquer grande estúdio de cinema de Hollywood, em especial em tecnologia e recursos. O Centro de Pós-Produção do Projac (CPP) tem cerca de 300 profissionais. Estão lá mais de 200 computadores hiperpotentes com 32 processadores que funcionam ligados em rede para servir a todo o conteúdo produzido no Projac. Há estúdios de colorização, computação gráfica, efeitos e de sonorização de altíssima tecnologia.

“Fomos crescendo, evoluindo, não houve nada disruptivo no processo, mas há uns cinco anos crescemos mais fortemente em equipamentos, recursos de software. Fazemos hoje cinema digital”, diz Rabello.

A web dentro da TV

Dentro do Projac tambémfunciona o G-Show, portal de entretenimento da TV Globo lançado em janeiro de 2014. Figueira fala  que o “briefing” de Ana Bueno, diretora da área na TV Globo, é produzir modelos diferentes. Pegar “carona” na TV aberta, mas construir o próprio caminho. O próprio Figueira afirma que o grande objetivo do Projac é se descolar da imagem de TV aberta e manter seu foco em conteúdo para todas as plataformas.

“Bebemos na fonte da criatividade, dos ativos da TV Globo, para produzir o conteúdo. São ativos que performam bem em qualquer plataforma, mas cada vez mais o digital tem especificidades e características próprias de consumo. Na TV, há a linearidade. Na web, há fragmentação. O consumo ocorre em diversos momentos. O conteúdo da web não é excludente, é complementar ao da TV”, diz Ana.

Segundo ela, a TV dita as conversas na web. “As pessoas assistem TV coletivamente, na internet. Existia um grande mito de que a internet ia acabar com a TV e com a sua linearidade. Na verdade ela reforçou. Você assistir a um capítulo da novela na rede social é divertidíssimo”, comenta Ana, que chama o material gerado a partir dos conteúdos da TV Globo internamente de “puro sangue”. O que é criado de maneira independente gera, por exemplo, webséries.

“A web é mais permissiva, é um espaço de experimentação de formatos. A nossa molecada na web cria histórias e conteúdos absolutamente originais”, explica a diretora.

O branded content é um dos focos comerciais da área. Recentemente, uma vending machine de chocolates Bis foi colocada na área de gravação do programa “Malhação” e os atores interagiram com ela, gerando uma série de vídeos divertidos. Outros projetos vêm sendo realizados com anunciantes como Coca-Cola.

Ana conta que já produziu cerca de 20 programas originais para a web – entre webséries, tutoriais e vídeos de humor.

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