Mercado brasileiro de animação cresce com produção publicitária

Veículos e agências estão usando cada vez mais o recurso como forma de comunicação

A animação brasileira O Menino e o Mundo, do cineasta Alê Abreu, será o representante brasileiro no Oscar deste ano. O filme, que vai concorrer na categoria Melhor Animação, narra as aventuras de uma menino que vive em uma cidade isolada e, num dia, resolve se lançar em uma jornada para encontrar o pai. 

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O Menino e o Mundo já conquistou alguns prêmios pelo mundo. O longa venceu o Prêmio Cristal de Melhor Longa-metragem no Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, na França, além do Festival de Cinema de Animação de Lisboa, em Portugal, entre outros.

Mas, mesmo que no próximo dia 28 o Brasil não vença o Oscar – o que seria um fato inédito –, o país já vê um cenário diferente quando o assunto é animação. Este é um mercado que vem crescendo no Brasil. Tanto a publicidade quanto as emissoras de televisão estão apostando neste formato.

O SBT é um exemplo. A emissora repetiu a dose da novela infantil Carrossel na versão animada. A Supertoons foi a produtora responsável pela produção dos 26 episódios da novela. Dario Bentancour Sena, diretor e sócio da produtora de animação, avalia o mercado brasileiro. Para ele, a realidade é muito boa.

“Hoje os canais acreditam na produção nacional, que, por sua vez, agrada muito aos assinantes. Tanto é que a série animada do Carrossel, totalmente desenvolvida aqui no estúdio, consegue ser a maior audiência de um canal aberto. Acho isso um feito sem precedentes, que pode sensibilizar os grandes players a adotar definitivamente a animação brasileira”, conta.

O diretor da Supertoons vê o Brasil no topo do ranking da América Latina em animação. “Mas ainda longe dos Estados Unidos, Canadá, Ásia e Europa”, avisa. “Temos de ‘remar’ muito, embora já tenhamos alcançado reconhecimento com os filmes Lutas e O Menino e o Mundo, em Annecy. E agora o filme do Alê Abreu conseguiu algo incrível, que é a indicação ao Oscar”, completa.

A Supertoons existe desde 2008, depois que Dario e a mulher, Elizabeth Mendes, que também é sua sócia, tiveram uma passagem pela Maurício de Sousa. Atualmente, a produtora trabalha em vários projetos, como uma série para a OCA Animation e trabalhos para a Rinaldi Produções, detentora da marca Patati Patatá, além da série animada O Diário de Mika, que é veiculada nos canais da Disney.

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Gabriel Nobrega, sócio e diretor de animação da Vetor Zero, disse que o mercado brasileiro está em crescimento. Mas ele conta que ainda existe um problema: o câmbio. “Os profissionais trabalham no Brasil, ficam bons e vão para outros países, deixando-nos órfãos”, afirma.

Para ele, a publicidade ainda é o caminho mais seguro, economicamente falando. “Esse mercado de série e filmes ainda está em desenvolvimento no Brasil. Se você pegar o mercado dos Estados Unidos, por exemplo, vai ver que a demanda é muito maior”, destaca.

A Vetor Zero foi a responsável pela produção do premiado curta Caça ao Drugo, feito pela Comissão Global de Política sobre Drogas, com criação da AlmapBBDO. O filme conta a história de um dragão que é banido de um reino. As pessoas que costumavam se relacionar com ele passam a ser criminalizadas e detidas. A ideia do filme foi utilizar uma metáfora que teve como objetivo quebrar o tabu sobre o tema.

O diretor da Supertoons acredita que a animação pode, sim, colaborar com a publicidade. “Nas décadas de 1980, 1990 e 2000 só existia a animação na publicidade, com exceção do pioneirismo do Maurício (de Sousa) ao fazer filmes. Acho que a publicidade é um excelente mercado, mas ainda pequeno se comparado com a força das séries”, diz Dario Bentancour Sena.

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A Supertoons também chegou a fazer trabalhos para a publicidade. “Fizemos alguns para a Turma da Mônica, como aquele do Posto Ipiranga, com o Cebolinha; os da Ambev, com a Mônica Jovem e a Tina; e alguns do Procon de Campinas. Até então publicidade não foi nosso foco, mas está nos nossos planos oferecer os serviços de animação para o mercado publicitário”, avisa.

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José Carlos Lollo, diretor de arte da Talent Marcel, afirma que a animação contribui com a publicidade desde sempre. “Se quadrinhos e animação não fossem tão parte da nossa cultura, não teríamos usado o Cebolinha num filme do Posto Ipiranga. Acredito que a animação tem um potencial maior e ainda inexplorado pela propaganda, que é o de conteúdo”, enfatiza.

Lollo enalteceu o talento do artista brasileiro. “Nos últimos anos, apareceram muitos profissionais especializados na área que têm apresentado um trabalho cheio de qualidade e consistência. Talentos como o do pessoal do Show da Luna, do Tromba Trem e do Irmão do Jorel devem ser usados a favor da propaganda”, diz.

Bruno Prosperi, diretor-executivo de criação da Almap-BBDO, elogiou a técnica usada na criação de O Menino e o Mundo. “Penso que esse tipo de craft pode contribuir, sim, e muito, para o nosso mercado. Ilustrações/animações sempre transmitem muita emoção, até porque permitem tudo”, conta. Como exemplo, ele citou o próprio Caça ao Drugo. “O fato de ser uma animação foi fundamental para dar um tom mais leve e lúdico a um tema que teria tudo para ser espinhoso. O trabalho nos deu muito orgulho e ganhou reconhecimento internacional, como o Leão de Ouro en Cannes 2015”, ele recorda.

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