Estudo aponta avanço da IA na rotina e pressão por entregas mais táticas nas agências

A Sandbox lançou o report “O futuro da estratégia no Brasil”, que indica um momento de transição para a disciplina no país. Segundo o levantamento, 75% dos profissionais avaliam que a área precisa se adaptar para manter relevância, enquanto 74% dizem ter visto o trabalho ser transformado pela inteligência artificial em 2025.

Realizado com 264 estrategistas brasileiros, com apoio da AlmapBBDO e do Grupo de Planejamento, o estudo revela um cenário marcado por contradições entre maior influência e fragilidade na percepção de valor.

Metade dos entrevistados afirma que a estratégia ganhou mais espaço junto aos clientes no último ano. Ainda assim, 65% dizem que a disciplina segue sendo tratada como dispensável em contextos de pressão por prazo ou orçamento.

Yudi Nakaoka, diretor de estratégia da AlmapBBDO, afirma: “A principal preocupação hoje está na percepção de valor da entrega. Existe uma pressão para que a estratégia opere de forma mais tática e orientada ao curto prazo”, diz.

A pesquisa também mostra a consolidação da IA na rotina dos estrategistas. Ferramentas são usadas principalmente para análise de concorrência (75%), desenvolvimento de briefings (49%) e geração de insights culturais (41%). Apesar disso, 71% apontam problemas de precisão, enquanto 61% citam riscos de vieses e 60% destacam dificuldade em capturar nuances emocionais.

O mercado, segundo o estudo, ainda se divide sobre os impactos da tecnologia: 40% acreditam que a IA pode reduzir o valor do estrategista no futuro, enquanto outros 40% discordam dessa avaliação.

Para Amanda Agostini, chief strategy officer da Ampfy e presidente do Grupo de Planejamento, a cautela reflete a própria natureza da função. “O estrategista é treinado para questionar premissas e desconfiar de respostas rápidas demais”, afirma.

O levantamento também indica uma mudança nas trajetórias profissionais. Trabalhar em marcas aparece como preferência para 38% dos entrevistados, superando o interesse por agências (33%). Ao mesmo tempo, 35% dizem não enxergar uma progressão clara na carreira em estratégia.

Daniel De Tomazo, fundador da Sandbox e head de planejamento na AlmapBBDO, afirma que o cenário exige revisão de fundamentos. “A estratégia segue sendo uma habilidade valiosa, mas o contexto para exercê-la é cada vez mais desafiador”, diz. “Os desafios observados no Brasil refletem um cenário global”, completa.

Imagem do topo: Brands&People no Unsplash