Por, Fernando Guntovitch fundador e CEO da The Group
Nunca é Tarde para Criar um Novo Sonho
Aos 57 anos, depois de mais de três décadas comandando uma das agências independentes mais tradicionais do mercado brasileiro de live marketing, decidi viver uma nova virada na minha vida. Não foi abrir uma nova empresa, mudar de carreira ou me aposentar. Foi transformar uma paixão de uma vida inteira em um novo projeto.
Sou fundador da The Group, agência criada em 1995 e especializada em experiências, eventos, ativações, convenções e projetos proprietários para grandes marcas. Ao longo desses 31 anos, sempre vivi muito próximo do entretenimento, da música e da emoção que uma experiência ao vivo pode gerar. Nos últimos anos, a TG também passou por uma importante transformação, incorporando inteligência artificial, BI e análise de dados para criar experiências mais inteligentes, mensuráveis e conectadas ao comportamento das pessoas. Hoje, combinamos criatividade, tecnologia e experiência humana em projetos realizados no Brasil e no exterior, além de fazermos parte da WPI, uma das maiores redes globais de agências independentes.
Mas existia um sonho pessoal que ainda precisava ganhar mais espaço na minha vida.
Sou apaixonado pelos Rolling Stones desde adolescente e baterista por prazer absoluto. A música sempre esteve presente na minha trajetória. Nunca como profissão, mas como uma paixão constante, daquelas que acompanham a vida inteira. Minha conexão com esse universo vem de muitos anos. Tive a oportunidade de participar da produção brasileira do The Rolling Stones Project, idealizado pelo saxofonista Tim Ries, músico que toca oficialmente com os Rolling Stones há mais de duas décadas.
O projeto trouxe ao Brasil nomes históricos ligados à banda, como Bernard Fowler, backing vocal dos Stones, e o próprio Tim Ries, em apresentações exclusivas realizadas para marcas como TIM e Budweiser. Em uma das ações mais marcantes, realizamos um One Night Only no tradicional Baretto, em São Paulo. Sob o comando do maestro Michel Freidenson, uma banda foi montada em apenas 48 horas para acompanhar os músicos internacionais em uma apresentação única e memorável.
Foi também dentro desse universo que vivi um dos momentos mais emocionantes da minha trajetória: a gravação da faixa Lady Jane, do The Rolling Stones Project, ao lado de Milton Nascimento, realizada durante uma das passagens dos Rolling Stones pelo Brasil.
Toda essa vivência me fez perceber algo importante: eu não queria apenas assistir, produzir ou admirar esse universo. Queria criar algo meu dentro dele.
Foi assim que nasceu a Rolling Stones Experience.
Mais do que uma banda tributo, a proposta é criar uma experiência inspirada no maior grupo de rock and roll de todos os tempos. Um espetáculo que mistura música, storytelling, curiosidades, contexto histórico e interação com o público. Não se trata apenas de tocar sucessos como Jumpin’ Jack Flash, Start Me Up ou Satisfaction. Trata-se de transportar as pessoas para diferentes momentos da história do rock, mostrando como aquelas músicas influenciaram gerações e continuam relevantes até hoje.
Curiosamente, muito do que aprendi ao longo da vida empresarial está presente nesse projeto. Assim como uma marca precisa criar conexões emocionais com seu público, um show também precisa gerar experiência, memória e pertencimento. Talvez seja por isso que eu enxergue tantas semelhanças entre o palco e o mundo dos negócios.
Hoje divido meus dias entre projetos de inteligência artificial aplicada ao live marketing, reuniões com clientes, desenvolvimento de novas experiências proprietárias e ensaios da banda. E talvez justamente por isso eu esteja vivendo uma das fases mais criativas e estimulantes da minha vida.
A Rolling Stones Experience começa agora a ganhar espaço em eventos corporativos, festivais e casas de show, sempre com a missão de transformar cada apresentação em algo único.
Se existe uma lição nessa história, ela é simples: paixão não tem prazo de validade.
Muitas vezes passamos a vida acreditando que determinados sonhos pertencem apenas à juventude. Mas a verdade é que alguns deles apenas esperam o momento certo para acontecer.
E quando esse momento chega, vale a pena subir ao palco — seja ele qual for.



