PR é tudo. E não por vaidade 

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Por Juliana Whately, diretora de contas da agência PROS

Eu não vim do universo de Relações Públicas. Minha trajetória passou por outros territórios da comunicação e do marketing e, quando entrei na PROS, achei que sabia exatamente o que era PR. Porém, não conhecia o Brand PR ou o PR Criativo. 

Durante muito tempo, PR foi definido, quase protegido, pela mídia espontânea e imprensa. Pelo espaço conquistado nos veículos e pela credibilidade que só o crivo editorial é capaz de gerar. 

Isso continua sendo essencial. Insuperável, inclusive. Mas o mundo e as formas de se comunicar mudaram. Surgiram novas linguagens, plataformas e formatos de consumo de conteúdo, enquanto a atenção do consumidor se reduziu. 

Hoje, marcas não vivem apenas do que os veículos dizem. Vivem do que as pessoas comentam, compartilham, recriam, distorcem, defendem, atacam e amplificam; nas redes, nos grupos, nas experiências e nos encontros. A conversa deixou de ser monopolizada pelos conglomerados de mídia e passou a existir dentro de um ecossistema cultural muito mais amplo e descentralizado, muito mais vivo e muito menos controlável. 

Quando a conversa se expandiu, todo mundo quis participar dela. Agências de propaganda passaram a falar em “PRable”. Plataformas de social trouxeram “cultura” para o centro da conversa. Influenciadores começaram a usar “narrativa” como palavra de ordem. E PR passou a ter que se explicar mais do que nunca, como se a expansão do ecossistema tivesse tornado a disciplina menos clara, quando na verdade a tornou mais necessária. 

Gerar conversa não é mais sinônimo de PR. Mas PR continua sendo fundamental para que ela exista com sentido, coerência e relevância. 

Quando PR Criativo disputa o mesmo brief que agências de propaganda e live marketing, a diferença não está apenas no que será entregue, mas no caminho até a solução. 

Não é raro que um cliente traga o mesmo desafio simultaneamente para uma agência de propaganda e para uma agência de PR — o lançamento de um produto, o aniversário de uma marca, uma resposta a um movimento de categoria. O briefing é o mesmo. O ponto de partida, não. 

Muitas disciplinas começam pelo formato: o filme, o evento, a ativação, o conteúdo, o canal. É uma lógica própria, eficiente e legítima. Mas não é necessariamente o mesmo ponto de partida do PR. 

A agência de PR começa por outro lugar. Lê o momento cultural, as tensões do setor, o humor social e o que o público já está dizendo sobre a marca. Só depois disso chega ao formato, que pode ser um evento, uma narrativa para executivos, uma ação de influência, um conteúdo, uma experiência. Ou tudo isso junto. 

Quando o PR ganha essa concorrência, não é porque fez algo mais bonito ou mais barato. É porque entendeu antes qual conversa a marca podia sustentar, qual risco precisava evitar e qual resposta faria sentido naquele momento. E é essa leitura que transforma entrega em estratégia. 

A diferença entre entrar na conversa e pertencer a ela. Uma ideia pode ser criativa, bonita e bem executada. Mas, se nasce desconectada do que as pessoas vivem, sentem ou discutem, dificilmente vira algo relevante. 

O papel do PR é justamente ajudar marcas a entenderem quando entrar em uma conversa, como participar dela e o que podem construir ali sem parecer oportunistas, deslocadas ou artificiais. 

Porque, muitas vezes, o problema não é falta de ideia. É falta de permissão cultural para aquela ideia existir. 

PR é uma lógica de construção de marca e reputação em um mundo onde cultura, negócio, comunicação e comportamento se atravessam o tempo todo. 

Por isso, quanto mais essa lógica se expande, mais estratégica ela se torna. Não porque queira ocupar o espaço de outras disciplinas, mas porque o espaço onde as marcas precisam existir ficou maior, mais fragmentado e mais disputado. 

PR não é tudo por vaidade. É tudo porque reputação não se constrói mais em um lugar só. Essa é a parte que eu não sabia antes de entrar na PROS. E que faz toda a diferença depois que você entende. 

Imagem do Topo: Divulgação

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