O mercado de comunicação é historicamente marcado por pressão por entregas, prazos e rotatividade. Por isso, as áreas de recursos humanos das agências de publicidade vêm evoluindo mais a cada dia, deixando a imagem de uma área com função administrativa. O clássico “RH” abriu as portas para braços de pessoas, cultura, talentos, people analytics, business partners e analistas de diversidade, entre outras frentes que buscam promover de desenvolvimento organizacional a segurança psicológica.
A atualização da NR-1 intensificou esse movimento ao colocar os riscos psicossociais no centro da gestão de saúde e segurança no trabalho. A norma tornou mais explícita a responsabilidade das empresas de identificar, prevenir e reduzir fatores que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores, como assédio, metas abusivas, jornadas exaustivas, sobrecarga e falhas na organização do trabalho.
A medida se tornou importante, afinal o Brasil ocupa hoje a segunda posição no ranking mundial de casos diagnosticados de síndrome de burnout. Segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros convivem com sintomas da síndrome, que desde 2022 é reconhecida como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde.
Entre as agências ouvidas pela reportagem do propmark, a percepção é que a norma apenas formaliza uma discussão que já vinha se tornando inevitável. “Saúde mental faz parte da gestão do trabalho, não é uma pauta à parte”, afirma Iza Herklotz, chief people officer do Publicis Groupe Brasil.
“A área de pessoas está na mesa onde se discute estrutura, eficiência e o desenho das equipes, porque entender gente e entender o negócio, para nós, é a mesma conversa. É isso que tira a área do lugar de apoio: não cuidamos das pessoas de um lado e do negócio do outro. É uma coisa só”, complementa.
A visão também aparece na forma como as áreas de RH se aproximam da liderança. Algumas participam
de reuniões de board, outras trabalham com HR Business Partners alocados junto às áreas, estruturas de People analytics, comitês de ética, programas de liderança, canais de escuta e pesquisas recorrentes de clima. “Hoje é impossível discutir crescimento sem discutir pessoas”, resume Karina Rishi, diretora de cultura & talentos da Lola\TBWA.
Na BETC Havas, Larissa Lacerda, chief people officer, reforça que a cultura passou a ser parte da estratégia, pois “em uma agência de comunicação, cultura não é um tema paralelo ao negócio. Ela é parte do negócio”. Já na Biosphera.NTWK, Cassia Soumaili, chief people and culture performance officer, ressalta a mudança de lugar da área. “Mais importante do que a estrutura, é o papel que a área ocupa. Somos uma empresa de serviços. Nosso principal ativo não é uma fábrica, uma tecnologia ou uma patente. São as pessoas”, explica ela, que afirma: “Na Biosphera, RH não é uma área de suporte. É uma área de negócio”.
No mercado criativo, o capital humano é, ao mesmo tempo, o principal ativo e um dos pontos mais vulneráveis. Como lembra Ronaldo Ferreira, fundador e CEO da u.ma Diversidade Criativa, “em um mercado cada vez mais impactado pela tecnologia, o principal diferencial competitivo continua sendo as pessoas”.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 20 de julho.



