A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha campeã, mas, dentro e fora de campo, o torneio movimentou marcas de diferentes segmentos.
Entre os filmes dos anunciantes, o destaque fica para grandes nomes da história do futebol, que estrelaram diversas campanhas, mesmo aqueles que já não estão mais em campo.
No mercado nacional, as narrativas seguiram a ideia de representar o ‘molho braileiro’, além de incentivar a população a acreditar no hexa, que não veio desta vez.
Relembre algumas das ações que marcaram esta edição do torneio:
Backyard Legends, da adidas
A adidas reuniu atletas e artistas globais em “Backyard Legends”, filme inspirado no futebol de rua e na cultura dos bairros. A produção acompanha Timothée Chalamet na missão de formar uma equipe capaz de enfrentar um trio fictício de jogadores locais considerado imbatível há décadas.
Estrelada também por Lionel Messi e Bad Bunny, a campanha conta com Lamine Yamal, Jude Bellingham, Trinity Rodman, Ousmane Dembélé, Raphinha, Pedri, Florian Wirtz e Santiago Gimenez. A narrativa utiliza estética inspirada nos anos 1990, referências às arquibancadas e efeitos em CGI para resgatar a alegria de jogar futebol longe da pressão dos grandes estádios.
A ação integra a plataforma “You Got This”, apresentada no Brasil como “Vai que é sua”. Além de fornecer a bola oficial da competição, a adidas patrocinou 14 seleções classificadas para o torneio.
Construindo a história do futebol, Lego
O Grupo Lego reuniu Vini Jr., Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé e Lionel Messi em um conteúdo no qual os jogadores aparecem montando uma versão do Troféu Oficial da Copa do Mundo. O filme deu início às ações da marca em torno do torneio e apresentou a linha Lego Editions dedicada ao futebol.
Pela primeira vez, os quatro atletas foram transformados em minifiguras da marca. Os conjuntos homenageiam suas trajetórias e características dentro de campo, com referências e detalhes pensados para os fãs. A estratégia aproximou o universo do futebol da proposta criativa da LEGO, convidando crianças e famílias a reconstruírem momentos marcantes do esporte.
Tá liberado acreditar, de Brahma
Diante da baixa confiança dos brasileiros na conquista do hexa, Brahma lançou o movimento “Tá Liberado Acreditar”. Criada pela Africa Creative, a campanha convidou os torcedores a deixarem o pessimismo de lado e retomarem a crença na Seleção Brasileira.
Ambientado no centro do Rio de Janeiro, o filme partiu dos 24 anos sem um título mundial para mostrar o país se preparando para a Copa. A narrativa contrapôs as dúvidas dos torcedores à paixão que resiste e resgatou momentos em que o Brasil contrariou as probabilidades, como o título de 1970, o pênalti perdido em 1994 e o gol de Ronaldinho em 2002.
Com as participações de Ronaldo Fenômeno e Carlo Ancelotti, a produção conectou diferentes gerações da Seleção.
Sonhos, da Volkswagen
Com Carlo Ancelotti como protagonista, a Volkswagen transformou o desejo pelo hexacampeonato em um exercício de imaginação coletiva. Criada pela AlmapBBDO, “Sonhos” apresentou um Brasil que já acordava campeão mundial pela sexta vez.
Ao som do samba-enredo “O Amanhã”, de João Araújo e Didi, o filme mostrou celebrações espalhadas pelo país, com famílias, bandeiras, festas nas ruas e a presença do Canarinho. A produção também reuniu referências à história da Seleção, como um Gol Copa 1994 e imagens de Galvão Bueno.
A campanha marcou o patrocínio da Volkswagen à CBF e às seleções brasileiras masculinas e femininas, de diferentes categorias, em 2026 e 2027. Com o mote “A gente sonha porque confia”, a marca associou a expectativa pelo título à relação construída com os brasileiros ao longo de 73 anos.
Tudo o que é grandioso leva tempo, de Johnnie Walker
Johnnie Walker encerrou sua atuação na Copa do Mundo com um filme inspirado na estreia de Cabo Verde na competição. Narrada pelo técnico Leitão Brito, a produção resgatou o caminho percorrido pelo país até conquistar uma vaga inédita no torneio.
Criado pela AlmapBBDO, o conteúdo parte da pergunta “Você acha muito ter que esperar quatro anos para participar de uma Copa do Mundo?” para mostrar que Cabo Verde esperou uma vida inteira por esse momento. A narrativa destaca a reunião de descendentes cabo-verdianos espalhados pelo mundo e a campanha da seleção nas Eliminatórias.
O filme concluiu a plataforma “Tudo o que é grandioso leva tempo”, adotada pela marca durante o campeonato, e transformou a trajetória da equipe em uma história sobre perseverança e continuidade.
Molho brasileiro, de Havaianas
Havaianas escolheu Vini Jr. para levar a confiança, o estilo e a energia brasileira ao público internacional. Criada pela GUT e pela GUT Design, a campanha global parte da sensação provocada ao trocar os calçados do dia a dia por Havaianas.
No filme, o jogador aparece ao lado de executivos, concierges de hotel e personagens de diferentes cidades, que passam a se movimentar ao ritmo da trilha após calçarem a marca. A narrativa explora o “molho brasileiro” de Vini Jr. e reforça o posicionamento “Original do Brasil desde 1962”.
Veiculada em plataformas digitais, redes sociais, mídia impressa e OOH, a campanha integrou a estratégia de crescimento internacional de Havaianas, apoiada na brasilidade e no alcance global do atleta.
Polêmico uniforme ‘Vai Brasa’
Nike e CBF apresentaram a nova camisa da Seleção Brasileira com a campanha “Alegria que Apavora”. Criada pela Wieden+Kennedy SP e protagonizada por Vini Jr., Estêvão, Richarlison e Lucas Paquetá, a narrativa mostrou a alegria do futebol brasileiro como uma força capaz de desestabilizar os adversários.
O lançamento, porém, foi marcado pela repercussão negativa do uso da expressão “Vai, Brasa” e da presença do logo da Jordan Brand no uniforme alternativo. Segundo levantamento realizado pela professora Lilian Carvalho, da FGV, em parceria com a Polis Consulting, 75% das cerca de 180 mil menções analisadas nas redes sociais entre 21 e 25 de março foram negativas.
Brasil liderou as conversas sobre a Copa nas redes sociais
Mesmo sem conquistar o título, o Brasil foi protagonista nas redes sociais durante a competição. Segundo levantamento da Winnin, o país representou 20,1% de todo o conteúdo mundial sobre o torneio e liderou os rankings de volume de vídeos, visualizações e engajamento.
Entre 11 e 29 de junho, os conteúdos relacionados à Seleção somaram 1,7 bilhão de engajamentos. Na sequência apareceram Argentina, com 1,4 bilhão; Portugal, com 926,3 milhões; e México, com 518,3 milhões. A análise considerou publicações no Instagram, TikTok, YouTube, Facebook e Twitch.
Do engajamento relacionado ao Brasil, 57,5% foi gerado dentro do país e 42,5% veio do exterior. Os brasileiros também ajudaram a ampliar a conversa sobre outras seleções: responderam por 23% do conteúdo global sobre Cabo Verde, 14% sobre Curaçao e 11,8% sobre o Paraguai.
Para Gian Martinez, CEO da Winnin, os números mostram que a força digital brasileira ultrapassa o período da competição. Em uma janela de três meses, desconsiderando o pico provocado pela Copa, 50,1% do engajamento com conteúdos do país veio do exterior.


