O futebol feminino brasileiro vive um momento de expansão de audiência, profissionalização e interesse comercial às vésperas da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada pela primeira vez na América do Sul. É o que aponta o estudo “Boladonas – O Futebol Feminino no Brasil”, da IDW Company. Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros afirmam ter aumentado o interesse pelos jogos da Seleção Feminina nos últimos dez anos, enquanto 56% já assistiram a alguma partida de futebol feminino e 20% acompanham um jogo da modalidade pelo menos a cada 15 dias.
O levantamento também mostra que 73% dos brasileiros têm uma imagem positiva ou muito positiva da Seleção Brasileira Feminina, sinalizando um cenário de maior receptividade do público. O movimento ganhou força especialmente após o desempenho da equipe nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, período que também impulsionou as buscas por termos relacionados ao futebol feminino brasileiro no Google.
A audiência também aparece nos números de transmissão. Em 2025, os jogos de futebol feminino exibidos pelo Grupo Globo alcançaram cerca de 50 milhões de pessoas na TV aberta, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Nos canais SporTV, o público aumentou 28% no mesmo período.
Futebol feminino amplia estrutura competitiva
O crescimento da modalidade ocorre paralelamente à expansão da estrutura competitiva no país. De acordo com dados do Relatório de Futebol Feminino Brasileiro 2025, citado no estudo, 194 clubes filiados estavam envolvidos em competições profissionais oficiais em 2024. No âmbito nacional, 64 equipes disputavam as três divisões do Campeonato Brasileiro Feminino (A1, A2 e A3). A modalidade também conta com uma cadeia de competições estaduais e de formação. Ao todo, 23 estados possuem torneios de base, enquanto os campeonatos estaduais contribuem para manter clubes em atividade, ampliar o número de partidas e dar visibilidade a equipes fora do eixo nacional.
A estrutura atual é resultado de uma trajetória marcada por décadas de restrições. No Brasil, a prática de esportes considerados incompatíveis com a “natureza feminina” foi proibida por lei em 1941, e a restrição específica ao futebol feminino permaneceu até 1979. A modalidade foi regulamentada novamente em 1983. Para a IDW Company, compreender esse contexto histórico é fundamental para analisar o momento atual. O futebol feminino brasileiro cresce ao mesmo tempo em que busca superar um atraso estrutural provocado por décadas de interrupção institucional.
Mulheres formam uma comunidade estratégica de torcedoras
O estudo destaca ainda a formação de uma comunidade de fãs com características próprias. Dados da Nielsen Sports e da PepsiCo indicam que o futebol feminino pode se tornar um dos cinco principais esportes do mundo e chegar a 800 milhões de fãs globalmente até 2030, o que representaria um crescimento de 38% na base mundial de torcedores.
Desse universo, a expectativa é que cerca de 60% sejam mulheres. O levantamento aponta ainda que o futebol feminino registrou aumento de 60% no número de fãs mulheres nos últimos cinco anos, com 186 milhões de novas fãs no Brasil e na Índia. No Brasil, a força desse público também aparece nas arquibancadas. Segundo dado citado no estudo, 75% dos ingressos para o amistoso entre Brasil e Estados Unidos, realizado na Neo Química Arena, em São Paulo, foram comprados por mulheres.
A pesquisa interpreta esse movimento como parte da construção de um ambiente de identificação, pertencimento e segurança para públicos historicamente menos acolhidos pelo futebol. A modalidade também mantém uma relação histórica com a comunidade LGBTQIA+, ampliando seu papel como espaço de representatividade e visibilidade.
Copa do Mundo Feminina de 2027 pode acelerar transformação
Nesse cenário, a Copa do Mundo Feminina de 2027 aparece como um potencial ponto de virada. O Brasil será o primeiro país da América do Sul a sediar o torneio e receberá 32 seleções em oito cidades, entre 24 de junho e 25 de julho. Para a IDW Company, o Mundial reúne quatro vetores capazes de ampliar o valor cultural e comercial da modalidade: audiência, comunidade, legado e o fato de a Copa ser realizada no Brasil.
Além de ampliar a exposição internacional do futebol feminino, o torneio pode estimular novos hábitos de consumo, fortalecer o calendário competitivo, aproximar novas marcas, incentivar a formação de atletas e contribuir para a criação de uma cultura mais consistente de acompanhamento da modalidade.
Para o mercado publicitário, o estudo identifica uma oportunidade que vai além do patrocínio esportivo tradicional. O futebol feminino reúne, segundo a análise, crescimento de audiência, comunidades engajadas, representatividade, inclusão e uma Copa do Mundo realizada no país, criando um território de conexão entre esporte, cultura, entretenimento e impacto social. A recomendação para as empresas é que a participação das marcas não se limite à exposição durante o Mundial. A oportunidade estaria em construir presença de longo prazo, oferecer experiências, criar espaços de pertencimento e contribuir efetivamente para o desenvolvimento da modalidade.


