Patricia Lima, fundadora da Simple Organic, agora inaugura uma nova fase ao lançar a B-Beauty & Wellness, uma plataforma de negócios criada com o objetivo de fortalecer o posicionamento da beleza brasileira no exterior e ampliar o reconhecimento do setor como uma categoria global.
A ideia é reunir até 150 marcas nos próximos 24 meses e promover uma atuação coordenada em mercados como Copenhague, Paris, Nova York e Miami. O projeto conectará fundadores, empresas, imprensa, criadores de conteúdo, compradores, distribuidores e outros parceiros envolvidos na formação da percepção internacional sobre a indústria.
“O primeiro ‘produto’ que a B-Beauty quer internacionalizar não é um cosmético. É a percepção global sobre a beleza brasileira”, afirma Patricia. A executiva percebeu que apesar da relevância do Brasil como mercado consumidor, da biodiversidade e da capacidade de inovação da indústria, as marcas nacionais ainda apresentam suas propostas de forma isolada no exterior.
“O que ainda falta é uma construção coletiva de posicionamento”, diz a empreendedora. “O que queremos não é apenas exportar produtos. Muitas marcas já fazem isso muito bem. Queremos exportar a brasilidade e construir uma categoria reconhecida globalmente.”
O processo segue a mesma linha de estratégia que transformou a ‘K-Beauty’ em uma categoria internacional. “A Coreia entendeu que uma categoria forte vale mais do que centenas de marcas isoladas e construiu um ecossistema em que marcas, governo, imprensa, creators e distribuidores passaram a comunicar uma mesma visão de mercado”, explica.
No caso brasileiro, a narrativa será construída a partir de atributos como diversidade, criatividade, biodiversidade e intensidade sensorial. A proposta também busca aproveitar o interesse internacional pela cultura brasileira em áreas como moda, música, gastronomia e cinema.

A executiva reconhece, porém, que reunir a pluralidade do país sob um mesmo posicionamento representa um desafio. “Existe uma tendência de querer mostrar tudo e, quando tentamos comunicar tudo ao mesmo tempo, acabamos não comunicando nada”, afirma.
Para Patricia, o pilar capaz de conectar essa diversidade está na maneira brasileira de se relacionar com o corpo, a pele, o autocuidado e o bem-estar.
A B-Beauty não funcionará como um catálogo aberto. As marcas serão selecionadas a partir de critérios como coerência de posicionamento, qualidade dos produtos e capacidade de representar uma nova percepção da beleza brasileira no exterior.
A plataforma também buscará empresas que já tenham maturidade para iniciar ou ampliar uma operação internacional, independentemente do porte. Entre os nomes que integram o grupo estão Laces, Adcos, GE Beauty, Herô, Paisage, Scentinela e Juicy Rio. O conjunto reúne empresas de cuidados capilares, dermocosméticos, maquiagem, perfumaria e produtos multifuncionais.
“O que queremos exportar é uma visão brasileira de beleza, construída a partir da nossa biodiversidade, da nossa criatividade e da maneira como transformamos tudo isso em inovação. É isso que pode fazer a B-Beauty ser reconhecida como uma categoria própria no cenário global.”
A atuação da B-Beauty será organizada em três frentes. A primeira será editorial, aproximando as marcas brasileiras da imprensa especializada e de formadores de opinião internacionais.
A segunda terá foco em relacionamento, com encontros voltados a compradores, distribuidores e parceiros comerciais. Já a terceira será experiencial, por meio da presença em fashion weeks, semanas de arte, eventos esportivos, pop-ups e outras plataformas culturais.
A primeira ativação internacional está prevista para a Copenhagen Fashion Week. Depois, a plataforma seguirá para Paris e Nova York, com ações voltadas à imprensa e a compradores, e para Miami, durante a Art Basel, com foco no mercado latino.
“O que vai definir a B-Beauty no exterior será a consistência da presença e a qualidade das conexões. Reputação não se constrói com uma única ação, mas com recorrência e relacionamento”, afirma.
Patricia Lima além da Simple Organic
A criação da plataforma marca uma nova etapa na trajetória de Patricia após sua saída da Simple Organic. Segundo a empreendedora, a experiência mostrou o potencial de uma marca para introduzir novos conceitos no mercado, mas também os limites de uma atuação individual.
“A Simple Organic me ensinou a construir algo do zero com propósito real, a convencer o mercado de uma ideia que ele ainda não sabe que precisa, a escalar sem perder a essência. Mas também me mostrou onde estão os limites de uma marca individual. Por maior que ela seja, uma marca sozinha não muda a percepção de um país inteiro”, comenta ela.
“Quando você constrói uma marca, você conta uma história. Quando você estrutura uma categoria, você cria o vocabulário com o qual todas as outras histórias vão ser contadas. É uma mudança de escala, mas também de papel: deixo de ser protagonista para ser articuladora”, conclui.



