Igualdade feminina avança, mas liderança ainda é desafio no mercado

No Dia da Igualdade Feminina, executivas da publicidade e de grandes marcas refletem sobre carreira, liderança e os obstáculos ainda presentes
Imagem: Magnific

Celebrado em 26 de agosto, o Dia da Igualdade Feminina reforça um debate que atravessa o mercado brasileiro: apesar dos avanços na presença das mulheres no ambiente corporativo, a equidade ainda está distante de ser uma realidade. A data foi criada nos Estados Unidos para marcar a conquista do direito ao voto feminino, estabelecido pela 19ª Emenda à Constituição americana, ratificada em 26 de agosto de 1920. Mais de um século depois, o tema da igualdade feminina se ampliou e passou a envolver questões como acesso a oportunidades, remuneração, ascensão profissional, participação em cargos de decisão, divisão do trabalho de cuidado e combate a estereótipos.

Em um setor responsável por ajudar a construir imaginários e comportamentos, como a comunicção, a discussão ganha uma dimensão que vai além das próprias empresas e chega à forma como marcas, agências e veículos representam as mulheres na sociedade. No mercado publicitário, a discussão também passa pela composição das equipes e pela maneira como as campanhas retratam as mulheres. E a liderança é um dos principais pontos dessa discussão. Embora mulheres estejam presentes em diferentes áreas das empresas de comunicação, ainda existe uma distância entre essa participação e sua presença no comando de organizações, agências e grandes áreas de negócio.

Segundo o relatório Women in Business 2026, divulgado pela empresa global de consultoria e auditoria Grant Thornton, a representação de mulheres em posições de alta gestão caiu 1,1 ponto percentual, chegando a 32,9% em 2026. Mantida a trajetória atual, de avanços tímidos e retrocessos, a pesquisa aponta que a paridade de gênero em cargos de liderança só deve ser alcançada em 2051. O Brasil ocupa a 12ª posição no ranking entre os países analisados pelo estudo. Embora tenha caído uma posição em relação a 2024, a participação feminina na alta liderança brasileira segue avançando, passando de 37% para 37,7% (acima da média global, de 32,9%).

A pesquisa Panorama Mulheres, divulgada em 2025 também mostrou que a participação feminina na alta liderança das empresas brasileiras permanece baixa e distante da equidade de gênero no mundo corporativo: apenas 17,4% das empresas brasileiras possuem lideranças femininas.

Executivas de agências trouxeram seus relatos, com exclusividade para o propmark:

“Sempre tive que provar minha capacidade num nível diferente do que se cobra dos homens, e no meu caso isso vinha somado ao julgamento pelo corpo. Teve uma reunião, por exemplo, em que o executivo simplesmente não parava de olhar para a minha barriga em vez de me ouvir. Foram anos sendo definida pelo tamanho que eu vestia, tendo que provar que aquilo não dizia nada sobre o meu potencial, profissional ou pessoalmente. Foi dessa inquietação que nasceu o B.O.D.Y. Preta Gil, amiga querida, foi quem mais me impulsionou a tirar o projeto do papel. Eu sentia falta de conversas mais profundas sobre corpo, identidade e autoestima, e ver isso virar talks, mentorias e conexão com instituições que apoiam jovens em vulnerabilidade é uma das maiores realizações da minha vida. E aos 32 anos veio o burnout. Foi duro, mas mudou tudo. Eu vivia para o trabalho e não tinha tempo pra mim nem pra minha família. Foi ali que enxerguei quem realmente estava do meu lado. Hoje sei parar, sei delegar, e vivo as coisas simples com meu marido, meu filho e minha mãe. Enfrentar o burnout foi o que me trouxe de volta pra vida.” – Ju Ferraz, sócia-diretora de negócios e marketing da Holding Clube.

Ju Ferraz, sócia-diretora de negócios e marketing da Holding Clube | Imagem: Laura Monticelli

“Se eu tiver que resumir os desafios que passei, e que vejo tantas outras líderes enfrentando, eles se dividem em momentos bem marcantes: O desafio de construir espaço em mesas que não foram feitas pra nós: No começo, e por muito tempo ao longo da carreira, o ecossistema corporativo e criativo foi dominado por visões masculinas. Um episódio marcante é aquela situação clássica de apresentar uma ideia estruturada na mesa e ver o conceito ser ignorado, até que um homem o repete cinco minutos depois usando palavras ligeiramente diferentes e ganha a sala.  Aprender a tomar a palavra, sustentar a autoria e não recuar em ambientes de alta pressão foi um divisor de águas. A constante prova de capacidade ao mudar de nível: Toda vez que você assume uma cadeira maior ou lidera uma grande transição, precisa provar duas vezes que tem a visão de negócio além do repertório criativo. Não basta ter boas ideias, é preciso mostrar o impacto cultural e financeiro delas, enfrentando desconfianças até que os resultados falem por si sós. O equilíbrio invisível: Gerenciar times gigantescos, lidar com metas agressivas e, ao mesmo tempo, equilibrar a vida pessoal e familiar. O mercado muitas vezes vende a ideia de que para ser uma líder forte você precisa ser inabalável 24 horas por dia, mas a verdadeira força tá em liderar com empatia, vulnerabilidade e autenticidade. No fim das contas, o que inspira quem inspira é justamente transformar esses atritos em combustível. A gente cria não apesar dos desafios, mas também por causa deles. Como grande desafio que tive na carreira, posso comentar sobre quando migrei para liderar times criativos em plataformas como a Meta (no Creative Shop) e, mais tarde, como Head do Creative Lab no TikTok, o desafio não foi apenas aprender uma nova linguagem, foi reeducar o próprio mercado. Entrar em ambientes onde a regra do jogo já está posta e ter a coragem de propor um modelo diferente, provando que a inovação exige desaprender o que nos trouxe até aqui.”Yuri Mussoly, CCO da YouDare.

Yuri Mussoly, CCO da YouDare | Imagem: Divulgação

Chegar à posição de diretora de contas não foi resultado de um único grande momento, mas da soma de muitos desafios, aprendizados e superações. Não aconteceu de uma hora para outra e, ao longo do caminho, enfrentei desafios que muitas mulheres ainda vivem no mercado de trabalho. Um episódio que marcou profundamente a minha carreira aconteceu há alguns anos quando eu ainda era Assistente de Contas. Participei de uma reunião em que havia diversos homens na liderança e apenas eu e a minha gestora representávamos as mulheres na mesa. O que mais me chamou atenção foi ver uma profissional extremamente competente e preparada, ser constantemente interrompida, ignorada e desrespeitada. Suas opiniões eram frequentemente sobrepostas, e muitas vezes ela sequer conseguia concluir seu raciocínio. Lembro de sair daquela reunião com uma sensação de indignação, mas também de aprendizado. Foi ali que eu entendi, na prática, por que é tão importante termos mais mulheres em posições de liderança. Não era apenas sobre ocupar uma cadeira na mesa, mas sobre garantir que diferentes vozes fossem realmente escutadas e respeitadas. Aquele momento ficou muito marcado para mim porque foi quando tomei uma decisão: eu não deixaria que ninguém me calasse. Pelo contrário. Transformei aquela experiência em motivação para me preparar cada vez mais, fortalecer minha confiança e ocupar meus espaços com segurança.
Hoje, como Diretora de Contas, carrego essa experiência como uma das grandes motivações da minha carreira. Acredito que liderar também significa abrir portas, incentivar outras mulheres a ocuparem espaços de protagonismo e contribuir para ambientes mais diversos, respeitosos e inclusivos. Neste Dia da Igualdade Feminina, celebro todas as mulheres que vieram antes de nós, aquelas que abriram caminhos muitas vezes enfrentando barreiras ainda maiores, mas também lembra a todas que ainda temos desafios importantes pela frente. Cada mulher que chega a uma posição de liderança ajuda a abrir caminho para muitas outras. E, para mim, esse é um dos aspectos mais bonitos da nossa trajetória: crescer sem esquecer de puxar outras mulheres junto com a gente.”
Bianca Chagas, diretora de contas da BR Media.

Bianca Santos, diretora de contas da BR Media | Imagem: Divulgação

“A minha grande inspiração para ter uma carreira é definitivamente a minha mãe. Ela lutou para ser a primeira geração de mulheres da nossa família que trabalhou fora de casa. Quando criança eu via o esforço da minha mãe para equilibrar o trabalho e as demandas da casa. Via que sua rotina era um tanto mais pesada do que a do meu pai, e ela pouco reclamava. Ela trabalhava por ela e por nós, e sua carreira sempre foi um orgulho para nossa família. Cresci com a certeza de que eu também queria sentir isso. Ela é advogada e eu publicitária. As inspirações são distintas, mas os desafios, mesmo com 30 anos de distância, são muito parecidos. As barreiras que mais enfrento hoje são a carga mental de liderar uma agência e estar presente para meu filho na medida que ele merece. É saber que não é possível estar em dois lugares o tempo todo e sempre contando os minutos para manter a balança equilibrada. Nesse sentido, minha mãe segue como inspiração.  É claro que mulheres do mercado publicitário me inspiram, destaco duas aqui: Janaína Reimberg, CTO da Omnicom Media e MD da Flywheel pela lente inovadora que ela coloca sobre os desafios que encontramos no dia a dia. A Janaína tem uma capacidade impressionante de aprendizado e consegue aportar valor resolvendo problemas de todas as operações do grupo. Ela é uma mulher que vale por 10 pessoas em qualquer time. Dela vem a inspiração de que podemos sempre encontrar uma forma de entregar valor para cliente e agência sem custar sangue, suor e lágrimas.  Também quero destacar aqui a Márcia Esteves, trabalhei com ela por um período em uma parceria que formamos entre nossas agências na época e dela peguei a inspiração de sempre imprimir minha personalidade em qualquer reunião, em qualquer contexto, para qualquer platéia. Marcinha não se adequa, ela está sempre lá, entregando ela mesma, que é exatamente o que todo mundo espera dela.” – Ana Luisa Perisse, managing director da Drum.

Ana Luisa Perisse, managing director da Drum | Imagem: Divulgação

“Minha trajetória profissional foi tudo menos linear, e hoje vejo que isso foi uma grande fonte de repertório. Antes de me dedicar à área de Pessoas, passei por experiências em diferentes áreas e até competi em esgrima. Cada uma dessas experiências me ensinou algo sobre pessoas, colaboração, disciplina e, principalmente, sobre mim mesma. Acho que um dos grandes desafios para as mulheres é não se sentirem pressionadas a seguir uma trajetória pronta ou a corresponder a uma expectativa externa de sucesso. A carreira é feita de escolhas, mudanças de rota e aprendizados, e muitas vezes são justamente essas experiências que ampliam nossa capacidade de liderar e criar. Também acredito que ninguém constrói uma trajetória de liderança sozinha. Ao longo da minha carreira, encontrei pessoas que abriram portas, compartilharam experiências e me ajudaram a enxergar possibilidades que talvez eu não enxergasse naquele momento. Por isso, hoje, vejo a mentoria e a troca entre mulheres como ferramentas muito poderosas. Quando criamos espaços para compartilhar repertórios, dúvidas e aprendizados, estamos também ampliando o acesso a oportunidades. E isso é especialmente importante porque ainda precisamos questionar situações que foram naturalizadas por muito tempo e garantir que mulheres com diferentes histórias e vivências tenham as mesmas condições de desenvolvimento, exposição e crescimento”Iza Herklotz, chief people officer do Publicis Groupe Brasil.

Iza Herklotz, chief people officer do Publicis Groupe Brasil | Imagem: Divulgação

“Construí minha carreira em um mercado onde poucas pessoas como eu ocupavam lugares de decisão. Por muito tempo, achei que precisava trabalhar mais, provar mais e suportar mais para permanecer nesses espaços. Até entender que excelência não deveria exigir exaustão. Igualdade, para mim, não é celebrar mulheres que sobreviveram a estruturas desiguais. É mudar essas estruturas para que a próxima mulher não precise ser extraordinariamente forte apenas para ter as mesmas oportunidades.”Deh Bastos, diretora de criação na Paim.

Deh Bastos, diretora de criação na Paim | Imagem: Divulgação

“Acho que o principal desafio para qualquer mulher, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional, é quando ela se torna mãe. Esse foi o meu maior dilema e o ponto em que percebi uma virada de chave importante na forma de encarar a vida e o trabalho. No começo, existia uma aquela sensação incômoda de incapacidade, como se fosse impossível conciliar o tempo de qualidade que eu queria ter com a minha filha e a demanda do mercado. Com o tempo, eu percebi que a maternidade me transformou em uma profissional melhor; me trouxe o exercício contínuo da empatia, uma gestão do tempo muito mais consciente e o desejo de me dedicar a ensinar, compreender e acolher os times de forma mais próxima.” – Heloisa Pupim, co-COO da Africa Creative.

Heloisa Pupim, co-COO da Africa Creative | Imagem: Divulgação

Curiosamente, quando olho para minha jornada, percebo que um dos maiores desafios foi entender, de fato, o quanto ser mulher atravessou esse caminho. Por muito tempo, eu simplesmente fui. Trabalhei, cuidei, enfrentei, resolvi, tentei dar conta. Como tantas mulheres da minha geração, aprendi cedo a seguir em frente sem necessariamente parar para entender ou questionar algumas situações que hoje reconheço como desigualdades. Já estive, por exemplo, em reuniões em que apresentei caminhos estratégicos que praticamente não repercutiu e, minutos depois, quando a mesma recomendação foi retomada por um homem, ganhou outra relevância. Na época, eu seguia. Hoje, consigo olhar para situações como essa e dar nome a elas. Talvez esse seja um dos pontos mais marcantes da minha história: a consciência sobre o que significa ser mulher, não apenas individualmente, mas coletivamente, que é relativamente recente. Durante muitos anos, associei força à capacidade de suportar, resolver e continuar. Hoje penso diferente. Força também é perceber, nomear, estabelecer limites, pedir ajuda e compreender que determinadas dificuldades não são individuais: são compartilhadas por muitas de nós. Chegar à presidência executiva da AMPRO, aos 52 anos, também me trouxe uma percepção muito importante. Num momento da vida em que muitas vezes acredita que grandes mudanças profissionais já haviam acontecido, para mim, um ciclo começou completamente novo, que me apresentou que idade não é determinante para ocupar novos espaços, mudar de direção ou descobrir outras possibilidades em nós mesmas. Mas essa consciência mais recente trouxe também uma espécie de urgência. Hoje, aos 56 anos, sinto uma responsabilidade muito grande de transformar o tempo que tenho pela frente em algo que também possa servir a outras mulheres. Quero usar a voz, a experiência e os espaços que conquistei para apoiar, inspirar e abrir caminhos. Não porque a igualdade possa depender apenas de mulheres apoiando mulheres – ela precisa estar nas estruturas, oportunidades, remuneração, respeito e liberdade de escolha, mas porque existe algo que está ao nosso alcance: não reproduzir aquilo que nos limitou. Tenho pensado muito nas mulheres que vieram antes de mim, nas que caminham comigo e as que estão começando agora. Talvez por isso entendi com o tempo, que nenhuma conquista precisa terminar em nós mesmas. Minha consciência chegou mais tarde. Mas chegou. E hoje sinto que tenho a responsabilidade de fazer alguma coisa com ela, inclusive ajudar para que outras mulheres não precisem esperar tanto tempo para reconhecer a própria força, a própria voz e o direito de ocupar os espaços que desejarem.” – Heloisa Santana, presidente executiva Ampro.

Heloisa Santana, presidente executiva Ampro | Imagem: Divulgação

Da representação à transformação

O papel das marcas também ganhou relevância nesse cenário. Ao longo dos últimos anos, campanhas passaram a abordar temas como maternidade, carreira, independência financeira, violência contra a mulher, diversidade e autonomia. A mudança representa uma evolução em relação a uma publicidade historicamente marcada por estereótipos, mas também aumenta a responsabilidade das empresas para que o discurso esteja acompanhado de práticas concretas.

Para o setor, iniciativas de equidade precisam estar presentes em diferentes etapas da cadeia: contratação, promoção, remuneração, desenvolvimento de carreira, políticas de parentalidade e composição das lideranças. A comunicação externa, nesse sentido, tende a ser mais consistente quando reflete transformações que também acontecem dentro das organizações. Outro aspecto central é a interseccionalidade. O debate sobre igualdade feminina não pode ser tratado de forma homogênea, uma vez que mulheres negras, indígenas, com deficiência, LGBTQIA+ e de diferentes classes sociais enfrentam barreiras distintas no acesso a oportunidades e posições de liderança.

Executivas de grandes marcas falam, com exclusividade ao propmark sobre os maiores desafios que enfrentaram para chegarem nesta posição:

“Um dos desafios mais importantes da minha trajetória foi aprender a lidar com mudanças de rota e a me adaptar a diferentes contextos. Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de transitar por áreas, times e estruturas diferentes, muitas vezes em movimentos que não faziam parte do meu planejamento inicial, mas que minha gestão e a empresa entendiam ser importantes tanto para o negócio quanto para a minha evolução profissional. Cada mudança exigiu aprender coisas novas, assumir responsabilidades diferentes e entregar resultados em espaços de tempo muitas vezes curtos. Isso me ensinou a confiar na minha liderança, a fazer o melhor possível em cada contexto e, principalmente, a olhar para a carreira de forma menos autocentrada, entendendo que nem todo movimento precisa fazer sentido imediatamente. Diria que é preciso ter adaptabilidade, confiar no processo e acreditar na construção de médio e longo prazo.” – Giovana Orlandeli, diretora de marketing e branding de Truss, Eudora, Vult e marcas growth.

Giovana Orlandeli, diretora de marketing e branding de Truss, Eudora, Vult e marcas growth | Imagem: Divulgação

“Minha trajetória foi marcada por muitos desafios, especialmente por ser uma mulher negra construindo uma carreira e buscando ocupar espaços de liderança. Fui a primeira pessoa da minha família a cursar o ensino superior e, desde o início, precisei construir meu caminho com muita disciplina, dedicação e propósito. Um momento que me marcou muito aconteceu quando comecei a conquistar meu espaço profissional e percebi que, mesmo com o crescimento da minha carreira e da minha condição financeira, continuava sendo tratada da mesma forma. Durante muito tempo, achei que aqueles olhares de “menos valor” estavam relacionados à minha condição financeira. Quando comecei a conquistar meu espaço e ainda assim percebi que aquilo permanecia, entendi que nunca foi sobre dinheiro, e sim sobre a cor da minha pele. Foi uma constatação difícil, mas que também me deu ainda mais força para seguir em frente. Hoje, olhando para a minha trajetória, entendo que chegar a uma posição de liderança sendo uma mulher negra é como percorrer um verdadeiro labirinto. São muitos obstáculos que nem sempre são visíveis, e por isso acredito que ocupar esses espaços também traz uma responsabilidade muito grande de abrir caminhos para outras pessoas. Uma das coisas que mais me orgulham hoje é poder olhar para trás e perceber que a minha trajetória pode mostrar para outras pessoas que esses espaços também são possíveis. Representatividade importa muito. Como gosto de citar uma frase da Viola Davis, é importante que as pessoas possam “ver uma manifestação física do seu sonho”. – Ana Clara, head de pessoas e cultura na Dengo Chocolates.

Ana Clara, head de pessoas e cultura na Dengo Chocolates | Imagem: Divulgação

“Possivelmente, um dos meus maiores desafios relacionados ao empoderamento feminino foi o lançamento do Shop2gether. Eu estava grávida, prestes a dar à luz, e não sabia o que nasceria primeiro: o negócio ou a minha filha. No fim, os dois nasceram juntos. Eu estava na mesa de parto, com o computador em cima da barriga, trabalhando. Até que a Patrícia Vieira ligou para o meu marido e disse: “Vai lá, tira as coisas da sua mulher, porque ela precisa dar à luz”. E foi ela quem me lembrou que, naquele momento, eu precisava focar no nascimento da minha segunda filha. Quinze dias depois, fui para o Rio de Janeiro fazer o lançamento oficial do site. Tivemos fashion film, desfile e a primeira loja pop-up digital da Patrícia Vieira. Eu ainda estava amamentando, precisei levar a bomba de tirar leite e, com apenas 15 dias de pós-parto e sem dormir, foi um baita desafio estar ali como mulher e como profissional. Mas acho que essa experiência traduz muito a forma como sempre conduzi minha vida: tentando fazer tudo da maneira mais natural possível, respeitando os tempos e movimentos e, principalmente, olhando para o copo meio cheio. Como costumo dizer: me dá um limão que eu faço uma limonada. E vamos nessa.” – Ana Isabel Carvalho Pinto, fundadora do Visionary e Shop2gether.

Ana Isabel Carvalho Pinto, fundadora do Visionary e Shop2gether | Imagem: Victor Affaro

“O maior desafio foi nunca deixar de acreditar em mim e que eu era capaz, mesmo quando faltavam referências ou quando estigmas eram colocados na mesa. No fim do dia, nossa essência é nossa maior potência e deve nos guiar. Lembro com muito carinho quando sai na lista de 10 executivas para se acompanhar – parecia um detalhe mas era a confirmação de que algo na minha carreira eu estava fazendo certo para estar lá, entre outras grandes mulheres que tanto admiro e acompanho.”Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo.

Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo | Imagem: Divulgação

“Um dos momentos mais transformadores da minha carreira foi quando assumi a Diretoria de Marketing de Havaianas Brasil, aos 35 anos. Uma cadeira de muita responsabilidade, com um time grande, diferentes disciplinas de Marketing e o desafio de acelerar uma transformação importante da marca. Foi uma fase de muito aprendizado. Precisei sair da minha zona de conforto, entender temas que eu não dominava tão profundamente, tomar decisões com mais velocidade e, principalmente, confiar muito nas pessoas ao meu redor. Ali eu aprendi que liderar é construir um time forte, fazer boas perguntas, dar clareza e criar confiança para que as pessoas possam fazer o seu melhor. Quando falamos em igualdade feminina, chegar a uma posição de liderança também aumenta a responsabilidade de ajudar a construir ambientes em que uma mulher não precise escolher entre continuar crescendo e viver plenamente outras fases importantes da vida. Esses ciclos existem para todos, mas ainda hoje impactam de forma muito mais direta a trajetória profissional da mulher.”Juliana Soncini, diretora de marketing LATAM da Havaianas.

Juliana Soncini, diretora de marketing LATAM da Havaianas | Imagem: Wanezza Soares

Bruna Magatti
Bruna Magatti
Editora Assistente
brunam@propmark.com.br

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