Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Sabrina Sato deixou de ser apenas um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira para se consolidar como uma das marcas pessoais mais valiosas do país. Da estreia após o ‘Big Brother Brasil’ à presença constante em campanhas publicitárias, eventos de moda, Carnaval, streaming e empreendedorismo, ela construiu uma trajetória baseada na capacidade de transitar entre diferentes universos sem perder a autenticidade. Hoje, além de apresentadora e influenciadora, Sabrina atua como empresária, participa da gestão da Sato Rahal e é sócia do camarote N1, ampliando sua atuação para além da comunicação. Em um mercado que passou a valorizar cada vez mais credibilidade, consistência e conexão genuína com o público, ela fala ao propmark sobre a construção da marca Sabrina Sato, os critérios para escolher parcerias, a visão de negócios e o papel da influência na nova economia da atenção.
Sua imagem atravessa diferentes segmentos, do entretenimento à publicidade. Como você construiu uma marca pessoal capaz de dialogar com públicos tão diversos?
Tudo aconteceu muito sem querer querendo (risos). Nunca sentei para pensar: “Vou construir uma marca pessoal”. Eu só queria realizar um monte de sonhos. E acho que deu certo justamente porque essa marca nunca foi inventada. Ela sou eu. Nunca tentei ser algo que eu não sou. Sou do mesmo jeito na televisão, nas escolas de samba, nas semanas de moda de Paris, nas ruas de São Paulo, nas redes sociais, no streaming ou em uma campanha publicitária. Claro que cada lugar pede uma linguagem diferente, mas eu sempre procurei manter minha essência, minhas raízes e minha espontaneidade. Ao longo da carreira, fui entendendo que não precisava mudar quem eu era para continuar crescendo. Precisava aprender, melhorar, ouvir mais, me reinventar… mas sem perder minha verdade. E acho que as pessoas percebem isso. Autenticidade cria identificação. Identificação cria confiança. E confiança é o que faz alguém caminhar com você por tantos anos. Também acho que tem muito da minha curiosidade. Eu adoro conhecer gente, viver experiências novas, mudar de ambiente. Enjoo de ficar sempre no mesmo lugar (risos). Talvez seja isso que faça a minha imagem conversar com públicos tão diferentes.
Quando uma empresa escolhe a Sabrina Sato como rosto de uma campanha, o que você acredita que ela está comprando além da sua visibilidade?
Espero que ela compre alguém que realmente acredita no que está fazendo (risos). Porque alcance hoje muita gente tem. O difícil é construir uma relação de confiança. Quando faço uma campanha, nunca penso só em divulgar um produto. Eu penso: “Será que eu indicaria isso para uma amiga? Será que isso combina com a minha vida?” Se não fizer sentido para mim, dificilmente vai fazer sentido para quem me acompanha. No fim, acho que as marcas procuram isso, alguém que empreste muito mais do que imagem. Que empreste credibilidade, verdade e uma relação construída ao longo de muitos anos com o público.
Em que momento da carreira você percebeu que seu nome havia deixado de representar apenas uma apresentadora para se tornar uma marca?
Foi muito cedo. E muito engraçado. Quando saí do ‘BBB’, em 2003, eu ainda nem imaginava que seria apresentadora. Eu só queria trabalhar. E, de repente, já tinha boneca minha da Estrela, linha de meias coloridas, lingerie… tinha de tudo. Eu olhava aquilo e pensava: “Gente… o que está acontecendo?” (risos). Ali eu percebi que as pessoas não estavam se conectando só com alguém que tinha passado por um reality. Elas estavam se conectando comigo, com o meu jeito de ser. Foi aí que minha irmã Karina e meu irmão Karin tiveram uma visão muito importante. A gente criou a Sato Rahal e começou a entender que carreira também é gestão, reputação e visão de longo prazo. Hoje, vejo que uma marca pessoal não é construída em um grande momento. Ela é construída todos os dias. Nas escolhas que você faz, nas relações que constrói, nas parcerias que aceita e, principalmente, na confiança que leva anos para conquistar.
Existe uma estratégia consciente por trás das parcerias que você aceita ou a identificação com os projetos acontece de forma mais intuitiva?
Tem um pouco dos dois. Antes de aceitar qualquer projeto, procuro entender se aquela marca conversa com os meus valores, com o momento que estou vivendo e com o que realmente faz sentido para a minha vida. Quando essa conexão existe, tudo acontece de forma muito mais natural. Não preciso interpretar um papel. A comunicação flui e o público percebe quando existe verdade.
O que significou ser escolhida para protagonizar a contagem regressiva da Copa do Mundo Feminina de 2027? Por que você acredita que sua imagem faz sentido para uma campanha ligada ao maior evento do futebol feminino?
Foi uma honra enorme. Eu sou apaixonada por esporte desde criança. Cresci fazendo ginástica olímpica, balé, vôlei, natação… então ver a Copa do Mundo Feminina acontecendo no Brasil mexe comigo de um jeito muito especial. A Copa representa muito mais do que futebol. Ela fala de representatividade, oportunidades e transformação. Acho que minha trajetória sempre teve um pouco disso… ocupar lugares onde, muitas vezes, ninguém imaginava que eu estaria. E abrir espaço para que outras mulheres também ocupem. Poder fazer parte desse momento histórico é uma alegria e uma responsabilidade muito grandes.
Você também é sócia do camarote N1. Como essa experiência amplia sua visão sobre campanhas, entretenimento e relacionamento entre marcas e creators?
Na verdade, essa visão de negócio sempre fez parte da minha carreira. Quando saí do ‘Big Brother’, minha família entendeu que era importante estruturar minha carreira desde o começo. Minha irmã e meu irmão passaram a cuidar dessa construção comigo e foi assim que nasceu a Sato Rahal, que hoje cuida e planeja a carreira de mais de 25 artistas e influenciadores. Enquanto eu vivia tudo aquilo, eles também estavam olhando para a estratégia, para o negócio e para o futuro. Sempre participei muito das decisões. Gosto de entender o negócio, pensar no longo prazo e construir relações. A sociedade no N1 veio de forma muito natural. Minha relação com eles existe há mais de 13 anos, desde a época do Camarote Brahma. A gente construiu muitos projetos juntos e sempre houve muita troca e confiança. Virar sócia foi quase uma consequência dessa história. É uma oportunidade de contribuir não só como criadora de conteúdo, mas também com uma visão de negócios em um universo que faz parte da minha vida há mais de 20 anos: o Carnaval.
O que motivou sua decisão de entrar no negócio como empreendedora, e não apenas como embaixadora ou influenciadora?
Foi muito natural, como quase tudo na minha vida. Minha relação com o N1 e com os sócios já existia há muitos anos. Ao longo desse tempo, construímos inúmeros projetos juntos e sempre foi uma parceria baseada em confiança, troca de ideias e construção coletiva. Muitas vezes eu brincava que já me sentia parte da equipe (risos). Quando surgiu o convite para me tornar sócia, pareceu apenas o próximo passo de uma história que já vinha sendo construída há muito tempo.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 31 agosto.




