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“Uma decisão importante foi não ficar dependente de um único meio”, diz Adriane Galisteu

A apresentadora fala ao propmark sobre credibilidade, publicidade, influência e os desafios de construir uma marca pessoal sem perder a própria essência
Imagem: Divulgação

Ao longo de décadas, Adriane Galisteu fez da reinvenção uma parte essencial de sua trajetória. Da televisão à moda, da publicidade às redes sociais, ela acompanhou (e também protagonizou) as transformações na maneira de produzir, consumir e compartilhar entretenimento. À frente de A Fazenda, reality show da Record, aprendeu a lidar com a imprevisibilidade do ao vivo e com uma audiência que participa da narrativa, dentro e fora da tela. Nesta entrevista, Galisteu fala sobre credibilidade, publicidade, influência e os desafios de construir uma marca pessoal sem perder a própria essência. Também reflete sobre o futuro da televisão, o impacto das novas plataformas, IA e os caminhos que pretende explorar, sem abrir mão de uma ideia que atravessa toda a sua carreira: continuar mudando, sem deixar de ser quem é.

Você atravessou diferentes gerações da televisão brasileira. Qual foi a principal transformação que precisou fazer em si mesma para continuar relevante? Existiu um ‘divisor de águas’?
A principal transformação foi entender que não podia ter medo de mudar. A televisão mudou, o público mudou, a forma de consumir conteúdo mudou e também precisei mudar junto. Mas, existe uma diferença entre se transformar e deixar de ser quem você é. Entende? Sempre tive muito claro o que faz parte da minha essência, não sei se consigo apontar um único divisor de águas, minha carreira foi feita de muitos recomeços, teve momentos em que precisei me reinventar, sair de um lugar confortável e começar de novo. E foi justamente isso que me manteve curiosa e disponível, nunca tive vergonha de aprender uma linguagem nova, ocupar outro espaço ou conversar com uma geração diferente da minha.

Você já tem muitos anos de experiência à frente do programa. O que A Fazenda ensinou sobre televisão que você não aprenderia em nenhum outro formato?
A Fazenda me ensinou, acima de tudo, sobre imprevisibilidade, o reality não espera que você esteja pronta, as coisas estão acontecendo ali, ao vivo, e você precisa entender rapidamente o clima da casa, o sentimento do público e o que aquele momento pede. É um formato que exige muita escuta e muita presença. Você tem roteiro, tem dinâmica, tem uma equipe enorme por trás, mas os participantes são pessoas reais e ninguém sabe exatamente como eles vão reagir. Nenhum outro formato me ensinou tanto a confiar no meu repertório e no meu instinto.

Existe uma diferença entre apresentar um reality hoje e apresentar televisão ao vivo alguns anos atrás? O que mudou mais: a TV ou o público?
Os dois mudaram muito, antes, a televisão terminava quando o programa acabava. Hoje ela continua no celular, nos grupos, nas redes sociais, nos memes, nos comentários. A pessoa assiste e, ao mesmo tempo, comenta, pesquisa, discute e cria conteúdo sobre aquilo. Então, o apresentador também precisa entender que está conversando com uma audiência muito mais ativa. O público não quer apenas receber a informação, ele quer participar. A televisão percebeu isso e também se transformou. Hoje, quando um programa consegue atravessar a tela e ocupar outras plataformas, ele se torna ainda mais forte e um sucesso. E A Fazenda tem isso porque ele vai além da televisão.

Como você enxerga o potencial do reality para as marcas? O que A Fazenda oferece aos anunciantes que uma mídia tradicional não consegue entregar da mesma maneira?
O reality tem uma coisa muito poderosa, que é conversar com o público diariamente. E quando isso é bem construído, o público comenta a ação, os participantes reagem, aquilo vira assunto nas redes e ganha uma vida muito maior. O programa tem uma audiência extremamente envolvida. É um público que acompanha histórias, cria torcida, discute estratégias e fala do programa o tempo inteiro. Para uma marca, entrar dentro de uma conversa que já é tão viva é super potente e tem ainda um ponto muito especial: dentro do programa, as marcas estão muito ligadas aos momentos de comemoração, diversão e alto astral. Elas participam das festas, das conquistas e de situações que geram emoção e entretenimento. Isso cria uma associação positiva e afetiva com o público, algo que uma inserção tradicional dificilmente consegue construir da mesma maneira.

Qual é o papel do apresentador nessa relação entre programa, audiência e anunciante? Até onde uma personalidade pode potencializar uma ação de marca?
O apresentador funciona um pouco como essa ponte. Você já tem uma relação construída com o público, então quando apresenta alguma coisa precisa fazer isso de uma maneira que seja natural dentro da sua linguagem. Sempre fui muito criteriosa com publicidade porque emprestar seu nome para uma marca também é emprestar a confiança que você construiu ao longo de muitos anos. Quando existe verdade nesta relação, a personalidade consegue potencializar muito uma campanha, porque não é somente alcançável, existe identificação, memória e credibilidade. Para mim, a melhor publicidade é aquela em que as pessoas conseguem perceber que aquela marca poderia realmente fazer parte da minha vida.

O público de realities está cada vez mais participativo e influencia diretamente as conversas sobre os participantes. Até que ponto a reação das redes sociais interfere na maneira como você apresenta o programa?
Acompanho muito o que acontece nas redes sociais porque elas funcionam quase como um termômetro instantâneo. Você percebe quem está movimentando a conversa, o que gerou indignação, torcida, humor. Mas, existe um limite muito claro, não posso apresentar o programa guiada pela torcida da internet. Meu papel é conduzir o jogo e fazer as perguntas necessárias, independentemente de quem o público está amando ou odiando naquele momento. As redes ajudam a entender a temperatura, mas não podem tirar a minha imparcialidade como apresentadora. Sempre falo: Me considero um árbitro em campo literalmente (risos).

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 05 de outubro.

Bruna Magatti
Bruna Magatti
Editora Assistente
brunam@propmark.com.br

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