O chief brand & creative officer da Squarespace disse que o senso crítico é a habilidade mais valiosa do futuro

David Lee, chief brand & creative officer da Squarespace, abriu os painéis desta quarta-feira (20), no D&AD, realizado em Londres. O criativo afirmou estar cauteloso e ao mesmo otimista sobre o futuro. Ele lembrou que em um mundo onde ser inteligente costumava ser a moeda, como fazer agora se a inteligência está completamente democratizada? Questionando quais são as habilidades do futuro, Lee destacou que a criatividade é, na verdade, a única opção que resta.

Para ele, todas as pessoas são criativas e haverá uma nova onda de inovação e coisas boas. “Nós só temos que nos juntar, vai ser turbulento, vai ser volátil, mas eu acho que nós vamos ter um pouco de diversão no caminho”.

Sob a apresentação ‘Creativity is the only job left’, Lee chamou a atenção para a qualidade do ensino superior. Para ele, o que as pessoas estão aprendendo hoje não é exatamente o que deveria ser. “Provavelmente, todo mundo vai dizer que é vital que seus filhos aprendam a programar. E, na verdade, é quase exatamente o contrário. É nosso trabalho criar tecnologias de computação de tal forma que ninguém tenha que programar. Eu acho que o senso crítico, a criatividade, a habilidade de descobrir o que outras pessoas querem, a habilidade de ter novas ideias, é, em algum sentido, a habilidade mais valiosa do futuro”.

O chief brand & creative officer da Squarespace ressaltou que, em sua opinião, criatividade é sobre encontrar uma ideia única e a solução para um problema realmente complexo. “É realmente sobre pegar coisas contraditórias que não deveriam estar juntas e colocar um fio conectado ao redor. E, uma vez que você encontra um conjunto único de coisas que não deveriam estar juntas, há uma nova ideia. E esse é um processo interessante para as pessoas que não estão treinadas como muitos de nós aqui”, destacou ele.

Lee destacou o case da Squarespace ‘emmastone.com is unavailable’, que se tornou viral, lembrando que eles partiram de um caso real. “Nós temos a oportunidade de ser um dos maiores provadores de domínios no mundo. Então, nós pensamos, qual é o caminho da bala de prata para dizer ao mundo que nós estamos aqui? E nós queríamos dar um sentido de urgência também para as pessoas que queriam ter seus domínios. Nós transformamos a história verdadeira de Emma em um filme”, contou ele, acrescentando que na Squarespace a criação é in-house.

O criativo ressaltou que não basta a ideia ser boa, é preciso saber vendê-la também. “Você tem que aprender como vender suas ideias. Não sei quantas vezes eu vi as melhores ideias do mundo deixadas na mesa não porque não eram boas, mas simplesmente porque a pessoa não conseguiu contar uma história para convencer as outras pessoas que aquela era a melhor ideia”, observou ele.

Lee também trouxe para sua apresentação a tendência de valorização da volta do analógico. Para ele, a arte humana vai ser o novo luxo no mundo. E lembrou como a geração Z procura por algo que não viveu em busca do analógico. “Eles não querem streaming, querem telefones conectados, querem carros antigos, fones com fios, por exemplo”.

“Em uma empresa tecnológica como a Squarespace, nós estamos a todo momento tentando encontrar maneiras de garantir que há sempre uma intervenção humana”, completou ele, que é reconhecido no Hall of Fame da Adweek e no Fast Company Most Creative, por exemplo.

David Lee: "A arte humana vai ser o novo luxo no mundo"