A explicação da designer da Nike para a expressão “vai, Brasa” na nova camisa e meiões da Seleção brasileira é, para dizer o mínimo e sem ofendê-la, surreal.

Segundo ela, ouvimos “vai, Brasa” quando o Brasil entra em campo nos estádios. Então usar esse grito de torcida na vestimenta seria uma forma de reaproximar a Seleção do seu próprio povo.

Só se for das pessoas que se consideram mais progressistas e que criaram aversão à camisa canarinha depois que ela passou a ser utilizada pela Direita em suas manifestações Brasil afora.

A camisa da Seleção brasileira não pertence à Direita e nem à Esquerda. Pertence a todos nós brasileiros independentemente do viés político.

Mas é inegável que ela ficou como símbolo da Direita, muito por culpa da própria Esquerda que reforça esse estigma ao não a utilizar em suas manifestações políticas.

Só que nem isso justifica o uso de uma premissa inventada a fórceps (de que falamos “vai, Brasa” nos jogos) a fim de tornar a camisa, digamos assim, mais simpática a quem não se vê representado por ela.

“Vai, Brasa” nunca foi dito nos estádios de futebol. A bem da verdade nem sei de onde tiraram essa expressão.

Outra demonstração de que a designer brasileira da Nike vive deslocada da realidade do seu próprio país de origem foi o uso do símbolo do Michael Jordan na camisa nº 2, a azul, ou a homenagem à capoeira nos calções.

Tudo muito bem explicado no vídeo dela que viralizou esta semana. Tão bem explicado que não restou nenhuma dúvida do quanto ela nada conhece do sentimento de quem gosta de futebol.

Ouso duvidar que algum dia ela foi a uma partida de futebol.

Ainda bem que o presidente da CBF viu que pegou mal e declarou que não vai ter “vai, Brasa” na Copa do Mundo. Nem na camisa e nem nos meiões. Ufa!

Tiago Ferrentini é publisher do propmark