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“A Amazônia passa a ser apresentada como território de inovação”, diz Arnaldo Bastos, da FutureBrand São Paulo

CDO e sócio-diretor fala sobre os desafios e os próximos passos da iniciativa que criou a primeira marca unificada e oficial da Amazônia Legal Brasileira
Arnaldo Bastos, sócio-diretor da FutureBrand: “O projeto busca ir além da comunicação” | Imagem: Gabriela Queiro/Divulgação

CDO e sócio-diretor da FutureBrand São Paulo, Arnaldo Bastos esteve à frente do projeto que criou a primeira marca unificada e oficial da Amazônia Legal Brasileira, transformando as curvas de rios da região, identificadas por imagens de satélite, em uma tipografia viva. O case ganhou três Leões de Prata no Cannes Lions 2026. “A Amazônia deixa de ser comunicada apenas a partir de seus desafios ambientais e passa a ser apresentada também como território de inovação e cultura”. A seguir, ele fala sobre os desafios e os próximos passos da iniciativa, que furou a bolha do design.

Nova marca da Amazônia
O insight nasceu das próprias coordenadas de satélite do território. Partimos da premissa de que a natureza deveria ser a verdadeira autora da identidade visual. A partir de imagens de satélite, mapeamos 25 mil quilômetros de rios e seus afluentes para identificar e extrair as curvas que deram origem ao alfabeto tipográfico completo do projeto. Os rios foram escolhidos como fio condutor porque são a infraestrutura viva da Amazônia, os caminhos por onde circulam pessoas, produtos e histórias e as verdadeiras estradas que conectam os habitantes da floresta no dia a dia. A tipografia, portanto, não representa a Amazônia: ela nasce literalmente dela.

O case
É a criação da primeira marca unificada e oficial da Amazônia Legal Brasileira. O projeto transforma as curvas de rios reais, identificadas por imagens de satélite, em uma tipografia viva e em um sistema de identidade que pode ser apropriado e reinterpretado pelos diferentes territórios da região. Construído de forma cocriativa, com a participação de talentos locais, o projeto busca ir além da comunicação e contribuir para estruturar um ecossistema capaz de fortalecer a bioeconomia, o turismo sustentável e os negócios originados na Amazônia.

Briefing
O projeto foi desenvolvido para a Embratur e para a RAI (Rotas Amazônicas Integradas). O principal desafio era enfrentar a fragmentação histórica na forma como os nove estados da Amazônia Legal se posicionavam e eram divulgados, criando uma identidade comum, sólida e consistente. O objetivo era posicionar a região globalmente como um dos grandes destinos de viagem do mundo, estimulando o turismo sustentável, atraindo investimentos e, principalmente, valorizando as pessoas, os conhecimentos e as comunidades que vivem no território.

Leões
A FutureBrand conquistou três Leões de Prata no Cannes Lions 2026 nas categorias Design, Industry Craft e Digital Craft. É um reconhecimento importante porque o projeto foi premiado não apenas pela ideia, mas também pela qualidade de sua execução em diferentes disciplinas do design. Conquistar três Leões de Prata em disciplinas diferentes é especialmente significativo porque reconhece simultaneamente a ideia, o desenho do sistema e a qualidade de execução. O prêmio amplia a visibilidade do projeto com tomadores de decisão e CMOs, e pode abrir conversas com empresas e parceiros interessados na região. Nosso objetivo é que, ao longo do tempo, essa visibilidade ajude a gerar oportunidades para produtos, serviços e iniciativas amazônicas. A marca é uma ferramenta dentro desse processo, não a solução em si.

Bolha
Furar a bolha do design significa ampliar o papel do design. Em vez de enxergá-lo apenas como uma ferramenta estética ou como a criação de um logotipo, queremos que ele possa atuar como um motor de negócios, capaz de organizar ecossistemas, criar conexões e gerar novas possibilidades econômicas. No caso da Amazônia, isso significa usar a marca para aproximar produtores, empresas, consumidores e investidores e criar fluxos que ajudem a fazer com que os recursos gerados permaneçam no território e contribuam para a preservação ambiental e para a renda das famílias locais.

Várias mãos
A cocriação foi uma premissa fundamental do projeto. Não faria sentido construir uma marca sobre a Amazônia sem envolver pessoas que vivem e produzem cultura, conhecimento e arte na região. O projeto contou com pesquisas de percepção realizadas pelo instituto paraense Assobio e teve seu repertório visual ampliado pela participação dos ilustradores Cristo, Winy Tapajós, Malu Menezes, Beatriz Belo e Rogério Pedro. A fotografia trouxe o olhar dos nortistas Ori Junior, Bob Menezes e Thiago Pelaes, enquanto Odir Abreu, do Instituto Letras que Flutuam, colaborou no lettering e a produtora paraense Marahu realizou o filme do case.

Marca viva
O ponto central para garantir consistência sem engessar o projeto foi trabalhar com o conceito de uma marca viva. Em vez de estabelecer regras visuais rígidas para todas as aplicações, criamos um sistema que combina princípios comuns com liberdade de interpretação. Cores, grafismos e ilustrações podem se transformar de acordo com as características, a fauna, a flora e a cultura de cada um dos nove estados. Assim, a consistência não vem da repetição, mas de um sistema que permite diferentes expressões. O controle deixa de ser centralizado e passa a existir uma autonomia maior para que os próprios territórios se apropriem da marca.

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 05 de outubro.

Kelly Dores
Kelly Dores
Editora-chefe
kelly@propmark.com.br

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