No último domingo (16), duas grandes redes varejistas apresentaram pedidos de recuperação judicial. O Grupo Casas Bahia recorreu à Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas, enquanto a Marabraz busca reorganizar um passivo de aproximadamente R$ 140 milhões.
O pedido do Grupo Casas Bahia abrange a companhia e outras nove empresas. A medida foi aprovada pelo conselho de administração e pelo acionista controlador, mas ainda deverá ser ratificada em assembleia geral extraordinária, por ter sido apresentada em caráter de urgência.
Segundo a companhia, as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda permanecerão em atividade durante o processo.
Antes do pedido, porém, o grupo iniciou uma nova rodada de cortes em agosto, com a demissão de aproximadamente três mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. A companhia emprega atualmente mais de 20 mil pessoas e sustenta que a recuperação judicial permitirá proteger os postos de trabalho remanescentes e manter as atividades.
O anúncio ocorreu junto à divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Entre abril e junho, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões. Desse total, R$ 9,1 bilhões correspondem a ajustes extraordinários e despesas relacionadas à reestruturação, sem efeito imediato sobre o caixa.
Em 2023, o grupo já havia iniciado um processo de reestruturação. Na primeira fase, fechou 55 lojas consideradas deficitárias e eliminou cerca de 8,6 mil postos de trabalho. No ano seguinte, a Casas Bahia recorreu a uma recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
Outras varejistas: Marabraz entra com pedido e Americanas aguarda saída
Também no último fim de semana, a Marabraz apresentou um pedido de recuperação judicial à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A rede de móveis e eletrodomésticos pretende renegociar aproximadamente R$ 140 milhões em dívidas e informou que suas lojas permanecerão abertas durante o processo.
O pedido reúne cinco empresas, sendo: Comercial de Móveis Jordanésia, S.V.C. Jaraguá Comercial, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis e Monta Móveis Prestadora de Serviços.
A empresa relacionou a crise financeira às dificuldades enfrentadas pelo varejo, à restrição de crédito e a disputas societárias e familiares.
A Americanas é outro caso recente de grande varejista que recorreu à recuperação judicial. O processo teve início em janeiro de 2023, oito dias depois de a companhia divulgar inconsistências contábeis estimadas inicialmente em R$ 20 bilhões. Posteriormente, a empresa identificou dívidas superiores a R$ 40 bilhões.
Em março deste ano, a varejista solicitou à Justiça o encerramento antecipado da recuperação judicial, alegando ter cumprido integralmente as obrigações previstas no plano. O pedido recebeu pareceres favoráveis do Ministério Público e do administrador judicial, mas ainda aguarda decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
Em junho, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Disclosure para investigar possíveis irregularidades ligadas à fraude contábil revelada em 2023. A Americanas declarou que não foi alvo de mandados de busca e apreensão e que continuará colaborando com as investigações.



