A Vara da Infância e da Juventude do Foro Regional do Tatuapé determinou a suspensão imediata dos efeitos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e empresas responsáveis por uma plataforma on-line de conteúdo adulto, no que se refere à exposição, divulgação ou promoção da marca.
A liminar estabelece prazo de 15 dias para a retirada ou cobertura da marca nos uniformes, espaços esportivos, canais digitais e outras áreas do clube. Também determina a remoção de links que direcionem à plataforma nos canais digitais do Corinthians.
A decisão atinge, assim, diferentes pontos de exposição publicitária previstos na parceria. A suspensão se refere à divulgação do patrocinador, sem que o material divulgado informe outras consequências para o contrato.
A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo. Ao conceder a liminar, a Vara destacou que a publicidade da plataforma alcança um público expressivo de crianças e adolescentes.
Segundo a decisão, a presença da divulgação em diversos meios do clube configura perigo de dano, diante do risco à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento sadio desse público.
A liminar também determina a adoção de mecanismos eficazes de verificação de idade para restringir o acesso de crianças e adolescentes aos conteúdos do site patrocinador. O processo tramita sob segredo de justiça.
Relembre: Clube enfrenta críticas por patrocínio da Fatal Fans
O contrato entre Corinthians e Fatal Fans prevê o pagamento de R$ 22 milhões ao clube até o fim de 2027. A marca é exibida nos uniformes das equipes masculinas de futebol, futsal e basquete. No futebol feminino, o espaço é destinado à campanha ‘Respeita as Minas’, de enfrentamento à violência contra a mulher.
Desde o anúncio, a parceria motivou um abaixo-assinado com quase 70 mil assinaturas e iniciativas no Legislativo. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, a deputada estadual Marina Helou (PSB) protocolou o Projeto de Lei nº 739/2026, que restringe a publicidade e o patrocínio de plataformas de conteúdo adulto e serviços associados em espaços públicos ou concedidos pelo estado.
Em meio à repercussão, Corinthians e Fatal Fans também lançaram um portal ligado à campanha ‘Respeita as Minas’. A página reúne informações sobre canais de denúncia e serviços de atendimento a mulheres em situação de violência.
Ainda em agosto de ano, circulou no mercado a notícia de que outro patrocinador estava pressionando o clube. Segundo apuração da jornalista Lívia Camillo, do Sport Insider, a Nike notificou o Corinthians para pedir esclarecimentos sobre o patrocínio. A fornecedora teria demonstrado desconforto com a presença da Fatal Fans no calção da equipe masculina e formalizado os questionamentos por e-mail ao departamento de marketing do clube.
O contrato entre Nike e Corinthians contém uma cláusula que permite à empresa vetar patrocinadores ligados a segmentos como bebidas alcoólicas destiladas, tabaco e produtos considerados nocivos à saúde. Para outros setores, a fornecedora também pode se opor a marcas que considerar, de boa-fé, incompatíveis com a Nike.
Ao Sport Insider, o Corinthians afirmou que consultou patrocinadores e parceiros antes de fechar o acordo e que não recebeu oposição. Pessoas próximas à administração do clube, porém, disseram ao veículo que alternativas estariam sendo avaliadas para reduzir o desgaste, como diminuir o tamanho do logotipo no calção ou transferir a exposição para outras propriedades comerciais.
Procurada pelo propmark, via assessoria de imprensa, a Nike não respondeu até o fim da reportagem



