Especialista da ActiveCampaign aponta práticas que marcas e empresas precisam rever
Em um ambiente de marketing cada vez mais marcado por inteligência artificial, automação e novos modelos de consumo, entender o que deixar de fazer pode ser tão relevante quanto identificar as tendências emergentes. Essa é a avaliação de Rodrigo Bidinoto, diretor global de vendas da ActiveCampaign, ao listar oito contratendências que devem orientar decisões estratégicas das marcas em 2026.
“A evolução da Inteligência Artificial é um mistério, pois ninguém sabe para onde isso nos levará e qual será o comportamento e os resultados que poderão ser alcançados. Por isso, saber as anti-trends é um diferencial competitivo em um cenário de incertezas e novas descobertas”, afirma o executivo.
Adoção de IA sem estratégia
Segundo Bidinoto, o uso de inteligência artificial sem conhecimento técnico ou objetivos claros não gera inovação e pode amplificar erros. Ferramentas avançadas exigem governança, integração com o negócio e direcionamento estratégico.
“A IA vai liderar as novas estratégias do marketing nos próximos anos, porém, o grande desafio atualmente é saber quando não utilizá-la”, ressalta.
Visão simplista da omnicanalidade
Tratar todos os canais como se tivessem a mesma função é um erro recorrente. Para o executivo, canais de conversão, suporte e relacionamento exigem dinâmicas distintas.
“Ignorar essas diferenças resulta em experiências fragmentadas, baixa eficiência operacional e desgaste na relação com o consumidor, comprometendo a fidelização a longo prazo.”
Manutenção de dados em silos
A falta de integração entre dados de marketing, vendas e atendimento compromete a visão da jornada do cliente e dificulta ações de fidelização e personalização.
“No marketing digital, essa fragmentação gera campanhas desconectadas, abordagens repetitivas e uma experiência inconsistente, que enfraquece o relacionamento com clientes recorrentes e reduz o potencial de retenção e crescimento sustentável”, defende.
SEO não é mais suficiente
Com a crescente mediação da descoberta de conteúdo por Large Language Models (LLMs), a lógica baseada apenas em palavras-chave perde espaço. Segundo Bidinoto, o foco passa a ser a relevância atribuída por sistemas inteligentes.
“Não se trata mais de ranquear bem, mas de ser compreendido, citado e recomendado por sistemas inteligentes”, explica, ao mencionar o avanço do conceito de Generative Engine Optimization (GEO).
Marketing pouco interativo e sem dados
Ignorar dados ou utilizá-los de forma superficial compromete a eficácia das estratégias. Sem análises consistentes de comportamento e performance, decisões passam a ser baseadas em suposições.
“Mais do que adotar tendências, o desafio para 2026 está em evitar práticas que já não fazem sentido”, conta o executivo.
Métricas de vaidade
Focar exclusivamente em indicadores como curtidas, visualizações e número de seguidores pode gerar uma percepção distorcida de sucesso.
“Quando decisões estratégicas são baseadas em métricas de vaidade, campanhas podem parecer bem-sucedidas no curto prazo, mas falhar na conversão e no impacto real no negócio”, diz.
Automação sem segmentação
A automação perde eficácia quando aplicada de forma genérica, sem considerar perfil, comportamento e estágio da jornada do cliente.
“Disparos massivos, fluxos padronizados e mensagens sem personalização resultam em baixa taxa de abertura, descadastramentos, desgaste da marca e piora na entregabilidade de emails”, alerta.
Growth hacking focado apenas em crescimento
Por fim, Bidinoto aponta que estratégias de crescimento desconectadas de sustentabilidade priorizam números rápidos em detrimento da construção de valor.
“No marketing digital, crescimento saudável está diretamente ligado à fidelização, ao lifetime value e à consistência da experiência entregue ao longo do tempo”, conclui.
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