A lógica do menos é mais chegou às redes sociais. Em meio a um cenário crescente de medidas regulatórias que buscam reduzir o acesso de crianças e adolescentes a plataformas digitais em vários países - em dezembro de 2025, a Austrália passou a proibir o ingresso a menores de 16 anos -, o que se vê hoje é uma parte da geração alpha e os mais jovens da geração Z postando cada vez menos conteúdo em seus perfis.
No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, aprovado em 2025 e com vigência a partir de março de 2026, reforça a responsabilização das plataformas, exige mecanismos mais robustos de verificação etária e determina que contas de usuários adolescentes estejam vinculadas a responsáveis legais.
Jovens ouvidos pela repórter Bruna Nunes, que assina matéria especial nesta edição, relatam razões como incômodo com a estética nas fotos e pressão por likes em seus posts, o que acaba gerando ansiedade e afetando a autoestima, para interagirem menos. A sensação de superexposição e de serem observados constantemente também levou ao novo comportamento.
A consequência desse movimento é que muitos jovens começaram a restringir o público que consegue visualizar os posts ou adotar perfis paralelos e fechados. E isso muda muita coisa para marcas que querem se conectar com esse público. A conversa passa a ser mais sobre atenção e conexão real, e menos sobre volume, repetição e alcance.
Para Flávio Santos, CEO da MField, a tendência precisa ser interpretada menos como ruptura e mais como um amadurecimento do ecossistema. “Caso postar menos vire padrão, marcas e agências terão de ser mais inteligentes: escolher melhor os momentos, os formatos e os creators certos”, diz Santos. Ele observa que isso desloca o foco para métricas de impacto real, como atenção, relevância cultural e afinidade com a audiência, o que, no fundo, profissionaliza o mercado.
Diante da pressão por maior segurança digital para crianças e adolescentes, as plataformas adotaram medidas para restringir o tempo de navegação desse usuário, por exemplo, dentro de uma lógica mais consciente de uso ou criando contas com filtros de conteúdo sensível e ferramentas de supervisão parental.
Especialistas avaliam que as marcas têm a oportunidade de inovar dentro desse cenário, ampliando eventos offline e esportivos para esse público, tendo em vista o fomento da saúde mental desses jovens.
Por falar em eventos ao ar livre, começa no próximo sábado (14) a maior festa popular brasileira. Cada vez mais fragmentado em vários pontos de contato, seja em blocos de rua, festas privadas ou em desfiles das escolas de samba, o Carnaval exige das empresas estratégias mais complexas e distribuídas.
Reportagem mostra as principais ações de marcas e números do evento que não para de crescer. Projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que o Carnaval 2026 deve movimentar R$ 14,48 bilhões em turismo, alta de 3,8% em relação a 2025.
Do lado da mídia, levantamento da JCDecaux e Offerwise indica que, durante a folia, a atenção do público se concentra no ambiente digital (96%), seguido pela publicidade nas ruas (68%), que supera a TV aberta e por assinatura (66%). A cobertura multitela das emissoras, que montaram operações robustas, também vai prevalecer neste ano.
Vale lembrar que o propmark não circula na semana de Carnaval, em 16 de fevereiro, e volta no dia 23.
Frase: “Se você quer algo novo, você precisa parar de fazer algo velho”
(Peter Drucker).
Armando Ferrentini é publisher do propmark