Estudo da Adobe Acrobat aponta que, apesar do interesse elevado, pequenas e médias empresas enfrentam desafios para transformar intenção em uso efetivo da tecnologia

Um estudo comparativo da da Adobe Acrobat sobre a adoção de inteligência artificial entre pequenas e médias empresas revela um cenário de contraste na América Latina. Embora Brasil e demais países da região apresentem forte interesse e otimismo em relação à tecnologia, o nível de maturidade digital ainda fica aquém do observado nos Estados Unidos. O estudo foi desenvolvido a partir de fontes públicas e pesquisas internacionais, incluindo dados do Cetic.br, IBGE, BID, Microsoft, Google/Ipsos e U.S. Census Bureau.

De acordo com o levantamento, o Brasil exemplifica esse descompasso: apenas cerca de 13% das PMEs utilizam inteligência artificial de forma consistente em suas operações, enquanto aproximadamente 75% demonstram intenção de adotar a tecnologia ou já reconhecem seu impacto positivo nos negócios. O dado evidencia que o principal entrave não está na percepção de valor, mas na capacidade de implementação.

Esse padrão se repete em outros mercados latino-americanos, como Chile, México e Colômbia, que registram índices de adoção ligeiramente superiores, mas ainda distantes dos níveis observados em economias mais maduras. Na prática, o uso da IA na região permanece concentrado em aplicações pontuais, como automação de processos, marketing e análise de dados.

Nos Estados Unidos, por outro lado, a tecnologia já está mais integrada ao cotidiano das empresas. O estudo aponta maior disseminação da IA entre as PMEs, acompanhada de estratégias estruturadas e incorporação efetiva aos processos de negócio, o que reduz significativamente a distância entre intenção e uso real.

No Brasil, apenas cerca de 13% das PMEs utilizam inteligência artificial de forma consistente em suas operações, enquanto aproximadamente 75% demonstram intenção de adotar a tecnologia ou já reconhecem seu impacto positivo nos negócios (Imagem: Freepik)

A análise se baseia em um índice sintético de maturidade, que considera fatores como adoção atual, intenção de uso, percepção de impacto e presença de estratégias formais. Nesse ranking, os Estados Unidos aparecem em estágio avançado, enquanto a América Latina ocupa uma posição intermediária — com o Brasil próximo à média regional, mas ainda em nível intermediário-baixo.

Entre os principais desafios para o avanço da IA na região estão questões estruturais, como capacitação técnica, governança, investimento e o próprio grau de maturidade digital das empresas. Sem iniciativas coordenadas, como políticas públicas e programas de qualificação, a tendência é que a diferença em relação a mercados mais desenvolvidos continue.