Projeto ‘Além do Emoji’ da agência Bistrô propõe material educativo para identificar violência no ambiente digital

Em um momento em que vídeos nas redes sociais têm viralizado ensinando homens a reagirem quando uma mulher recusa um pedido de namoro ou casamento, muitas vezes incentivando comportamentos agressivos, um outro fenômeno, mais sutil, também ganha espaço: o uso de símbolos, memes e emojis como códigos de ataque contra mulheres no ambiente digital.

Embora aparentemente inofensivos, esses elementos vêm sendo apropriados em determinadas comunidades online como linguagem de deboche, intimidação ou silenciamento feminino. A prática integra o que especialistas classificam como misoginia digital.

Foi ao se deparar com essa dinâmica que a executiva Fernanda Aldabe, CEO e vice-presidente institucional e de ESG da Agência Bistrô, decidiu transformar uma experiência pessoal em um projeto de conscientização. Após recusar um pedido em um aplicativo de relacionamento, ela recebeu uma sequência de emojis de urso que, à primeira vista, pareciam apenas uma reação irônica. Ao investigar o significado, descobriu que o símbolo era utilizado em determinados fóruns como forma de ridicularizar mulheres que rejeitam homens.

“Nem todo ataque vem em forma de ameaça explícita. Às vezes ele aparece disfarçado de piada, meme ou emoji. Justamente por isso é importante ampliar o letramento digital, para que mais pessoas consigam reconhecer quando uma linguagem aparentemente neutra carrega violência simbólica”, afirma.

A experiência motivou a criação da campanha ‘Além do Emoji’. O tema aborda discussões recentes das plataformas digitais, como a pergunta: “Você se sentiria mais segura sozinha na floresta com um urso ou com um homem desconhecido?”. O debate gerou reações em comunidades online, incluindo grupos associados à chamada cultura incel.

Como parte da iniciativa, foi criada uma plataforma que reúne conteúdos educativos sobre misoginia digital, explicações sobre símbolos e emojis usados como códigos de ataque, além de informações sobre legislação e canais de apoio para vítimas.

A página também apresenta dados sobre violência de gênero no Brasil e orientações práticas para reconhecer e denunciar situações de agressão no ambiente online.

Como desdobramento, a agência lançou o livro ilustrado ‘A carta enigmática’, escrito por Natália Mansan, doutoranda em educação pela PUC-RS. A obra foi desenvolvida como ferramenta pedagógica para apoiar educadores no diálogo com adolescentes de 12 a 16 anos sobre convivência digital, linguagem simbólica e formas sutis de violência online.

Parte dos exemplares será distribuída para instituições de ensino do Rio Grande do Sul, e o material também está disponível para download gratuito na página da campanha.

Imagem do topo: Divulgação