A documentarista citou a campanha 'Tormenta', criada pela AlmapBBDO para O Boticário, para exemplificar como uma marca pode ser humana

“Como podemos ser aceitos por quem somos, se não sabemos quem realmente somos? Esse é um paradoxo que a maioria das pessoas vive. É a nossa necessidade emocional mais profunda”. A documentarista Cheryl Miller Houser, fundadora da Creative Breed, trouxe essa reflexão para o seu painel no South by Southwest (SXSW), nesta quarta-feira (18), último dia do festival de inovação realizado em Austin, no Texas.

Na sessão ‘Human-Centered Storytelling: Create Connection & Community’, Cheryl trouxe três princípios que considera fundamentais para as marcas criarem histórias que conectem as pessoas. São eles: ‘Saiba quem você é e em que acredita’; ‘Seja humano. Seja real’; e ‘Abrace profundamente quem você é’.

Para ela, toda empresa precisa criar confiança, lealdade e propriedade dentro das comunidades que se inserem. “Quando você sabe quem é e no que acredita, precisa expressar isso completamente, seja como uma empresa, um líder, ou como indivíduo. Você precisa ser humano e se tornar real”, disse ela.

A executiva trouxe exemplos de marcas com narrativas que são exemplos de como esses princípios foram bem aplicados. Entre eles, o curta-metragem brasileiro ‘Tormenta’, lançado para a campanha de Dia das Mães de O Boticário, em 2024, e desenvolvido pela AlmapBBDO.

Cheryl avalia que marcas podem parecer humanas e reais contando histórias que refletem as vidas dos seus clientes. Segundo ela, isso pode parecer óbvio, talvez simples, mas poucas empresas realmente fazem isso por medo e desconfiança.

Cheryl Miller Houser: "Saiba quem você é em que acredita"

Antes de apresentar o filme de O Boticário, a documentarista pediu que os brasileiros na plateia se manifestassem porque queria ouvir um pouco do espírito brasileiro. Para ela, a campanha que mostra as dificuldades de uma mãe no relacionamento com o filho adolescente foi muito corajosa por tocar neste tema que poucas marcas abordam, embora pesquisas como da Harvard mostrem que esta é uma época muito turbulenta para as mães.

Para Cheryl, o mais incrível é que O Boticário tenha tido a sensibilidade de lançar uma campanha para tratar desse conflito no Dia das Mães enquanto a maioria das marcas focam em seus produtos ou nos deem uma visão idealizada do que é ser mãe.

“Eu concordo totalmente com a marca. O amor do seu filho não está quebrado. Quando a tormenta passa, o amor sobrevive. Com esse filme, O Boticário está ajudando as mães e os filhos a perceberem que não estão sozinhos em suas emoções e experiências, além de forjar conexão, comunidade e pertencimento entre seus clientes”.

A documentarista destacou que importa muito o que as marcas e os líderes falam, mas importa ainda mais a maneira como dizem. “Em todas as nossas relações, se queremos que a pessoa com quem falamos escute e nos compreenda, precisamos entendê-las”, pontuou.

Cheryl lembrou que as pessoas precisam ser verdadeiras consigo mesmas e lembrou uma citação do médico especialista em cuidados paliativos Zack Bush que afirma que, no fim da vida, ouve quase sempre que as pessoas estavam com medo de serem elas mesmas porque precisavam da aprovação de outras pessoas. “Não vamos esperar até o fim das nossas vidas para definir quem somos para agradar às expectativas de outros”.

A documentarista finalizou o painel ressaltando que quando as marcas e as pessoas contam histórias honestas e se mostram humanas é possível iluminar o caminho de outros. “Por isso, siga esses três princípios básicos que mostrei hoje. Conheça quem você é e em que acredita. Seja humano. Seja real. E se abrace completamente e profundamente. Eu lhes desafio a serem guiados por compaixão e amor por si mesmos e por outros. Como disse O Boticário, ‘onde há amor, há beleza'”, encorajou Cheryl.