Levantamento indica queda na participação de agências independentes brasileiras no festival

Um estudo do Círculo das Agências Independentes aponta que o custo de inscrição no Cannes Lions tem limitado a participação de agências independentes (indies) brasileiras no festival. Apesar de representarem 93% do setor no país, apenas 23% dessas empresas já inscreveram cases na premiação.

Segundo o levantamento, a participação caiu para 17% em 2025, influenciada pelo câmbio e pela redução de margens operacionais. A entidade projeta nova retração caso o cenário se mantenha.

"O tamanho de uma agência não define o tamanho da sua ideia. A criatividade independente é o motor mais ágil do Brasil, mas para que esse potencial seja reconhecido, as barreiras de entrada precisam ser revistas", afirma Felipe Silva, fundador do Círculo das Agências Independentes e ECD da Blast.

O estudo também aponta que apenas 11% das indies brasileiras conquistaram um Leão no festival. Ainda assim, há potencial de crescimento, resultado de políticas de incentivo, como descontos ou subsídios. Com o inceentivo, o volume de inscrições poderia chegar a 300 peças.

Considerando a taxa média de conversão brasileira em Cannes, de 3,9%, esse aumento poderia elevar o percentual de agências independentes premiadas para 21,5%.

“Estamos falando de, eventualmente, dobrar o número de agências independentes do Brasil premiadas no maior festival de criatividade do mundo. O talento brasileiro é democrático, mas o acesso ao reconhecimento global é altamente impactado pelos custos e distancia cada vez mais as indies de ocupar esses lugares”, reforça Felipe Silva.

Para a entidade, a limitação de acesso compromete a diversidade da representação brasileira no festival e cria uma barreira predominantemente financeira para participação.

O levantamento também cita modelos adotados por outras premiações para ampliar o acesso. O Clube de Criação utiliza o formato pay-per-win, em que o pagamento ocorre apenas em caso de premiação, enquanto o D&AD oferece descontos para agências de pequeno porte e o The One Show adota condições especiais para o mercado brasileiro.

“A agência independente é o pulmão da inovação no Brasil. Temos agilidade e uma entrega criativa que muitas vezes desafia as grandes redes, mas esbarramos em uma barreira de entrada puramente financeira. Quando o preço é o fator decisivo para não nos inscrevermos, o festival perde o que há de mais fresco na nossa publicidade”, finaliza Felipe.

Imagem do topo: Alê Oliveira