Estudos da Adobe, Hotmart e Ori mostram que a inteligência artificial deixou de ser ferramenta criativa e passou a integrar operação da economia de criadores

Dados recentes indicam que a inteligência artificial não apenas acelerou a produção de criadores de conteúdo, como também impactou a estrutura de custos e escala.

Um levantamento da Adobe aponta que 86% dos criadores globais já utilizam IA criativa no dia a dia, e 76% afirmam que a tecnologia acelerou o crescimento do negócio ou da base de seguidores. O uso está concentrado principalmente na edição e melhoria de escala e qualidade (55%), geração de novos ativos (52%) e apoio à ideação (48%).

Principalmente entre os micro influenciadores, se antes tarefas como roteiro, captação, edição, publicação e gestão administrativa eram centralizadas, agora passam a ser parcialmente automatizadas, reduzindo o tempo gasto.

“A figura do creator solo não é mais a do herói cansado que faz tudo sozinho, e sim a de um profissional que usa IA para tirar o peso do operacional e focar no que ninguém pode copiar: a própria visão de mundo”, resume Vivian Kupperman, gerente de marketing Latam da Adobe.

Mas, se no campo criativo a tecnologia já é dominante, o estudo ‘O Impacto da Inteligência Artificial na Creator Economy’, divulgado pela Hotmart, mostra que a IA passou a atuar diretamente sobre receita, conversão e recuperação de pagamentos.

De acordo com a pesquisa, R$ 16,6 milhões foram recuperados em quatro meses com agentes de vendas via WhatsApp atuando sobre carrinhos abandonados; mais de R$ 220 milhões foram pagos ou recuperados com agentes automatizados de cobrança: até 50% das demandas manuais foram reduzidas com suporte de assistentes baseados em IA e o do tempo de permanência dos alunos em conteúdos digitais dobrou.

Para Paulo Vendramini, CPO da Hotmart, a mudança é estrutural. “Não estamos mais falando de ferramentas para escrever textos, mas de uma infraestrutura que protege a margem de lucro e permite que um negócio escale”, explica.

A Creator Economy, que nasceu associada a awareness e branding, passa a operar com lógica de performance. Essa é também a conclusão do Guia Prático de Influência como Canal de Performance, lançado pela Ori. Segundo o estudo, creators passam a ser integrados ao funil de conversão das marcas, com KPIs, rastreabilidade por UTMs e governança semelhante à mídia paga.

Outro indicativo da transformação é o surgimento de agentes de inteligência artificial como novo formato de produto digital. Na Hotmart, mais de 27 mil pessoas adquiriram agentes de IA nos dois primeiros meses após o lançamento da funcionalidade, gerando 380 mil interações.

O modelo permite que o conteúdo criado por especialistas deixe de ser apenas informativo e passe a ser executável. O aluno não apenas consome a metodologia, mas interage com um sistema treinado pelo próprio produtor.

Paralelamente, a própria IA se tornou tema central de monetização. Produtos voltados à capacitação tecnológica movimentaram R$ 142,8 milhões em 2025, alta de 700% em relação a 2023, segundo o levantamento.

No campo do e-commerce e da afiliação, a aceleração também é visível. A B4You, plataforma com base de mais de 100 mil criadores afiliados, aponta que o uso de modelos de IA permitiu produção de conteúdo até três vezes mais rápida. Alguns creators já registram ganhos de até R$ 15 mil por mês com a estratégia. A lógica é aumentar a frequência de postagem e otimizar conversão.

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