Músicas famosas e releituras de clássicos são cada vez mais utilizadas pelas produtoras para gerar identificação e atrair as novas gerações

O ruído que ecoa das cenas de ‘Chernobyl’ incomoda. E mergulha o telespectador no desastre nuclear ocorrido na cidade de Pripyat, na então União Soviética, hoje Ucrânia. Os sentimentos que afloram? Reflexão e revolta. No dia 26 de abril, a explosão completará 40 anos. Composta pela islandesa Hildur Guðnadóttir, a trilha testemunha a história de uma das maiores tragédias da humanidade. O mesmo acontece na propaganda.

“Antes de ser composição, trilha é escuta. A boa trilha não impõe emoção, ela revela o que já está ali. O nosso trabalho começa entendendo o que a história está tentando dizer”, certifica Lucas Sfair, fundador e head de áudio da Bumblebeat. Cineastas como Martin Scorsese “sabem decifrar isso muito bem”, lembra Paulo Corcione, sócio e diretor musical da Lucha Libre Audio, que prefere trilhas sem “tantas pontuações diretas com a ação da imagem, menos picotadas e que andam mais soltas, com fluidez. Elas contam o clima, não a história. No mínimo, trazem elegância”, revela.

Do mais vibrante ao silêncio, o som assume protagonismo quando endossa o roteiro antes mesmo de assinaturas estéticas ou da tentação de sucumbir ao uso inadequado da inteligência artificial ou ao imediatismo. Ideias surgem, mas por vezes os clientes se apegam ao que “foi primeiramente oferecido e, principalmente, ao que está bombando no TikTok”, relata Corcione, da Lucha Libre. “Modismo nasce da pressa. Autoria nasce de processo. Quando a música é construída a partir do ritmo do filme e das imperfeições humanas, ela deixa de seguir tendência e passa a ter identidade”, emenda Sfair, da Bumblebeat.

Transformar clássicos em trilhas ou jingles é uma das estratégias capazes de fisgar a atenção. “Podemos ver um aumento de trilhas famosas e relançamentos de músicas”, confirma Cayto Trivellato, sócio e produtor-executivo da Cabaret, que adaptou ‘Also Sprach Zarathustra’, de Richard Strauss, para o lançamento do Volkswagen Tera, em ação criada pela AlmapBBDO no ano passado.

Leia a íntegra da matéria ne edição impressa de 9 de fevereiro.