Ação ouve brasileiros e estimula atenção aos riscos de fraude

Golpes por telefone seguem fazendo parte do cotidiano de milhões de brasileiros e levantam uma discussão ainda sem consenso. Afinal, quem é responsável quando uma ligação falsa acontece?

Para ampliar esse debate, a DMA (Digital Made Accessible) voltou às ruas de São Paulo com a campanha 'Chega de Ligação Falsa', que busca ouvir a população e estimular a reflexão sobre fraude digital a partir da experiência real das pessoas.

A iniciativa tem como ponto de partida a escuta ativa, sem apontar culpados ou emitir julgamentos. Durante as abordagens, a equipe questionou quem deveria prevenir esse tipo de crime e quem deveria arcar com os prejuízos financeiros quando o golpe se concretiza.

As respostas revelaram percepções diversas, e muitas vezes contraditórias, que variam entre a responsabilização de bancos e instituições financeiras, governo, empresas de telecomunicações ou do próprio consumidor.

Os depoimentos também indicaram a sensação recorrente de que, na prática, ninguém assume integralmente a responsabilidade pelos danos causados. Segundo dados do Datafolha, entre setembro de 2024 e agosto de 2025, cerca de um em cada três brasileiros foi vítima de golpes digitais, o que representa mais de 56 milhões de pessoas e perdas estimadas em R$ 111,9 bilhões.

“As entrevistas mostram como a percepção de responsabilidade muda quando o problema deixa de ser abstrato e passa a ser vivido de forma pessoal. É um tema complexo, que não comporta respostas simples. Ouvir a sociedade é fundamental para qualificar o debate público”, afirma Flávia Pollo Nassif, CEO da DMA.

A campanha entra agora em sua segunda fase, com um teaser de contextualização e uma série de 13 filmes que apresentam diferentes pontos de vista sobre o tema. “Na primeira etapa, ouvimos histórias reais, sem filtro. Agora avançamos na reflexão, trazendo múltiplas percepções sobre um problema que afeta milhões de brasileiros”, explica Fabio Bottini, VP de Marketing da DMA.

Segundo a companhia, o objetivo da iniciativa é dar visibilidade ao tema e contribuir para a prevenção, estimulando atenção aos sinais de fraude, acesso à informação e adoção de práticas de proteção no dia a dia.

“Não existe resposta certa quando falamos de golpes telefônicos. Cada pessoa enxerga a responsabilidade a partir da própria vivência, e ouvir sem julgar ajuda a humanizar esse debate”, conclui Renata Novaes, gerente sênior de CX em Telecomunicações da DMA.