Levantamento com dados de Open Finance indica que 18% dos apostadores apresentam comportamento financeiro de alto risco
Um estudo realizado pela klavi analisou dados financeiros de 6,8 milhões de brasileiros e identificou que 53,6% dessa base realizou ao menos uma aposta nos últimos 12 meses, o que equivale a cerca de 3,7 milhões de pessoas. O número representa o dobro do registrado no levantamento anterior da empresa, realizado um ano antes.
A análise foi feita a partir de informações coletadas via Open Finance, mediante consentimento dos usuários, permitindo observar renda, gastos, uso de crédito e frequência de apostas. Com base nesses dados, a klavi desenvolveu um Indicador de Risco de Apostas, utilizado para identificar quando o hábito deixa de ser recreativo e passa a comprometer a saúde financeira do indivíduo.
Segundo o estudo, 18% dos apostadores apresentam comportamento classificado como de alto risco, caracterizado pelo não cumprimento de compromissos financeiros em função das apostas. Outros 11,6% foram enquadrados como risco moderado e 9,4% como risco baixo. O grupo de alto risco representa mais de 600 mil pessoas com impacto direto no orçamento.
Entre os efeitos observados estão maior probabilidade de inadimplência, redução de consumo, interrupção ou resgate de investimentos e atrasos em contas essenciais. O levantamento aponta que pessoas classificadas como de alto risco têm pelo menos 35% mais chance de se tornarem inadimplentes em comparação aos demais grupos.
A análise por faixa etária mostra que, entre jovens de 18 a 24 anos, metade dos apostadores de alto risco pertence à classe C, com concentração nas regiões Sudeste e Nordeste. Na faixa de 25 a 34 anos, cerca de um terço apresenta algum nível de risco. Entre 35 e 54 anos, o comportamento de risco permanece relevante, especialmente nas classes C. A partir dos 55 anos, o risco médio diminui, embora ainda esteja presente entre consumidores das classes C, D e E.
O estudo sugere que o comportamento de risco associado às apostas varia ao longo da vida e está relacionado tanto à exposição digital quanto à forma como diferentes grupos lidam com incertezas financeiras, reforçando o papel de ferramentas de monitoramento e prevenção no contexto do mercado regulado.
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