Mistura de distopia e otimismo, o fenômeno reconhece a busca por renovação em momentos adversos

A mistura de distopia e otimismo aponta a existência de um novo movimento cultural identificado pela 12ª edição do estudo de insights e comportamento de consumo ‘The future 100’, da VML, que entrevistou 15.639 pessoas na Argentina, Brasil, China, Colômbia, França, Grécia, Índia, Itália, Japão, México, Portugal, Arábia Saudita, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos, entre os dias 24 de setembro e 3 de novembro de 2025.

O relatório, que integra as impressões de mais de 60 especialistas globais, mapeia anualmente cem tendências nos segmentos de cultura, tecnologia, viagens e hospitalidade, marcas e marketing, alimentos e bebidas, beleza, varejo, luxo, saúde e inovação.

Chamado “distopismo”, o fenômeno reconhece a busca por renovação em momentos adversos. “À medida que sistemas antigos desmoronam, indivíduos, comunidades e inovadores estão construindo novas soluções centradas no ser humano. Trata-se de projetar um futuro melhor, não apenas desejar o passado”, comenta Emma Chiu e Marie Stafford, diretoras globais da VML Intelligence e coautoras da pesquisa.  

A disrupção passou a ser uma forma de alavancar mudanças na forma de viver, consumir e se conectar. “São tantas as crises e incertezas, que este padrão, orientado por tensões locais e globais, virou de fato um grande padrão de influência de comportamento no mundo, neste momento", indica Stella Pirani, chief strategy officer da VML Brasil.

Vivências que inspiram admiração ou renovam a visão de mundo foram mencionadas por 86% da amostra. As viagens, por exemplo, agem como pausas acessíveis para ganhar perspectiva ou experimentar novas identidades, enquanto o bem-estar dá novo significado à resiliência, combinando ferramentas emocionais, físicas e espirituais para ajudar as pessoas a se adaptar a tempos turbulentos.

“As marcas com potencial de liderança em 2026 são aquelas capazes de operar com confiança em realidades híbridas e navegar por essas múltiplas mudanças no comportamento do consumidor. Precisamos projetar para os lados ambicioso e ansioso dos consumidores”, avisa Naomi Troni, chief marketing officer global da VML.

Disruptiva e habilitadora, a inteligência artificial redefine cenários. Realidades generativas e Narrativas artificiais (AI storyworlds), por exemplo, mostram como a IA permite a criação de mundos adaptáveis em tempo real, apontando para um futuro em que entretenimento, comércio e experiências do cliente são cocriados com algoritmos.

Já a geração sintética e os ‘RelAIcionamentos’ alertam para a existência crescente de “funcionários” automatizados - o que significa viver e trabalhar ao lado de contrapartes não humanas. Quase metade (49%) da geração Z afirma já ter formado um relacionamento significativo com a IA.

Mesmo no emaranhado de culturas on e offline, a conexão humana prevalece. Ao longo do levantamento, as pessoas admitem preferência pelo contato humano quando tomam decisões importantes. Tendências como saúde social (Social health) e nova cena rave (New rave scene) apontam o aumento das comunidades, sinalizando a busca por pertencimento.

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