Transmissão marca aposta da emissora em entretenimento global; presença de Kenya traz novos olhares para um território historicamente masculino
Pela primeira vez, a TV Globo exibirá a final do Super Bowl e o show do intervalo na TV aberta. A transmissão acontece no dia 8 de fevereiro, logo após o BBB 26, e terá como atração principal o porto-riquenho Bad Bunny. À frente da cobertura de entretenimento está a apresentadora Kenya Sade.
A estreia consolida um movimento estratégico da emissora de ampliar a presença de eventos globais na grade aberta e marca um passo simbólico ao colocar a jornalista, que é especializada em música.
“É a primeira vez que a Globo transmite o Super Bowl na TV aberta, seguindo um movimento que já fazemos com os especiais de música dentro da grade. A gente quer começar a trazer pra esse nosso Brasil, que é tão diverso, esses grandes eventos que também acontecem lá fora. Muita gente talvez não saiba o que é a NFL, que inclusive já está no Brasil”, comenta Kenya em entrevista ao propmark.
“As pessoas param pra ver o Super Bowl, pra ver quem é o artista que vai se apresentar, virou um símbolo máximo do que é o artista de cultura pop. Então eu fico muito feliz e muito honrada de poder estar lá", celebra ela.

Traduzir o evento para o público brasileiro
Embora o Super Bowl seja um produto fortemente ligado à cultura dos Estados Unidos, a NFL (National Football League) vem ganhando espaço no coração brasileiro. Segundo Kenya, esse trabalho acontece em diálogo com a cobertura esportiva que a Globo já vem realizando ao longo da temporada do campeonato.
“O primeiro desafio é levar esse grande evento que é americano e trazer pra realidade brasileira, o meu papel, como jornalista de música, é facilitar essa linguagem e mostrar por que esse evento é tão relevante”, explica Kenya.
"Diferente do Multishow, que já é um público mais nichado, e que as pessoas ligam o canal já sabendo que elas vão assistir, na Tv Aberta busco apresentar o artista, além de mostrar sua relevância social, político e de momento que vive", contextualiza.
A escolha de Bad Bunny como atração do show do intervalo também adiciona uma camada política à transmissão. O artista é conhecido por abordar temas como identidade, imigração e pertencimento em sua obra. Dado ao histórico, Kenya ressalta que usar o halftime show como palco de discursos simbólicos já se tornou simbólico.
“Os shows geralmente do Super Bowl são shows muito políticos. Ano passado o Kendrick Lamar fez um show levantando a bandeira americana, falando de corpos pretos periféricos, do rap. J faz parte do histórico do Super Bowl levar um artista que também traga questões sociais” relembra. “Bad Bunny não está nesse espaço por acaso. A obra dele fala de identidade, imigração e da relação com Porto Rico, e continua extremamente atual” continua.
A jornalista destaca que a transmissão não será ao vivo, o que permite um cuidado maior na abordagem. “O meu papel não é fazer jornalismo hard news, mas mostrar como a música funciona como uma agenda social”, aponta.
A própria presença de Kenya à frente da cobertura também carrega um peso simbólico para o mercado. Mulher preta, jovem e especializada em música, ela ocupa um espaço de alta visibilidade em um evento global e reflete mudanças mais amplas no ecossistema da mídia brasileira.
“Vivemos uma mudança importante de narrativa nos últimos anos, especialmente após a pandemia. Houve uma cobrança social por mais representatividade, que se refletiu no mercado e na televisão”, reflete.
Ao chegar a esse lugar ainda jovem, Kenya também se torna referência para uma geração que muitas vezes não se via representada na TV aberta. “Recebo muitas mensagens de jovens que achavam que a televisão não era mais um espaço possível para eles”, conta ela, que avalia essa representatividade como positiva para o próprio mercado, que se aproxima do público.
“Vai ser um momento histórico", finaliza a apresentadora.

