Futurista e pesquisador de tendências mostra capacidade da AI para um mundo co-criado com a inteligência artificial
O futurista e especialista em tendências Henry Coutinho-Mason apresentou a sessão ‘Multiplayer futures: Co-creating a vision of SXSW 2030’ na manhã desta sexta-feira (13), segundo dia do South by Southwest (SXSW), que ocorre em Austin, no Texas, até 18 de março de 2026, com mais de 600 painéis.
“O único futuro que podemos fazer é aquele que podemos imaginar”, diz o especialista reconhecido por seu trabalho sobre inovação e o futuro da tecnologia com foco humano. Henry Coutinho-Mason convida para a reflexão sobre o papel da inteligência artificial para reimaginar o futuro do trabalho com empregos melhores.
O estudioso cita a fintech sueca Klarna como exemplo de inovação em experiência do consumidor e novos modelos de pagamento. A marca ficou conhecida com a solução “Buy now, pay later” (BNPL), que funciona como intermediária entre consumidor e varejista, oferecendo pagamento parcelado ou adiado, checkout rápido em e-commerce e serviços financeiros integrados ao consumo.
Coutinho-Mason alerta para a automação e IA no atendimento, mostrando que substituir humanos totalmente por bots pode prejudicar a experiência do cliente se a qualidade cair. “A IA é complemento. Não substituirá as pessoas”, pondera.

Ele menciona ainda as big techs, IBM, Google, Meta, OpenAI e DeepSeek, para evidenciar a posição de “grandes companhias com equipes menores”. De acordo com ele, a IA deve ser utilizada para aprimorar as capacidades individuais das pessoas, endereçando propósito e motivação para trabalhar de forma colaborativa.
Já a DeepMind, do Google, evidencia a IA generativa aplicada à descoberta científica, especialmente na área de saúde. Pesquisadores usaram sistemas de inteligência artificial para sugerir novas hipóteses ou estruturas moleculares que poderiam funcionar como tratamentos contra o câncer.
Aqui, a inteligência artificial deixa de apenas analisar dados e passa a propor soluções testadas e validadas por cientistas humanos. Antes, a IA analisava o passado. Agora, ajuda a inventar o futuro, redefinindo o papel da tecnologia na pesquisa. “Não se trata de automação total, mas de ser bom o suficiente para compartilhar e discutir”, comenta Coutinho-Mason.
Para além dos pilares de saúde, ciência e inovação, emerge também o papel da IA como co-criadora da criatividade. Essa nova dinâmica de inovação impulsionada por IA é ilustrada pela PostVisit.ai, plataforma de cuidado ao paciente construída em apenas sete dias pelo cardiologista Michał Nedoszytko durante um hackathon organizado pela Anthropic, empresa de pesquisa em inteligência artificial. O app criado por Nedoszytko ajuda os pacientes a revisar orientações, muitas vezes, esquecidas após as consultas.
A IA se transforma em ferramenta de co‑criação para especialistas das mais diversas áreas, incluindo a publicidade. Do briefing ao brainstorm, hoje o processo com IA é capaz de gerar dezenas de conceitos de campanha em minutos, transformar uma ideia em imagem ou storyboard rapidamente e testar slogans, roteiros ou layouts antes de investir na produção. “A IA é o amplificador. Os humanos são o sinal”, define Henry Coutinho-Mason. “Estamos transformando processos medievais em futuros colaborativos”, observa.
Henry Coutinho-Mason é autor de ‘Trend-driven innovation’ e coautor do livro ‘The future Normal’ com Rohit Bhargava, também headliner do SXSW e especialista em marketing, inovação e tendências e fundador da The Non-Obvious Company.