Levantamento mostra que 86% dos criadores já usam IA no dia a dia e 76% relatam impacto direto no crescimento do negócio
A inteligência artificial generativa passou a integrar a rotina operacional da creator economy, pelo menos é o que conclui o levantamento Creators’ Toolkit, da Adobe. A pesquisa aponsta que 86% dos criadores globais já utilizam IA criativa no dia a dia, e 76% afirmam que a tecnologia acelerou o crescimento do negócio ou da base de seguidores.
Segundo o estudo, os principais usos estão concentrados na edição e melhoria de escala e qualidade (55%), na geração de novos ativos (52%) e no apoio à ideação (48%). Na prática, tarefas antes acumuladas por um único profissional, como roteiro, captação, edição, publicação e gestão administrativa, passam a ser parcialmente automatizadas, liberando tempo para estratégia e expansão de audiência.
Para Vivian Kupperman, gerente de Marketing LATAM da Adobe, o perfil do creator solo está em transformação. “A figura do creator solo não é mais a do herói cansado que faz tudo sozinho, e sim a de um profissional que usa IA para tirar o peso do operacional e focar no que ninguém pode copiar: a própria visão de mundo”, afirma. Segundo ela, quando ferramentas da Creative Cloud entram na rotina, o modelo 'eu-quipe' deixa de representar sobrecarga e passa a significar autonomia.
Mobile como estúdio portátil
O avanço da IA acompanha a consolidação do mobile como principal plataforma de produção. O estudo indica que 72% dos creators produzem conteúdo com frequência pelo celular, e 75% pretendem ampliar esse volume nos próximos 12 meses. O smartphone se torna estúdio portátil, enquanto recursos de IA auxiliam em enquadramento, limpeza de áudio, ajustes de cor, cortes e variações de formato.
Ferramentas como o Adobe Firefly permitem criar variações visuais e adaptar conteúdos para diferentes proporções, como Shorts e Reels, mantendo o controle estético nas mãos do criador. Já soluções como o Adobe Acrobat passam a organizar propostas comerciais, contratos e assinaturas eletrônicas, estruturando o backoffice do negócio.
Esse conjunto de recursos contribui para que o creator solo opere com lógica de microempresa, produzindo, distribuindo, negociando e formalizando as parcerias sem depender de uma equipe robusta.
Inclusão e barreiras
A popularização da IA generativa também reduz barreiras técnicas. Ao automatizar etapas que antes exigiam domínio avançado de softwares, a tecnologia amplia o acesso para empreendedores locais, especialistas de nicho e criadores autodidatas. “A IA generativa é, ao mesmo tempo, um acelerador de performance e uma tecnologia de inclusão”, afirma Vivian.
O avanço, no entanto, não ocorre sem ressalvas. Segundo o levantamento, 69% dos criadores demonstram preocupação com o uso de seus conteúdos para treinamento de modelos sem autorização. Questões relacionadas à LGPD, custo, transparência e qualidade inconsistente ainda aparecem como entraves.
Nesse contexto, ganha relevância o conceito de agentic AI, sistemas que aprendem o estilo do usuário e automatizam sequências de tarefas, mas mantêm o humano no centro das decisões. A Adobe aposta em mecanismos como o Content Credentials, que permite anexar informações de autoria e histórico de edição às imagens exportadas, como forma de reforçar rastreabilidade e confiança.
Apesar das preocupações, 70% dos creators se dizem otimistas em relação à próxima fase da IA. O estudo mostra ainda que 85% usariam uma inteligência artificial capaz de aprender sua estética, desde que com controle claro sobre os dados utilizados no treinamento.
“O próximo salto da IA não é substituir o criador, é aprender com ele. Os creators querem velocidade, mas não abrem mão de controle, autoria e transparência”, afirma Vivian.
O crescimento da creator economy, portanto, não se explica apenas pelo aumento de perfis nas redes, mas pela combinação de três vetores, que são: IA assumindo gargalos operacionais, ferramentas mobile acessíveis e plataformas que tratam conteúdo e documentação como ativos de negócio.
Imagem do topo: TheRegisti/Unsplash