Projeto idealizador de orquestra e coral amplia atuação, reforça impacto social por meio da educação musical e mobiliza empresas por apoio

Em outubro de 2025, João Almeida, diretor de marketing e comercial do Instituto Baccarelli, foi homenageado com o Troféu Garra de Inclusão e Diversidade na 24ª edição do Prêmio Contribuição Profissional da APP Brasil. A premiação reconhece a atuação da instituição na transformação social de jovens em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, por meio da música. A reportagem, junto com o editor de fotografia, Alê Oliveira, foi até a sede para conhecer de perto o trabalho do projeto.

Criado em 1996, após um incêndio que deixou centenas de famílias desamparadas na favela, o Instituto Baccarelli se consolidou como um dos principais projetos de transformação social por meio da cultura no país. A iniciativa surgiu a partir de uma ação do maestro Silvio Baccarelli e começou com aulas de música para 36 crianças. Hoje, conta com cerca de 1.600 alunos.

Localizado na Estrada das Lágrimas, o núcleo em Heliópolis reúne mais de 300 turmas e quatro grupos artísticos, com destaque para a Orquestra Sinfônica Heliópolis, considerada a primeira orquestra formada em uma favela. A atuação dos grupos tem ampliado o alcance do projeto em diferentes circuitos culturais, e em 2025, por exemplo, a orquestra e o Coral Jovem Heliópolis participaram da programação do The Town e mantiveram agenda em espaços como unidades do Sesc e o Theatro Municipal de São Paulo, além de colaborações com instituições como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

O instituto também mantém outras formações, como o Coral Heliópolis, o Coral Jovem Heliópolis e a Orquestra Juvenil Heliópolis. Os músicos e cantores são formados dentro do próprio programa pedagógico e, em muitos casos, passam a integrar profissionalmente os corpos artísticos da instituição.

Orquestra Sinfônica Heliópolis durante ensaio para apresentação no Teatro Baccarelli (Foto: Ale Oliveira)

O poder da cultura

A formação começa ainda na infância e acompanha o desenvolvimento dos alunos ao longo dos anos, como explica João Almeida. “Eles entram muito pequenos. Quando chegam aos 6 anos, vão para o pré-coral, aprendem a cantar, a se apresentar. Depois escolhem um instrumento, e seguem até a prática orquestral”. O modelo, destaca ele, exige permanência e disciplina, o que se torna um verdadeiro incentivo para os participantes do projeto, que conseguem ampliar seus horizontes. “A nossa luta é fazer com que eles não desistam”, diz.

O percurso inclui musicalização infantil, canto coral, prática coletiva e individual de instrumentos e, posteriormente, a inserção em grupos artísticos. “Eles passam aqui quatro, cinco dias por semana, muitas vezes o dia inteiro, no contraturno escolar. É um processo contínuo, de formação e convivência”, detalha Almeida.

A exigência de vínculo com a educação formal é inegociável. “Para ser aluno do Baccarelli, precisa estar matriculado na escola. É uma exigência nossa para não desconectar a formação artística da educação”, explica Almeida. Além dos docentes, o Baccarelli conta com psicólogos contratados para fazer o acompanhamento dos alunos.

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 06 de abril.

Imagem do Topo: Ale Oliveira