Atriz inflama a plateia do SXSW com pedidos para que as pessoas se mobilizem diante de injustiças e o desprezo pela ameaça climática

“Vivemos as crises da democracia e do meio ambiente. Ambas estão entrelaçadas e podem levar a uma catástrofe irreversível. O tempo está se esgotando. Nunca vimos isso na história da humanidade. Acorde”, clama a atriz Jane Fonda.

A ativista de 88 anos transmitiu toda a sua energia para convocar a plateia do South by Southwest 2026 a agir. A convocação ocorreu durante o painel ‘Say it louder: Artists, activism and the first amendment’, realizado no hotel Hilton na tarde desta quarta-feira (18), sétimo e último dia do festival, que deve encerrar a sua agenda com mais de 600 sessões.

O comediante W. Kamau Bell também participou da conferência mediada por Jessica Herman Weitz é Diretora Nacional de Engajamento de Artistas e Entretenimento na American Civil Liberties Union (ACLU). “Artistas ameaçam governos porque criam empatia com as pessoas. Dizemos a verdade. Isso assusta e nos transforma em alvos”, diz Bell. “Permitimos que as pessoas sonhem”, emenda Jane.

O poder do humor foi outro ponto levantado, pois “leva as pessoas à reflexão”, observa Bell, enquanto Jane lembra a força das novas gerações. Ela citou os esforços da ativista ambiental Greta Thunberg. “Vocês estão se mobilizando, unam essas pessoas”, comenta Jane.

Jane Fonda é recebida no palco do hotel Hilton por W. Kamau Bell e Jessica Herman Weitz (Divulgação)

Para Bell, não cooperar significa deixar que injustiças se espalhem. “Agir individualmente movimenta massas. Protestos têm de causar desconforto”, alerta. Liberdades de expressão, de votar, de viver com dignidade, de ter um ambiente saudável e de protestar são as reivindicações defendidas por Jane. “É importante saber o quanto somos grandes. Isso nos dá coragem”, pontua Jane.

A vida artística funcionou como uma espécie de libertação. “Quando me tornei atriz, me senti livre de muitas amarras que prendem as mulheres”, conta Jane, que virou um marco cultural com a sua atuação em Barbarella (1968). Ela interpreta uma heroína espacial livre, sensual e independente, conduta que desafiava os padrões femininos da época.

Dos cinemas para o ativismo, Jane manifesta indignação com o atual governo dos Estados Unidos. “Imigrantes devem buscar descobrir quem são os seus aliados, capazes de aliviar necessidades e tensões”, recomenda. “Pessoas se arrependeram de ter votado em Trump. Vamos buscar a cura juntos”, instiga.

Apoiadora do movimento ‘No kings’, ela sugere estudar e aprender com o exemplo de resistência e modelo de ação não-violenta coordenada em Minneapolis, após a morte do enfermeiro Alex Pretti por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement, ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (Ice) em janeiro de 2026. Jane descreve o caso como abuso de poder do governo federal. “Organize-se como Minneapolis fez. Faça parte da comunidade. Temos de lutar agora”, conclama.