Ativista palestino participou de sessão do SXSW na manhã deste domingo (15)

O ativista palestino Mahmoud Khalil participou do painel ‘The guardian in conversation with Mahmoud Khalil on the cost of dissent’ na manhã deste domingo (15), quarto dia do South by Southwest (SXSW), que ocorre em Austin, no Texas, até 18 de março de 2026, com mais de 600 sessões.

Betsy Reed, editora do The Guardian nos EUA, e Baher Azmy, diretor jurídico do Center for Constitutional Rights, também integraram a conferência, que abordou “as consequências de se expressar opiniões”, diz Greg Rosenbaum, vice-presidente sênior de programação do SXSW, que abriu a palestra.

Em 2024, Mahmoud Khalil foi um negociadores e porta-vozes dos acampamentos estudantis pró-Palestina - conhecidos como Gaza Solidarity Encampmentc -, organizados na Columbia University, em Nova York, durante a guerra em Gaza. A reivindicação era para que a instituição cortasse investimentos de empresas ligadas ao governo israelense.

Detido em seu apartamento em Manhattan por autoridades de imigração dos EUA (ICE) no dia 8 de março de 2025, Khalil foi liberado após um juiz federal considerar a sua prisão inconstitucional. Ele foi mantido sob custódia por cerca de cem dias em uma instalação na Louisiana.

O caso gerou debates sobre liberdade de expressão, protestos universitários e imigração, com apoio público de políticos e organizações de direitos civis. “Sei que não cometi nenhum crime. Universidades deveriam ser locais para pensamentos livres”, declara Khalil.

Betsy Reed, editora do The Guardian nos EUA, Mahmoud Khalil e Baher Azmy, diretor jurídico do Center for Constitutional Rights (Divulgação)

Ele perdeu o contato com familiares e não pode contatar advogados. A perseguição e a intimidação aos estudantes de origem palestina aumentou a tensão agravada por mais detenções e deportações. “No início, pensei que fosse um mal entendido, depois pediram revisão do meu caso. Fui de Nova York para Louisiana, Texas, e de volta a Nova York”, lembra. “Nunca imaginei injustiças. “Daqui a 20 anos vou olhar para trás e continuarei tendo a certeza que isso era mesmo o que eu tinha de fazer”, emenda.

Khalil compartilhou dependências do centro em Louisiana com mais de 70 pessoas, “muitas chorando, e sem conseguir se manifestar”. O medo era o sentimento mais presente. “Podia não ter dito nada e alimentar esperanças, mas senti que tinha um propósito, tinha de falar”, afirma Khalil.

Justiça, dignidade e segurança são os clamores vindos dos movimentos estudantis coordenados com a participação de Khalil. Ele defende os princípios da justiça e respeito à vida humana e acredita na chamada collective liberation, onde a liberdade de um grupo está ligada à emancipação de todos. Khalil condena atos violentos e preserva a consistência de valores em um mundo “exausto e apreensivo”. Mantém ainda postura firme diante de tentativas de distorções.

Segundo ele, a sua prisão e tentativa de deportação estariam sendo usadas para desencorajar outros estudantes estrangeiros a participar de protestos pró-Palestina nos EUA. “Não quero virar alvo político”, pontua. Ele teve o apoio de entidades como American Civil Liberties Union (ACLU), que luta para assegurar os direitos civis e liberdades individuais dos Estados Unidos, e Center for Constitutional Rights (CCR). “O primeiro aprendizado é sobre os nossos direitos!”, sustenta.

O caso de Khalil ajudou a direcionar mudanças na opinião pública a respeito da política de imigração hoje em vigor nos Estados Unidos. Para ele, o poder coletivo é capaz de criar consciência política. Não importa a religião ou origem da pessoa, e sim a sua dignidade. “Sei o que é viver sem liberdade para se manifestar. Nasci e vivi na Síria por 18 anos”. Ele demonstra preocupação com os recursos hoje captados por taxas econômicas que podem financiar uma guerra que mata “meu próprio povo”.