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Creators ganham espaço na estratégia das marcas para a Black Friday

Levantamento da Creators aponta que consumidores pesquisam com antecedência, mas também respondem a estímulos próximos da compra
Imagem: Unsplash

A disputa pela atenção e pela decisão do consumidor para a Black Friday 2026 começa meses antes de novembro, segundo o estudo “Open Black – Report Black Friday 2026”, da Creators LLC. O levantamento mostra que, embora parte dos brasileiros antecipe o planejamento das compras, a decisão final pode ser influenciada por estímulos próximos à data, reforçando o papel dos creators nas diferentes etapas da jornada de consumo.

Para desenvolver o estudo, a Creators reuniu dados de pesquisas de comportamento, informações de mercado, plataformas e cases nacionais e internacionais. O objetivo é analisar como o creator marketing pode ser utilizado pelas marcas não apenas para gerar conversão durante a Black Friday, mas também para construir consideração e confiança nos meses que antecedem o período promocional.

De acordo com dados da Gauge citados no relatório, 53% dos brasileiros já começam a planejar suas compras de Black Friday em julho, quatro meses antes da data. Ao mesmo tempo, 48% afirmam tomar decisões por impulso diante de uma oferta considerada vantajosa.

O cenário revela um consumidor que inicia a jornada com antecedência, pesquisa e compara opções, mas que ainda pode ser impactado por estímulos próximos ao momento da compra.

Influência começa antes das ofertas

A partir desses dados, a Creators propõe dividir a estratégia de influência para a Black Friday em dois momentos. Entre agosto e outubro, os creators atuariam principalmente na etapa de consideração, apresentando produtos, incorporando itens às suas rotinas, produzindo reviews e tutoriais, respondendo dúvidas e aumentando a familiaridade do público com as marcas. Em novembro, a estratégia passa a priorizar conversão, com recursos como cupons personalizados, links rastreados, programas de afiliados, live commerce e ofertas.

A importância da construção antecipada também aparece nos dados da YOUPIX + Nielsen Brasil. Segundo o levantamento, 80% dos consumidores tomam decisões fora do clique imediato, seja pesquisando preços, salvando conteúdos ou guardando o nome de uma marca para uma compra futura. O estudo aponta ainda que 58% das compras ocorrem em até sete dias depois de o consumidor visualizar uma publicidade com influenciador.

“A Black Friday não começa quando o desconto entra no ar. Quando novembro chega, o consumidor já pesquisou, comparou, salvou conteúdos e criou referências sobre aquilo que pretende comprar. O desafio das marcas é construir essa relação antes da disputa mais intensa por atenção e usar os creators não apenas como mídia de conversão, mas como parte da jornada de decisão”, afirma Nohoa Arcanjo, CEO da Creators.

Creators ganham peso na decisão de compra

A influência dos criadores digitais já está incorporada aos hábitos de consumo dos brasileiros. De acordo com o mesmo levantamento, 81% dos consumidores já compraram algum produto recomendado por um influenciador, enquanto sete em cada dez afirmam que creators já tiveram impacto direto em suas decisões de compra.

Os links e cupons também ganharam espaço nesse processo: 64% dos entrevistados afirmam utilizá-los com frequência.

Mais do que o alcance, porém, afinidade e autoridade aparecem como fatores relevantes para a escolha dos perfis. Apenas 6% dos consumidores consideram o número de seguidores como critério determinante para definir um influenciador. Para 62%, essa quantidade tem pouca ou nenhuma influência sobre a confiança no creator.

A descoberta de marcas também passa pelas redes de criadores. Segundo o levantamento, 44% dos consumidores conhecem novas marcas por meio de creators, ante 33% que citam amigos e familiares como fonte de descoberta.

“Os dados mostram que influência não é uma equação de tamanho de audiência. Para converter, é preciso encontrar quem tem legitimidade para falar daquele assunto e construir recorrência. O consumidor precisa reconhecer aquela indicação como algo coerente com a pessoa que está falando, e não simplesmente como mais uma publicidade de Black Friday no feed”, completa Nohoa

Recorrência pode ampliar vendas

A frequência da relação entre marcas e creators também aparece como um fator de desempenho. Uma análise da Pilea Labs, baseada em mais de 4,4 milhões de pedidos e R$ 935 milhões em vendas no e-commerce brasileiro entre julho de 2025 e junho de 2026, aponta que 90% do GMV gerado por influência durante a Black Friday veio de criadores recorrentes.

O levantamento também indica diferenças de performance de acordo com os formatos utilizados. A combinação de Stories, Reels e Carrossel teria gerado um volume de vendas 5,6 vezes maior do que campanhas que utilizaram apenas Stories.

Marcas ampliam uso de creators

Cases reunidos pela Creators ajudam a mostrar como o modelo vem sendo incorporado pelas empresas. A Natura realizou 52 mil lives em 2025, sendo 60% conduzidas por suas próprias consultoras. Durante a Black Friday, uma mega live de 12 horas respondeu por 25% do faturamento da marca no período e elevou em 228% a conversão de carrinhos abandonados.

O Mercado Livre também ampliou sua operação com criadores. No quarto trimestre de 2025, a companhia aumentou em 475% sua base de afiliados nativos e registrou pico de 88 vendas por minuto originadas por creators.

Os resultados reforçam a utilização das comunidades de criadores não apenas como ferramentas de alcance, mas também como canais capazes de participar diretamente da conversão.

Métricas vão além do clique

Para a Creators, os dados indicam uma mudança na estratégia de Black Friday. Em vez de concentrar investimentos apenas no período de descontos, as marcas podem trabalhar uma relação contínua entre consumidores, creators e produtos, construindo descoberta, consideração e confiança antes da oferta.

A mudança também impacta a forma de medir os resultados. Como parte relevante da decisão ocorre fora do clique imediato, indicadores como vendas, links e cupons não necessariamente capturam toda a influência exercida sobre o consumidor.

Nesse modelo, a recomendação é acompanhar diferentes métricas ao longo da jornada: visualizações e engajamento nas etapas iniciais; comentários, salvamentos e buscas pela marca durante a consideração; e conversões, vendas e utilização de cupons no momento de compra.

A Black Friday, portanto, deixa de ser apenas uma data de varejo e passa a funcionar como uma jornada que começa meses antes da oferta. Para as marcas, a presença dos creators nesse percurso pode ser estratégica para transformar atenção em familiaridade, confiança e, posteriormente, conversão.

“A Black Friday é um momento de venda, mas a decisão não nasce naquele dia. As marcas que entenderem isso conseguem sair de uma disputa baseada apenas em preço e construir uma vantagem antes mesmo de novembro chegar. O creator tem um papel importante justamente porque consegue acompanhar o consumidor durante esse processo, criando contexto, confiança e desejo antes de apresentar a oferta. No fim, não se trata de fazer mais publicidade na Black Friday, mas de começar antes e construir uma estratégia de influência capaz de chegar à data com uma audiência já preparada para comprar”, conclui Nohoa.

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