A indústria farmacêutica brasileira movimentou R$ 246,1 bilhões em 2025, alta de 11,3% em relação ao ano anterior, e pela primeira vez o market share das vendas digitais supera dois dígitos, com mais de 11% do volume de negócios e R$ 27,5 bilhões de receita, segundo dados da Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias) e da IQVIA divulgados em fevereiro deste ano.
O estudo mostra que, em dezembro, os canais digitais responderam por 13,2% do faturamento total. Já em novembro, sob influência da Black Friday, esse percentual atingiu 14,8%, evidenciando a importância das ações promocionais para a atração e fidelização de consumidores no ambiente digital.
Pesquisas com consumidores indicaram que o site e o aplicativo das farmácias são os canais preferidos para a compra de diversas categorias, incluindo cosméticos, produtos de beleza, suplementos alimentares e medicamentos isentos de prescrição. Produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) representaram 24,2% das vendas digitais, assim como cuidados infantis (17,5%) e dermocosméticos (15,3%). Nos medicamentos de prescrição, a mesma lógica se repete. Os chamados RX promovidos – medicamentos de referência com menor desconto – corresponderam a 78% das vendas digitais, frente a 59% no físico, impulsionados principalmente pelos análogos de GLP-1. Já os genéricos representaram 33,2% das vendas físicas, mas apenas 20,3% no digital. Os medicamentos de alto desconto (RX trade) tiveram participação reduzida no online (1,7%) em comparação ao físico (7%).
Já em 2026, a Abafarma (Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil), a partir de dados compilados pelo IQVIA, mostrou que o varejo farmacêutico brasileiro registrou R$ 107,7 bilhões em vendas entre janeiro e maio, representando um crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período anterior. Durante este período, os distribuidores movimentaram R$ 57 bilhões em vendas ao varejo, alta de 10% em comparação com o mesmo período em 2025.
Em meio ao avanço dos medicamentos genéricos, à digitalização do cuidado e à mudança no comportamento dos consumidores, o setor passa por uma transformação na forma de construir marcas, relacionamento e valor. Nesse cenário, o branding ganha espaço como ativo estratégico para diferenciar empresas e produtos em um mercado no qual a inovação técnica, isoladamente, já não garante liderança.
É o que aponta o report setorial O Pulso do Mercado – Construção de Marca e Geração de Valor na Indústria da Saúde e Bem-Estar, desenvolvido pela Troiano. O estudo mostra que reputação, confiança, experiência e conexão com o consumidor passam a ter papel cada vez mais relevante nas estratégias das empresas farmacêuticas, que também ampliam sua presença no mercado publicitário e disputam atenção em um ambiente mais competitivo.
O tamanho do mercado ajuda a dimensionar a relevância dessa transformação. O Brasil concentra 42% do faturamento total da indústria farmacêutica na América Latina, enquanto o consumo final em saúde representou 10% das despesas do PIB brasileiro em 2021, segundo os dados reunidos pelo relatório.
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