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Pejotização vira maioria nas contratações do setor da comunicação, diz trampos

Vagas PJ já representam 60% do mercado e atraem 64% mais candidatos que o regime CLT
Imagem: Divulgação

A pejotização consolidou-se como o principal modelo de contratação no mercado brasileiro de comunicação. Entre 2021 e 2025, a participação das vagas para pessoas jurídicas (PJ) passou de 49% para 60% do total de oportunidades anunciadas no setor, segundo o estudo ‘O Retrato da Pejotização no Mercado de Comunicação’, realizado pela trampos. Além de se tornar majoritário, o modelo registrou maior poder de atração: nesse período, vagas PJ receberam, em média, 64% mais candidatos do que vagas sob regime CLT.

O levantamento, considerado o primeiro com série histórica sobre os formatos de contratação no segmento, analisou cinco anos de vagas publicadas na plataforma da trampos para mapear a evolução da pejotização, a remuneração oferecida, os formatos de trabalho e o comportamento dos candidatos em diferentes áreas e níveis de senioridade.

Os dados mostram que a migração para o modelo PJ ocorreu de forma contínua, sem períodos de retração. A participação desse formato passou de 49% das vagas em 2021 para 55% em 2023, chegando a 60% em 2025, indicando uma transformação estrutural nas contratações de agências, produtoras, estúdios e departamentos de marketing.

“Em 2021, escolher entre CLT e PJ era uma discussão ideológica ou contábil, que acontecia depois de a vaga ser desenhada. Em 2025, o modelo de contratação virou a primeira variável de atração do anúncio. Ele define quantos candidatos a vaga vai receber, de qual senioridade e em quanto tempo. E errar essa escolha tem um custo que não aparece na planilha: semanas a mais com a vaga aberta”, afirma Tiago Yonamine, CEO da trampos.

Nível e função do cargo interfere no modelo

A predominância do modelo cresce conforme a senioridade da vaga. Entre as posições sêniores, 73% das oportunidades anunciadas são para profissionais PJ. Nas vagas de nível pleno, a participação chega a 65%, enquanto entre os cargos juniores o regime CLT ainda permanece majoritário, representando 60% das contratações. O salto entre os níveis júnior e pleno é de 25 pontos percentuais, evidenciando uma mudança significativa à medida que a carreira evolui.

“A carteira assinada continua sendo a porta de entrada das carreiras do setor. A partir do pleno, o mercado troca de modelo. Para agências e times enxutos, essa é a estatística mais crítica do estudo, porque as contratações mais importantes dessas operações costumam ser justamente as sêniores: o primeiro head, o diretor de criação, o planner que segura a conta. Uma vaga sênior anunciada exclusivamente em CLT está competindo pela minoria do mercado”, afirma Yonamine.

Embora o modelo PJ seja mais atrativo na média, o comportamento varia conforme a área de atuação. Funções administrativas, financeiras e de tecnologia registram os maiores índices de preferência, com vagas PJ atraindo, respectivamente, 68% e 66% mais candidatos do que oportunidades CLT. Nas áreas de marketing e design, onde se concentra boa parte das contratações do setor, a vantagem do modelo é mais moderada, de 12% e 13%, respectivamente. A exceção é a área de mídia, único segmento analisado em que o regime CLT supera o PJ em atratividade, registrando 14% mais candidaturas.

“Esse é o dado mais contraintuitivo da série. As funções mais recorrentes do setor, como redator, designer, planner e mídia, são justamente as que menos seguem a média. Quem aplica a régua geral do ‘PJ atrai mais’ numa vaga de mídia está anunciando no modelo que atrai menos. O modelo de contratação deixou de ser política de empresa e virou decisão vaga a vaga”, afirma o executivo.

O estudo aponta dois fatores principais para explicar a preferência pelo modelo PJ. O primeiro é a remuneração. Em tecnologia, por exemplo, vagas para pessoas jurídicas oferecem, em média, remuneração bruta 73% superior à das vagas CLT equivalentes. O segundo fator é a flexibilidade. Apenas 38% das vagas PJ exigem trabalho presencial, enquanto esse percentual sobe para 69% entre as oportunidades com carteira assinada. Na prática, 62% das vagas PJ oferecem modelos híbridos ou remotos, proporção duas vezes maior que a observada entre as vagas CLT.

Segundo a trampos, esse cenário também serve de alerta para as empresas. Parte da atratividade atribuída ao modelo PJ está diretamente ligada à combinação entre maior remuneração e flexibilidade. Quando uma vaga PJ oferece remuneração semelhante à de uma contratação CLT, mas transfere ao profissional os custos e riscos do modelo, a tendência é de menor interesse por parte dos candidatos.

Apesar da expansão da pejotização na comunicação, o estudo destaca que o regime CLT continua predominante no mercado de trabalho brasileiro. Dados do IBGE mostram que, ao fim de 2024, 73,4% dos trabalhadores do setor privado no país ainda estavam contratados com carteira assinada.

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