Cristiano Persona substituiu há poucos meses Adriana Cacace na direção geral da FlixMedia (maior comercializadora de mídia cinema da América Latina) e afirma que a nova fase coincidiu com o início de uma temporada muito forte de blockbusters nos cinemas, com estreias como ‘Super Mario Galaxy’, ‘Michael’ e ‘O Diabo Veste Prada 2’. O executivo ressalta que sua gestão será mais de continuidade e evolução do que de mudanças. A seguir, ele fala sobre o avanço do meio e diz acreditar que exista muito espaço para evolução, tanto do ponto de vista publicitário quanto da expansão do cinema como entretenimento no Brasil.
Nova fase
Essa nova etapa da Flix coincidiu justamente com o início de uma temporada muito forte de blockbusters nos cinemas, especialmente com estreias como ‘Super Mario Galaxy’, ‘Michael’ e ‘O Diabo Veste Prada 2’. A coincidência com um lineup tão relevante acelerou bastante o ritmo da operação e trouxe um interesse muito grande das marcas pelo cinema, movimentando ainda mais nosso dia a dia. Ao mesmo tempo, como essa transição vinha sendo planejada há bastante tempo, atravessamos esse início de forma muito fluida, com continuidade, alinhamento e tudo caminhando da melhor maneira.
Continuidade
Acredito que este momento seja muito mais de continuidade e evolução do que de mudanças. Trabalhei muito próximo da Adriana nos últimos oito anos e, especialmente, nos últimos meses. Muitas das transformações que planejamos para a Flix já foram implementadas ou ao menos iniciadas em conjunto. Claro que o mercado publicitário é extremamente dinâmico e novas oportunidades surgem o tempo todo. Já temos discutido novos caminhos e projetos, embora muitos deles ainda estejam em estágio inicial. Mais do que uma mudança de direção, vejo este momento como uma evolução natural da companhia. O foco é fortalecer ainda mais a Flix como uma empresa de mídia, dados e tecnologia conectada às transformações do mercado publicitário.
Mídia programática
Cinema deixou de ser um meio analógico há bastante tempo. A mídia programática, por exemplo, é um projeto que tive a oportunidade de liderar dentro da Flix e que implementamos há cerca de dois anos. Fomos uma das primeiras empresas de mídia em cinema do mundo a integrar seu inventário a esse modelo, e hoje nossa operação já se tornou uma referência entre players do setor. Além do Brasil, a Flix já trabalha com programática em toda a América Latina a partir do modelo que desenvolvemos por aqui. Temos avançado continuamente na ampliação das possibilidades comerciais e isso conversa diretamente com outro foco importante da empresa neste momento, que são os dados e as métricas. Hoje operamos com programático garantido e queremos que anunciantes e agências tenham liberdade total de escolha ao definirem o cinema em seus planejamentos, com acesso ao nosso inventário, métricas consistentes de entrega e dados robustos de campanha, seja via programática ou compra direta.
Trajetória
Completo oito anos de Flix em julho. Iniciei como diretor-comercial e, há quatro anos, assumi a posição de VP comercial e operações, passando a liderar áreas como marketing, planejamento, BI, operações comerciais e o próprio comercial. Minha relação com a publicidade começou há cerca de 30 anos, quando saí do interior para São Paulo para estudar. A partir daí, passei por agência, veículo e diferentes experiências no mercado até chegar à Editora Abril, onde construí uma parte importante da minha trajetória profissional. Foi um período de enorme aprendizado, convivendo com grandes líderes, colegas talentosos e pessoas que ajudaram a moldar muito da minha visão de mercado e de gestão.

Pendular
Costumo dizer que o mercado publicitário é bastante pendular. Ao longo desses 30 anos de carreira, vi muitas transformações e muitas certezas absolutas deixarem de ser tão absolutas assim. Vejo o cinema vivendo um momento interessante. Durante muitos anos, nós falávamos praticamente sozinhos sobre atenção, experiência coletiva e tela grande. Esses sempre foram atributos centrais do meio cinematográfico. Mas, nos últimos anos, a indústria como um todo passou a olhar muito mais para atenção como métrica real de efetividade. Hoje vemos TV aberta, streaming, OOH e diferentes plataformas falando sobre atenção, impacto e experiência audiovisual. E isso acaba reforçando ainda mais os principais atributos do cinema. Existe hoje uma compreensão muito clara de que tela grande de verdade é a do cinema e que poucos meios conseguem entregar o nível de atenção que entregamos. O cinema vem crescendo a dois dígitos nos últimos anos e acredito que ainda exista muito espaço para evolução, tanto do ponto de vista publicitário quanto da própria expansão do cinema como entretenimento no Brasil.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 08 de junho.

